segunda-feira, 4 de junho de 2018

Materialismo histórico e materialismo dialético

"Aquilo que hoje parece uma espécie de lei natural - o crescimento econômico medido pelo PIB - é radicalmente questionado pela economia ecológica. Nem sempre o crescimento é mais benéfico que custoso para a sociedade. A partir de certo ponto, o aumento da produção e do consumo pode ser antieconômico."  -  José Eli da Veiga  -  Mundo em transe - Do aquecimento global ao ecodesenvolvimento
Ao longo de seus debates com os membros da “esquerda hegeliana” e através de suas pesquisas de economia, Marx havia chegado à conclusão de que “não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, o seu ser social que determina a sua consciência”. Ou seja, são as condições econômicas, as relações de produção, que determinam os aspectos espirituais de uma sociedade, as idéias e as instituições; a síntese do materialismo histórico. Escreve Marx no prefácio à Para a Crítica da Economia Política:
O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu-me de fio condutor aos meus estudos, pode ser formulado em poucas palavras: na produção social da própria vida, os homens contraem relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade, relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo em geral da vida social, político e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência.” (Marx, 1974, p. 136).
A descoberta de que as condições materiais de uma sociedade condicionavam a superestrutura – a cultura, a religião, as leis, os costumes, a ciência e a tecnologia, entre outros fatores – foi muito importante nos estudos posteriores de Marx. A conclusão seguinte à qual chegou Marx é que aqueles que dominavam os meios de produção – a classe dominante – sejam patrícios romanos, nobres feudais, burgueses comerciantes ou industriais, ditavam a superestrutura, utilizando-a para perpetuar sua situação de dominação. Em outras palavras, a superestrutura é uma reprodução, sob certos aspectos, da infraestrutura.
Sobre esta análise dos aspectos materiais e espirituiais da sociedade, escreve Stalin: “O ser da sociedade, as condições da vida material da sociedade, eis o que determina as suas idéias, as suas teorias, as suas opiniões políticas, as suas instituições políticas.” (Stalin, s/d, p. 29).
Com o desenvolvimento do capitalismo, principalmente depois da 2ª Guerra Mundial, a complexidade das relações econômicas e sociais fez com que ficasse cada vez mais difícil este tipo de análise. Na década de 1960 Louis Althusser, filósofo marxista francês, ainda tentou explicar através de sua obra Aparelhos Ideológicos de Estado a maneira como a superestrutura – os aparelhos ideológicos de Estado: a família, a escola, a estrutura jurídica, a organização sindical, a cultura, entre outros – era manipulada pela classe dominante.
Hoje, no entanto a superestrutura se tornou ainda mais complexa. Em nossa moderna sociedade de consumo, baseada nas telecomunicações e na informática, como determinar qual será a influência destes instrumentos – a linguagem e as imagens digitais – sobre a superestrutura? Será que efetivamente a “classe dominante” tem real controle sobre estes meios, sobre esta superestrutura? Ainda quanto a isso, o que nos mostraram as recentes revoluções no mundo árabe?
 O materialismo dialético de Marx é baseado na dialética de Hegel. Para este, todo o processo do “ser” continha três “momentos”, que Marx transformou em três “fases” do processo de perpétuo desenvolvimento da matéria e do desenrolar histórico: a tese, a antítese e a síntese. Marx por assim dizer inverteu a dialética hegeliana e a apontou para o mundo material, histórico. A dialética materialista não é um processo mental (do espírito), idealista, como o via Hegel, mas um processo inerente à natureza e ao devir histórico. Sobre este ponto escreve Henri Lefebvre:
“O método é assim a expressão do devir em geral e das leis universais de todo o desenvolvimento: essas leis são abstractas em si mesmas, mas reecontram-se sob formas específicas em todos os conteúdos concretos. O método parte do encadeamento lógico das categorias fundamentais, encadeamento pelo qual se encontra o devir de que elas são a expressão concentrada.” (Lefebvre, s/d, p. 95)
Materialista, Marx não seguia o “materialismo vulgar” (como o chamava Engels); o materialismo mecanicista e metafísico dos iluministas franceses, da esquerda hegeliana ou de Feuerbach, entre outros. Marx havia descoberto uma dinâmica, que se aplica aos fatos históricos e à natureza.
O materialismo dialético foi fortemente propagado por Friedrich Engels, em obras como Anti-Dühring (1877) A dialética da natureza (1870), onde deu ao materialismo dialético um caráter filosófico, aplicando-o às várias ciências e quase o transformando em uma metafísica disfarçada. Depois da Revolução Russa, na União Soviética, o materialismo dialético acabou transformando-se no “Diamat”, instrumento de análise e de verificação da ortodoxia marxista nas ciências sociais e naturais.
Atualmente a maioria dos filósofos não-marxistas considera o materialismo histórico e o materialismo dialético como idéias filosóficas, com pouco ou nenhuma fundamentação científica, comparáveis às teorias psicanalíticas de Freud.
Bibliografia:
LEFEBVRE, HENRI. O materialismo dialético. Alfragide (Portugal). Edições Acrópole: s/d, 160 p.
MARX, KARL. Manuscritos Econômico-Filosóficos e outros textos escolhidos in Os Pensadores. São Paulo. Abril Cultural: 1974, 413 p.
REALE, GIOVANNI, ANTISERI, DARIO. História da Filosofia Vol. III. São Paulo. Paulus Editora: 1991, 1113 p.
STALIN, JOSEPH. Materialismo dialético e materialismo histórico. São Paulo. Global Editora: s/d, 63 p.
(Imagens: fotografias de Jindrich Styrsky)

