sexta-feira, 19 de junho de 2015

Invasões Estrangeiras no Brasil
Piratas e corsários ingleses e invasores franceses e holandeses ameaçaram o domínio português no território colonial. Ao longo do século XVI e no início do século XVII, disputaram o poder invadindo a colônia ou comercializando mercadorias.
Piratas e corsários ingleses
Durante o período colonial, as incursões inglesas no Brasil restringiram-se a ataques de piratas e corsários. Foram saques ocasionais, que tornaram a presença inglesa na colônia bem menos intensa que a francesa e a holandesa. Embora tanto a pirataria quanto o corso se caracterizassem pela pilhagem e pelo saque, o pirata agia por conta própria, enquanto o corsário tinha o apoio oficial de uma entidade ou governo.
O primeiro corsário inglês a aportar na colônia foi o traficante de escravos William Hawkins. Entre 1530 e 1532, percorreu alguns pontos da costa e fez escambo de pau-brasil com os índios. Outro foi Thomas Cavendish, que atracou em Santos, em 1591. Conhecido como “lobo-do-mar”, Cavendish estava a serviço da rainha inglesa Elizabeth I.
O corso realizado pelos ingleses, entretanto, intensificou-se apenas na segunda metade do século XVI, quando os conflitos entre católicos e protestantes tomaram-se intensos na Inglaterra e os mercadores empolgaram-se com as possibilidades comerciais abertas pelas novas rotas marítimas.
A primeira incursão pirata dos ingleses ao litoral brasileiro foi em 1587. Em 1595, o inglês James Lancaster conseguiu tomar o porto do Recife. Retirou grande volume de pau-brasil, que levou para a Inglaterra depois de realizar saques na capitania durante mais de um mês.
Os invasores franceses
Os franceses invadiram o Brasil em duas ocasiões e estabeleceram colônias no território:
- no Rio de Janeiro (1555-1567), fundaram a França Antártica;
- no Maranhão (1612-1615), a França Equinocial.
Um dos motivos das invasões foi o fato de que o Tratado de Tordesilhas, assinado entre Portugal e Espanha, excluía a França e outras nações da divisão do Novo Mundo. Essas nações ficavam à margem das cobiçadas riquezas brasileiras, como o pau-brasil, a pimenta nativa e o algodão.
França Antártica e França Equinocial
A primeira invasão da França foi comandada por Villegaignon. Os franceses se estabeleceram na baía de Guanabara em novembro de 1555, onde fundaram a França Antártica. Para facilitar sua permanência na região, aliaram-se aos índios tamoios, apoiando-os na luta contra os portugueses.
O governador-geral Duarte da Costa empreendeu diversas tentativas de expulsar os franceses, mas não obteve sucesso. Isso só aconteceu em 1567, sob o comando de Estácio de Sá, sobrinho do terceiro governador-geral, Mem de Sá. Para isso, contou com o apoio de jesuítas, colonos e algumas populações indígenas da região, além de reforços mandados pela metrópole.
Expulsos do Rio de Janeiro, os franceses voltaram-se para a região norte da colônia. Comandados por La Touche, em 1612 ergueram no Maranhão o forte de São Luís, em homenagem ao rei francês Luís XIII, e fundaram ali a França Equinocial. Foram expulsos três anos depois, graças a uma aliança luso-espanhola com o apoio dos índios tremembés.
Os invasores holandeses
Os holandeses invadiram e ocuparam o território do Brasil em duas ocasiões:
em 1624, invasão na Bahia;
em 1630, invasão em Pernambuco.
A Holanda, na época, era dominada pela Espanha e lutava por sua independência. As invasões constituíram um modo de atingir as bases coloniais espanholas – uma vez que, de 1580 a 1640, período conhecido como União Ibérica, o Brasil pertencia às duas Coroas: Portugal e Espanha.
A situação econômica da Holanda, além disso, era difícil, devido ao embargo imposto pela Espanha: os holandeses estavam proibidos de comerciar com qualquer região dominada pela Espanha, perdendo assim o direito de refinar e distribuir o açúcar produzido no Brasil, como vinha fazendo havia vários anos.
Com a invasão, os holandeses pretendiam estabelecer uma colônia voltada para a exploração econômica do Brasil, controlando os centros de produção açucareira. Desejavam, ainda, romper o monopólio comercial ibérico e recuperar seu papel no comércio do açúcar.


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