quinta-feira, 19 de março de 2015

3 ª AULA DE HISTÓRIA 2º ANO ENSINO MÉDIO - M, T, E N.

RENASCIMENTO CULTURAL.
O Renascimento foi um movimento histórico ocorrido inicialmente na Itália e difundido pela Europa - entre os séculos XV e XVI. Foi caracterizado pela crítica aos valores medievais e pela revalorização dos valores da Antiguidade Clássica (greco-romana).
Foi na cidade de Florença que os textos clássicos passaram a ser estudados e as ideias renascentistas difundiram-se para outras cidades italianas e, posteriormente, para outras regiões da Europa.
Itália no século XV.
O berço do Renascimento foi a Itália em virtude de uma série de fatores:
Intenso desenvolvimento comercial das cidades italianas que exerciam o monopólio sobre o comércio no mar Mediterrâneo;
Desenvolvimento e ascensão de uma nova classe social – a burguesia comercial - que passava a difundir novos hábitos de consumo;
O urbanismo e a disseminação do luxo e da opulência;
Influência da cultura grega, através do contato comercial das cidades italianas com o Oriente, especialmente Constantinopla;
Mecenato, prática exercida pelos burgueses, príncipes e papas, de financiar os artistas, procurando mostrar o poderio da cidade e ampliar o prestígio pessoal;
A vinda de sábios bizantinos para a Itália após a conquista de Constantinopla pelos turcos Otomanos;
A presença, em solo italiano, da antiguidade clássica.
Aspectos da Renascença.
Os homens que viviam sob a Renascença criticavam a cultura medieval, excessivamenteteocêntrica, e defendiam uma nova ordem de valores.
Os principais aspectos do Renascimento foram:
a) racionalismo e o abandono do mundo sobrenatural;
b) o antropocentrismo, onde o homem é o centro de tudo;
c) universalismo, caracterizado pela descoberta do mundo;
d) naturalismo, acentuando o papel da natureza;
e) individualismo, valorizando o talento e o trabalho;
f) humanismo.
 O Humanismo
Humanista era um sábio que criticava os valores medievais e defendia uma nova ordem de ideias. Valorizava o progresso e buscava revolucionar o mundo através da educação.
Foi o grande responsável pela divulgação dos valores renascentista pela Europa. Outro elemento responsável pela expansão das novas ideias foi a imprensa de tipos móveis, inventada pelo alemão Johan Gutemberg, tornando mais fácil a reprodução de livros.
No Renascimento desenvolveram-se as artes plásticas, a literatura e os fundamentos da ciência moderna.
Artes Plásticas.
As obras renascentistas são caracterizadas pelo naturalismo e retratam o dinamismo comercial do período. Os estilos desenvolvidos levaram a uma divisão da Renascença em três períodos: o Trecento (século XIV), o Quatrocento (século XV) e o Cinquecento (século XVI).
TRECENTO - destaque para a pintura de Giotto (1276/1336) que muito influenciou os demais pintores;
QUATROCENTO - período de atuação dos Médicis, que financiaram os artistas. Lourenço de Médici foi o grande mecenas da época. Destaques para Botticelli (1444/1510) e Leonardo da Vinci(1452/1519).
CINQUECENTO - O grande mecenas do período foi o papa Júlio II que pretendia reforçar a grandiosidade e o poder de Roma. Iniciou as obras da nova basílica de São Pedro. O autor do projeto foi Bramante e a decoração à cargo de Rafael Sânzio Michelangelo.
 Michelangelo (1475/1564) apesar de destacar-se como o pintor da capela Sistina foi o grande escultor da Renascença.
Literatura.
Graças à imprensa, os livros ficaram mais acessíveis, facilitando a divulgação de novas ideias.
PRECURSORES
Três grandes autores do século XIV:
Dante Alighieri (1265/1321), autor de A Divina Comédia, uma crítica à concepção religiosa;Francesco Petrarcacom a obra África Giovanni Boccaccio que escreveu Decameron.
PRINCIPAIS NOMES.
ITÁLIA
Maquiavelfundador da ciência política com sua obra O Príncipe, cuja tese central considera que os fins justificam os meios. Contribuiu para o fortalecimento do poder real e lançou os fundamentos do Estado Moderno.
Campanella, que relatou a miséria italiana no livro A Cidade do Sol.
FRANÇA
Rabelaisque escreveu Gargântua Pantagruel;
Montaigne, que foi o autor de Ensaios.
HOLANDA
Erasmo de Roterdanconsiderado o "príncipe dos humanistas" que satirizou e criticou a sociedade da época. Sua obra-prima é O Elogio da Loucura (1569).
INGLATERRA
Thomas Morus, que escreveu Utopia e Shakespeare, autor de magníficos textos teatrais.
ESPANHA
Miguel de Cervantes, com o clássico Dom Quixote de La Mancha.
PORTUGAL
Camões, que exaltou as viagens portuguesas na sua obra Os Lusíadas.
Ciência Moderna