segunda-feira, 16 de abril de 2018

AULA DE GEOGRAFIA - INDÚSTRIA NO BRASIL

Vamos continuar a estudar a economia brasileira tratando nessa aula do setor secundário ou industrial brasileiro. Você deve conhecer a evolução histórica de nossa indústria, sua distribuição geográfica e o perfil atual desse setor.
Número de empregos por gêneros da indústria
(mercado formal)
DISCRIMINAÇÃO    1996       1998          2000
Indústria                 6.362.984     5.881.547     5.945.628
Extrativa Mineral   117.289        112.904        115.281
Construção Civil    1.121.580 1.070.875 956.106
Indústria de Transformação 4.761.276 4.367.009 4.574.771
Classificação
O setor industrial de transformação pode ser classificado quanto ao tipo de indústria. Assim, podemos falar em:
*indústria de base – é aquela que vai produzir para outros setores
industriais. Podemos aí incluir o setor pesado como a siderurgia, a química e os de equipamentos e máquinas como a mecânica e metalúrgica.
*indústria de bens de consumo – produz diretamente para o consumidor final. Pode ser subdividida em durável (consumo e/ou reposição de longo prazo) como a automobilística, eletro-eletrônicos, e não-durável (consumo e/ou reposição de curto prazo) como a têxtil e alimentícia.
Localização das indústrias
A concentração das indústrias em determinados lugares depende de
certos fatores que passamos a analisar abaixo:
*proximidade de matérias-primas – é mais importante no caso de setores industriais que lidam com grandes volumes de matéria-prima, como o setor pesado. A siderurgia, por exemplo, necessita de grandes quantidades de ferro e manganês. Essa proximidade reduz o custo com o transporte e garante maior eficiência na continuidade das atividades desenvolvidas pela empresa.
*oferta de energia – um dos insumos mais importantes para o setor
industrial é a energia. Determinados setores consomem muita energia, como a indústria de base. A siderurgia requer o uso do carvão mineral, a indústria que produz alumínio requer muita energia elétrica. A não interrupção do fornecimento da energia é um fator essencial para a sobrevivência dessas empresas e, em alguns casos, o custo final de seus produtos é fortemente influenciado pelo custo da energia.
*mão-de-obra disponível – isso explica o porque das indústrias
concentrarem-se em áreas urbanas onde podem contar com essa oferta de mão-de-obra. Evidentemente, alguns setores requerem mão-de-obra mais qualificada e procuram cidades onde existam centros universitários e de pesquisa.
*mercado consumidor – no caso das indústrias de bens de consumo, a proximidade do mercado consumidor reduz o custo final do produto no varejo pelo menor custo do transporte até os pontos de venda. Grandes concentrações urbanas atraem mais indústrias que, assim, podem ficar próximas de um grande mercado consumidor.
*boa rede de transportes – essencial para garantir a circulação das
matérias-primas, da energia e do produto acabado. A saturação dos
transportes em algumas áreas urbanas tem afugentado algumas empresas desses locais.
Além desses fatores é claro que precisamos lembrar de políticas de
fomento ao desenvolvimento industrial incluindo isenções de impostos e facilidades para exportação. Assim como é importante também entender que o elevado custo da mão-de-obra, movimento sindical forte e problemas como enchentes, espaço físico disponível (para uma eventual expansão) e falta de segurança motivam indústrias a procurarem novos locais para sua instalação.
Breve histórico
Vamos fazer uma análise histórica do desenvolvimento do setor industrial no Brasil. Inicialmente precisamos lembrar que durante o período colonial o Brasil sofreu fortes restrições por parte da Coroa portuguesa que impedia a instalação de indústrias em nosso país que concorressem com sua produção ou que ferissem seus interesses comerciais na Europa e no Mundo. Mesmo após a independência o desenvolvimento industrial foi seriamente limitado pelas relações comerciais com os ingleses, maior potência da época. Em 1844, com a adoção de tarifas protecionistas mais elevadas, o Império começa a tomar medidas para promover o desenvolvimento do setor industrial no Brasil. Outros fatores trouxeram contribuição ou foram muito relevantes nesse desenvolvimento:
*cafeicultura – foi responsável pela atração dos imigrantes. Parte deles fixou-se em áreas urbanas constituindo a mão-de-obra assalariada para a indústria e, ao mesmo tempo, mercado consumidor. Além disso, a cafeicultura permitiu um acúmulo de capitais, mais tarde aplicado em atividades diversificadas, no setor bancário e industrial, e contribuiu para a expansão da rede ferroviária e melhoria das instalações portuárias, melhorando a rede de transporte.
*as Guerras Mundiais – durante as Guerras Mundiais, com a dificuldade de manter o comércio importador com a Europa, procura se desenvolver aqui no Brasil uma industrialização para substituição dos produtos importados e atender o mercado consumidor interno.
*governos de Getúlio Vargas – a crise na cafeicultura, as mudanças
políticas do período Vargas (substituição de uma oligarquia exportadora pela burguesia urbana e industrial) desviam os investimentos para o setor secundário. Impulsiona-se a indústria de base com a criação da CSN (Companhia Siderurgia Nacional), em 1946 e da PETROBRAS em 1953. Também após o término da Segunda Guerra Mundial as importações de equipamentos industriais apresentam um aumento o que indica uma fase de crescimento nesse setor.
*governo de JK – através do Plano de Metas ampliam-se os investimentos na infraestrutura necessária para o desenvolvimento da indústria (energia, rede de transportes). Começa a aumentar a participação do Estado em setores estratégicos como energia, mineração, transportes e criam-se estímulos para a atração dos investimentos estrangeiros tanto no setor pesado como na indústria de bens de consumo duráveis (automobilística).
*governos militares – trata-se de uma fase que alterna períodos de
estagnação e recessão com outros de forte crescimento (como no milagre brasileiro entre 1969 e 1973). Amplia-se a diversificação da indústria no Brasil. Adota-se uma política de incentivos às exportações, continua a atração do capital estrangeiro setores de tecnologia mais avançada começam a mostrar uma maior evolução (setor aeronáutico, bélico, nuclear e espacial). A política salarial adotada é prejudicial aos trabalhadores e o modelo econômico que é seguido leva a maior concentração de renda no período.
*redemocratização e década de 1990 – fase em que a economia
globalizada toma força e políticas econômicas neoliberais. Progressivamente há uma abertura do mercado interno brasileiro, até então muito protegido, o que eleva as importações e confirma-se a falta de competitividade do setor industrial brasileiro no mercado externo. Para competir, ou sobreviver, esse setor empreende uma rápida evolução tecnológica, empreende esforços pela qualidade e pela redução de custos, o que provoca um aumento do desemprego e falência ou venda de muitas empresas incapazes de enfrentar essa nova realidade. Ao mesmo tempo, as necessidades de diminuir o tamanho do Estado e de seus gastos (incapaz até mesmo de atuar com eficiência em setores essenciais para a sociedade) levam ao desenvolvimento de uma política de privatização de empresas estatais, como no setor siderúrgico (processo que leva, ao mesmo tempo, a uma capitalização para fazer frente ao pagamento de obrigações financeiras). Desenvolvem-se reformas no Estado, como no setor previdenciário. É criado o Mercosul que, por um lado, expande o
mercado de consumo para a produção industrial brasileira e, por outro, aumenta a concorrência com as indústrias de nossos vizinhos.
Apesar de tudo, chega-se ao final do século XX e início do século XXI com a certeza de que o Brasil ainda precisa definir uma política industrial que permita um fortalecimento das empresas nacionais, maior criação de empregos, estímulos para o setor exportador, além da continuidade do processo de fortalecimento das indústrias para aumentar sua qualidade e competitividade.
Distribuição geográfica das indústrias
Observa-se uma tendência à maior dispersão geográfica desse setor nos últimos quinze anos, mas ainda é forte a concentração na Região Sudeste.
Podemos destacar:
*Região Sudeste – as maiores concentrações industriais se encontram nas Regiões Metropolitanas de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Destacam-se também a Baixada Santista (Cubatão), o Vale do Paraíba, a Região de Campinas e crescimento do setor na Região de Vitória, Triângulo Mineiro, além de várias cidades no oeste paulista e sul de Minas Gerais;
*Região Sul – são importantes as Regiões Metropolitanas de Curitiba e Porto Alegre, além do Vale do Itajaí (SC) e Serras Gaúchas;
*Região Nordeste – as maiores concentrações industriais estão em suas regiões metropolitanas: Salvador, Recife e Fortaleza;
*Região Norte – é pouco industrializada destacando-se a Zona Franca de Manaus e a Região de Belém;
*Região Centro-Oeste – possui um modesto setor industrial sem a formação de grandes centros. As indústrias encontram-se espalhadas pelas principais cidades da Região.
Destaques no setor industrial
Passamos a analisar sucintamente alguns setores industriais de maior destaque no Brasil e que, historicamente, tem se mostrado serem os mais importantes ou pelo valor da produção ou pelo número de empresas e de funcionários. Observa-se recentemente maior aquecimento em setores como o de papel e papelão (embalagens – o que parece ser um sinal de aquecimento da economia), além dos setores de borracha, metalúrgico e têxtil.
*Siderurgia – o Brasil está entre os dez maiores produtores de aço no mundo iniciando maior desenvolvimento a partir da entrada em funcionamento da CSN em 1946, no município de Volta Redonda – RJ. A maior parte das siderúrgicas brasileiras concentra-se no Sudeste devido à proximidade do ferro e manganês do Quadrilátero Ferrífero - MG, da boa rede de transportes (ferrovias, proximidade de portos) e do mercado consumidor (representado pelas indústrias que consomem o aço). 
Podemos destacar:
-MG : USIMINAS, ACESITA e Belgo-Mineira;
-RJ : CSN (Companhia Siderúrgica Nacional);
-SP : COSIPA (Companhia Siderúrgica Paulista);
-ES : CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão).
Esse setor já foi privatizado. Busca nesse período a modernização e
eficiência para aumentar sua competitividade. A produção e os lucros cresceram mas enfrenta-se no mercado externo um duro protecionismo no Primeiro Mundo (EUA) que estabelece taxas e quotas para a compra do aço brasileiro. Também melhorou a qualidade do aço produzido após a privatização, assim como a diversificação de produtos fabricados pela siderurgia no Brasil.
Produção Mundial de Aço Bruto - Em Milhões de Toneladas
Nº de
Ordem País 1991 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001
01 China 71,0 92,6 95,4 101,2 108,9 114,6 124,0 127,2 148,9
02 Japão 109,6 98,3 101,6 98,8 104,5 93,5 94,2 106,4 103,0
03 Estados Unidos 79,7 91,2 95,2 95,5 98,5 98,7 97,4 101,8 90,1
04 Rússia ... 48,8 51,6 49,3 48,5 43,8 51,5 59,1 57,5
05 Alemanha 42,2 40,8 42,1 39,8 45,0 44,0 42,1 46,4 44,8
06 Coréia do Sul 26,0 33,7 36,8 38,9 42,6 39,9 41,0 43,1 43,9
07 Ucrânia ... 24,1 22,3 22,3 25,6 24,4 27,5 31,4 33,1
08 Índia 17,1 19,3 22,0 23,8 24,4 23,5 24,3 26,9 27,3
09 BRASIL 22,6 25,7 25,1 25,2 26,2 25,8 25,0 27,9 26,7
10 Itália 25,1 26,2 27,8 23,9 25,8 25,7 24,9 26,7 26,5
*Química – setor que ainda promove uma abertura e modernização. Sua produção também é crescente com grande destaque para o setor petroquímico. A entrada do capital estrangeiro nesse setor e a quebra do monopólio da PETROBRAS trazem a perspectiva de grande aumento da produção e de aumento dos investimentos. Outro destaque é a produção de adubos e fertilizantes. Reúne ainda as produções de cosméticos e perfumaria.
Permanecem ainda problemas na Química Fina que envolve uma tecnologia mais avançada como no setor químico-farmacêutico.