O racionalismo contribuiu para a valorização da matemática, da experimentação e da observação sistemática da natureza. Tais procedimentos inauguraram a ciência moderna. Principais nomes:
Nicolau Copérnico- demonstrou que o Sol era o centro do universo (Heliocentrismo) em oposição ao geocentrismo (a Terra como o centro).
Giordano Bruno - divulgou as ideias de Copérnico na Itália. Considerado herege foi queimado na fogueira em 1600.
Kepler - confirmou as teorias de Copérnico e elaborou uma série de enunciados referentes à mecânica celeste.
Galileu Galilei - inaugurador da ciência moderna e aprofundou as ideias de Copérnico, pressionado pela Igreja negou as suas ideias.
Crise do Renascimento
O Renascimento entra em decadência após a perda de prestígio econômico das cidades italianas, em decorrência das Grandes Navegações - que muda o eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico; e da Contra Reforma Católica que limitou a liberdade de expressão.
A Reforma Religiosa.
Ao longo da Idade Média, a Igreja Católica afastou-se de seus ensinamentos, sendo por isto criticada e considerada a responsável pelos sofrimentos do período: guerras, fomes e epidemias seriam como castigos de Deus pelo afastamento da Igreja de seus princípios.
Precursores
John Wyclif (1300/1384) e João Huss (1369/1415).
Causas da Reforma
Além das questões religiosas, como o nicolaísmo e a simonia, outros elementos contribuíram para o sucesso da Reforma:
A exploração dos camponeses pela Igreja - a Senhora feudal. A vontade de terras para o cultivo leva esta classe a apoiar a Reforma;
Interesses da nobreza alemã nas terras eclesiásticas;
A condenação da usura pela Igreja feria os interesses da burguesia comercial;
O processo de centralização política, onde era interesses dos reis o enfraquecimento da autoridade papal;
A centralização desenvolve o nacionalismo, aumentando a crítica sobre o poder de Roma em outras regiões.
Por que Alemanha.
Na Alemanha a Igreja Católica era muito rica e dominava amplas extensões territoriais, limitando a expansão econômica da burguesia, inibindo o poder político da nobreza e causando insatisfação camponesa.
Lutero e a Reforma.
Monge agostiniano que rompeu com a Igreja Católica em virtude da venda de indulgências, efetuada pela Igreja para a construção da basílica de São Pedro pelo papa Leão X.
Lutero protestou através da exposição de suas 95 teses, condenando, entre outras coisas a venda das indulgências.
Suas principais ideias reformistas eram:
Justificação pela fé - a única coisa que salva o homem é a fé, o homem está diante de Deus sem intermediários;
A ideia de livre-exame significava que todo homem poderia interpretar livremente a Bíblia, segundo a sua própria consciência;
Sendo assim, a Igreja e o Papado perdem sua função.
As ideias de Lutero agradaram a nobreza alemã que passou a se apropriar das terras eclesiásticas. A revolta atingiu as massas camponesas - que queriam terras - e foi duramente criticada por Lutero.
Reforma Calvinista.
Defesa da teoria da predestinação, onde o destino do homem é condicionado por Deus. Dizia haver sinais de que o indivíduo era predestinado por Deus para a salvação: o sucesso material e a vontade de enriquecimento, pois a pobreza era tida como um desfavorecimento divino.
A valorização do trabalho, implícita na teoria; bem como a defesa do empréstimo de dinheiro a juros contribuem para o desenvolvimento da burguesia e representam um estímulo para o acúmulo de capitais.
Reforma Anglicana.
Henrique VIII é o reformador da Inglaterra, através do Ato de Supremacia, aprovado em 1513, que colocou a Igreja sob a autoridade real - nascimento da Igreja Anglicana.
A justificativa para o rompimento foi a negativa do papa Clemente VII em dissolver o casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão.
Além disto, havia um enorme interesse do Estado nas propriedades eclesiásticas, para facilitar a expansão da produção de lã.
A Contra Reforma.
Diante do sucesso e da difusão das ideias protestantes, a Igreja Católica inicia a sua reforma, conhecida como Contra Reforma. As principais medidas - tomadas no Concílio de Trento - foram:
Proibição da venda de indulgências;
Criação de seminários para a formação do clero;
O Index - censura de livros;
Restabelecimento da Inquisição;
Manutenção dos dogmas católicos;
Proibida a livre interpretação da Bíblia;
Reafirmação da infalibilidade papal.
Com a Contra Reforma é fundada a ordem religiosa Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola em 1534, com o intuito de fortalecer a posição da Igreja Católica em países católicos e difundir o catolicismo na Ásia e América.

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