*Automobilística – inicialmente com forte concentração na região do ABC, a partir dos anos 70 inicia uma maior dispersão geográfica deslocando-se para Betim – MG (FIAT) e Vale do Paraíba nos anos 80 (Taubaté e São José dos Campos). As mudanças empreendidas na década de 90 alteram bastante o perfil desse setor. A abertura do mercado interno provocou a necessidade de produzir um automóvel de melhor qualidade. Posteriormente, a entrada de novas montadoras (como a Renault, Peugeot, Toyota, Mitsubishi e Audi)
diversifica a oferta de produtos e aumenta a produção. O Brasil começa a se tornar uma plataforma de produção para vendas não só no mercado interno mas também para exportação. O baixo nível de renda no país, a ausência de estímulos mais eficazes para o setor exportador e a ocorrência de crises no país ou importadas de outros, ainda tem provocado instabilidades no setor com quedas na produção e nas vendas. Trata-se também de uma indústria que atualmente poupa mão-de-obra e terceiriza muitas etapas da produção.
Geograficamente, apresenta maior dispersão pelo território mas ainda concentrada na Região Sudeste onde é maior o mercado consumidor.
1996 1998 2000
0
1
2
3
4
Milhares
exportações importações
Exportações e importações de veículos
milhões US$
Balança comercial brasileira de autoveículos – em unidades
1999 2000
Discriminação Export. Import. Saldo Export. Import. Saldo
Ônibus 1.396 10.646 -9.250 1.356 16.828 -15.472
Automóveis 232.265 154.809 77.456 328.363 167.251 161.112
Caminhões 9.336 1.424 7.912 12.809 631 12.178
Total 242.997 166.879 76.118 342.528 184.710 157.818
Nº de
Ordem País 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000
01 Estados Unidos 10.876 12.254 12.065 11.859 12.158 12.003 13.025 12.800
02 Japão 11.228 10.554 10.196 10.347 10.975 10.050 9.895 10.144
03 Alemanha 4.032 4.356 4.667 4.843 5.023 5.727 5.688 5.527
04 França 3.156 3.558 3.475 2.391 2.580 2.954 3.180 3.348
05 Coréia do Sul 2.050 2.312 2.526 2.813 2.818 1.954 2.843 3.115
06 Espanha 1.768 2.142 2.334 2.412 2.562 2.826 2.852 3.033
07 Canadá 2.248 2.321 2.420 2.397 2.257 2.173 3.059 2.964
08 China 1.162 1.351 1.435 1.470 1.580 1.628 1.830 2.069
09 México 1.097 1.123 937 1.226 1.360 1.453 1.550 1.935
10 Reino Unido 1.569 1.695 1.765 1.920 1.936 1.976 1.973 1.814
11 Itália 1.277 1.534 1.667 1.545 1.828 1.693 1.701 1.738
12 BRASIL 1.391 1.581 1.629 1.804 2.070 1.586 1.357 1.691
*Têxtil – apresenta maior crescimento após a Segunda Guerra Mundial mas, obsoleta nos anos 80, passa a enfrentar sérias dificuldades com a progressiva abertura do mercado interno, especialmente durante os anos 90 com a entrada do produto asiático que utiliza uma mão-de-obra muito barata. Essa mesma abertura facilita o re-equipamento desse setor com a compra de novas máquinas. Promove-se também uma modernização administrativa e na produção. Várias indústrias têxteis não suportaram o quadro decorrente dessa abertura e fecharam as portas nos anos 90. As que sobreviveram parecem estar mais competitivas. A indústria têxtil dissemina-se por todo o país com maior concentração nas Regiões Sudeste e Sul.
*Alimentícia – a produção brasileira é muito diversificada, de boa qualidade e conta com a presença de algumas grandes multinacionais. Também se encontram bastante dispersas pelo território com maior concentração no Sudeste e no Sul (maior mercado consumidor, não só na quantidade mas também observando-se o nível de renda da população). É um setor com fortes ligações com a agropecuária preocupando-se com a procedência da matéria-prima (regularidade na quantidade e qualidade) e, assim, acaba por influenciar muito a vida do produtor rural. A exportação de alimentos industrializados tem apresentado crescimento. Essa indústria reúne o setor do açúcar, leite e derivados, óleos vegetais, massas, bebidas (como sucos, refrigerantes, vinho e aguardente), carne e derivados, doces, chocolate, sorvete e outros.
1995 1996 1997 1998 1999 2000
110
112
114
116
118
120
122
124
Níveis de produção industrial - número índice
Observe que, apesar do aumento dos níveis de produção industrial na década de 1990, o número de empregos na indústria de transformação decaiu. É uma indústria, atualmente, que procura poupar mão-de-obra, reduzir custos e aumentar sua eficiência e qualidade.
1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000
4300
4400
4500
4600
4700
4800
4900
5000
5100
Nº de empregos na ind. de transformação (mercado formal - em milhares de empregados) Saiba mais na Internet
*Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior: http://www.mdic.gov.br/
*Fiesp: http://www.fiesp.org.br/
*Política industrial, privatização e atualidades:
http://www.planalto.gov.br/publi_04/COLECAO/NOVPOLI1.HTM
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/241/economia/241_50_anos_brasil_industrial.htm
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/240/economia/240_sera_ac htm
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/04/07/eco024.htl
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/02/07/eco028.htl
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/04/02/eco040.htl
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/03/10/eco018.htl
Exercícios
1- (VUNESP) Um pólo de inovação tecnológica pode ser definido em função de sua capacidade criativa, de reciclagem e de difusão de tecnologia de ponta. Tecnopólo é a denominação atribuída à cidade que reúne as principais características de um pólo de inovação tecnológica. Assinale a alternativa que apresenta três cidades paulistas que, na atualidade, reúnem tais características:
a) Santos, Sorocaba e Taubaté
b) São Carlos, São José dos Campos e Campinas
c) Limeira, São Carlos e Ribeirão Preto
d) Santo André, São José do Rio Preto e Presidente Prudente
e) São José dos Campos, Lorena e Campinas
2- (FUVEST) As afirmações abaixo apontam algumas tendências da nova lógica de localização industrial.
I – Distribuição dos estabelecimentos industriais das empresas em diferentes localidades de tradição manufatureira.
II – Separação territorial entre processo produtivo e gerenciamento
empresarial com a reintegração de ambos por intermédio de redes
internacionais.
III – Desconcentração da atividade industrial e emergência de novos espaços industriais, estruturando redes globalizadas.
IV – Concentração territorial da indústria dependente de fontes de energia e matéria-prima.
Está correto apenas o que se afirma em:
a) I e II
b) I e III
c) II e III
d) II e IV
e) III e IV
3- (PUC-RIO) Nas últimas décadas, vem ocorrendo no Brasil uma tendência de desconcentração industrial em direção às regiões periféricas. Observa-se também uma concentração de investimentos nas áreas já mais dinâmicas e competitivas do país, devido à presença dos fatores locacionais exigidos pelos setores de produção mais modernos e de tecnologia avançada. Entre esses fatores, podemos destacar os abaixo apresentados, exceto:
a) matérias-primas industriais
b) mercado consumidor de alta renda
c) infraestrutura de telecomunicações
d) proximidade dos parceiros do Mercosul
e) centros de produção de conhecimento de tecnologia
4- (UNOPAR) As cidades de Volta Redonda (RJ) e Camaçari (BA) destacam-se, respectivamente, na concentração de indústrias:
a) siderúrgicas e alimentícias
b) alimentícias e petroquímicas
c) eletroeletrônicas e de calçados
d) siderúrgicas e petroquímicas
e) eletroeletrônicas e têxteis
5- Caracterize a concentração industrial na Região Central de Minas e no Vale do Paraíba (SP):
Respostas
1- B
2- C
3- A
4- D
5- A região central de Minas destaca-se pela concentração siderúrgica e metalúrgica devido à proximidade da extração de ferro e manganês do Quadrilátero Ferrífero, além da indústria petroquímica e automobilística em Betim, na Grande Belo
Horizonte. O Vale do Paraíba reúne indústrias de bens de consumo (ex: automobilística), de base (ex: petroquímica) e de tecnologia de ponta (aeronáutica, bélica, espacial – em São José dos Campos).

sábado, 28 de outubro de 2017

Tema de redação: caminhos para combater a violência e o preconceito contra LGBTs

Texto 1

Assassinatos por homotransfobia atingem o maior índice no Brasil

“RIO – Foram mortas, em 2016, 343 pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais (LGBT) no Brasil — um recorde levantado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) nos 37 anos em que compila anualmente o número de vítimas fatais da homofobia. Isto significa que, aproximadamente a cada 25 horas, pelo menos uma pessoa com estas orientações sexuais é assassinada no país.
(…) O GGB destaca, porém, que a subnotificação dos assassinatos é grande — e reflete uma falha dos governos no monitoramento destes crimes.
(…) Outro sintoma do que o grupo chama de ‘homofobia institucional’ é o dado de que apenas 10% dos casos registrados em 2016 levaram à abertura de um processo judicial. ‘Quando há testemunhas, muitas vezes estas se recusam a depor, devido ao preconceito anti-LGBT.‘ 
Você pode gostar de ler: 11 citações e ideias para a redação

Texto 2

Só 2 em cada 10 brasileiros admitem ser preconceituosos

“O levantamento do Ibope encomendado pela Ambev-Skol, obtido com exclusividade pelo Estado, questionou se os entrevistados têm algum tipo de preconceito. De 2.002 brasileiros e brasileiras abordados pelo Ibope, 17% disseram ‘sim’. (…) No entanto, 73% dos entrevistados assumem já ter feito comentários considerados racistas, machistas ou homofóbicos, segundo levantamento do Ibope.
‘As pessoas tendem a dar a resposta politicamente correta. Quando perguntamos diretamente se a pessoa tem preconceito, ela acha que não tem. Só que, quando apresentamos frases preconceituosas, o índice aumenta bastante.‘(…)
No Brasil, 44% dos pesquisados disseram já ter presenciado ou feito algum comentário homofóbico. A frase que os brasileiros mais declaram ter usado é ‘Pode ser gay, mas não precisa beijar em público’ (25%). Entre os que assumem ser preconceituosos, a homofobia é o preconceito mais declarado (29%), em todas as regiões do Brasil.”
Fonte: Estadão

Texto 3

Jovens representam o maior número de vítimas LGBT

tema de redação lgbt - gráfico de assassinato por faixa etária

Texto 4

Texto 5

Governo reduz repasses a políticas contra a homofobia

O governo do presidente Michel Temer (PMDB) reduziu a zero, em 2017, os repasses federais para programas específicos de defesa da comunidade LGBT. O Ministério dos Direitos Humanos confirma essa paralisação e diz que o dinheiro agora está sendo usado para campanhas de conscientização.
Historicamente vinculados a ministérios como os de Direitos Humanos, Justiça e Cultura, os projetos para essa parcela da população têm sido paulatinamente cortados desde 2015 e estão, até agora, extintos neste ano.
Levantamento feito pelo Aos Fatos em registros dos sistemas de acompanhamento orçamentário Portal da Transparência e Siga Brasil demonstra que os investimentos federais para ações específicas de combate à homofobia saíram de pouco mais de R$ 3 milhões em 2008 para R$ 519 mil em 2016.
Fonte: Uol Notícias

Texto 6

Estudantes criam aplicativo que mapeia casos de violência e discriminação contra LGBTs

“Como parte da disciplina Projeto Integrado, estudantes do curso de Sistemas e Mídias Digitais da Universidade Federal do Ceará desenvolveram um aplicativo que mapeia e destaca relatos de discriminação e violência contra pessoas LGBT em Fortaleza. O “Te Orienta Bixa!” nasceu pela necessidade de visibilizar casos de homofobia e transfobia, que muitas vezes são marginalizados e esquecidos. (…) Lucas Monteiro conta que ‘A importância do ‘Te Orienta Bixa! é mostrar às pessoas que o preconceito está presente, porque esse tipo de ação é negligenciada. A homofobia não é classificada como crime, e precisamos pressionar as autoridades‘, afirma.
(…) Apesar de ter foco em depoimentos, o aplicativo tem também um caráter informativo, visto que grande parte da população desconhece os direitos que possui. Na interface existem duas seções com viés de informação: ‘Leis’ e “Glossário”. São explicitadas leis sobre LGBTfobia, Discriminação, Casamento, Família, Transgênero e Violência.”
Fonte: O Povo
Para o tema de redação sobre o combate à violência e o preconceito contra LGBTs, respeite os Direitos Humanos.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Mais um link de estudos



https://alunos.geekiegames.geekie.com.br/agpzfmdlZWtpZWlkchkLEgxPcmdhbml6YXRpb24YooCE_qbe4REM/content-group/all/learning_object/5540d0c07c8a510023b7e73a
Blog com algumas dicas de humanas para estudar:


http://quizenemhumanas.blogspot.com.br

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Dicas para o Enem
As provas costumam dar prioridade para temas relacionados a questões ambientais, sociais e políticas. Impactos da tecnologia na sociedade, questões de cidadania, História do Brasil, problemas urbanos e, meio-ambiente caem bastante nas provas de História, Geografia, Sociologia e Filosofia. "A prova de Português exige bastante interpretação de texto, conhecimento de gêneros textuais, de figuras e funções de linguagem, literatura e gramática", comenta Guilherme. Já para os testes de língua estrangeira, é importante estar atento à gramática e também à interpretação de texto.

Redação
É importante que o aluno esteja acompanhando as notícias e treinando a escrita com frequência. "Nossa experiência com os alunos do curso preparatório para o Enem mostra que muitos assuntos se repetem, mas é importante se manter atualizado no que está acontecendo no mundo", diz Guilherme Maynard.
Para quem vai fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a preparação para a redação é fundamental. Isso porque essa prova vale 1000 pontos, enquanto nas outras áreas de conhecimento, o valor varia por conta da Teoria de Resposta ao Ítem (TRI), método que dá pesos diferentes para as questões de acordo com o número de erros e acertos.

A exemplo dos últimos anos, a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano deve continuar tratando de temas sociais. “A gente especula que a prova continue tratando de algum tema de grande abrangência e polêmica social, como tem sido nos últimos anos”, avalia o professor de sociologia e filosofia de uma escola particular do Rio de Janeiro Leandro Vieira, que também dá aula de atualidades para alunos que se preparam para a prova.

Entre as apostas do professor estão a questão ambiental e a mobilidade urbana, com foco no transporte público nas grandes cidades. “Esse tem sido um grande tema, desde os grandes eventos como a Copa e as Olimpíadas, e costuma ser cobrado na redação do Enem”, diz. Ele também lembra do assunto liberdade de expressão. “Nos últimos anos tem havido um grande debate sobre o que pode ou não ser dito, os limites para a liberdade de expressão”, diz.

A professora do laboratório de redação de um colégio particular de São Paulo Maria Aparecida Custódio elaborou uma lista com cerca de 30 temas possíveis para a prova deste ano. Entre os destaques estão os caminhos para combater a homofobia no Brasil, a gravidez na adolescência, os hábitos alimentares relacionados à obesidade infantil, o bullying e a violência nas escolas. Entre os temas ambientais, a professora destaca como possíveis assuntos a serem abordados na prova as crises hídrica e energética, o marco da biodiversidade, a produção de lixo e o consumo sustentável. “São assuntos da atualidade, que mobilizam a opinião pública e que são de interesse de todos nós”, diz.

Maria Aparecida lembra que os temas do Enem são predominantemente nacionais e sempre temas sociais, ambientais e relativos a direitos humanos. “São assuntos que de alguma maneira representam um problema que exige uma possível intervenção”, diz. Segundo a professora, o Enem sempre propõe temas que envolvem tanto a participação do Estado como da sociedade.

A coordenadora de redação de uma escola de Brasília Carolina Darolt também aposta que a redação do Enem deve continuar abordando a temática social e comportamental, como nos últimos cinco anos. Ela também cita a questão ambiental, com foco na escassez da água e na Floresta Amazônica. Mobilidade urbana e bullying também são possíveis temas, segundo a professora.

No entanto, para Carolina, o aluno não deve perder tempo tentando adivinhar um possível tema da redação. “Estar preparado para receber qualquer tema é mais importante que acertar o tema. Ele deve pensar em referências textuais que poderiam permear muitos temas”, diz.


Enem 2017 vai concentrar prova da área de humanas em temas sociais

Pelo menos 6,5 milhões de brasileiros estão inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio deste ano, com o objetivo de concorrer a uma vaga em instituições de ensino superior. Os números são do último relatório parcial divulgado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Com as inscrições encerradas desde a última sexta-feira (19), a próxima etapa é a preparação dos alunos, que deve acontecer de forma contínua ao longo do ano.
Com o objetivo de auxiliar nesse processo, o NOVO consultou professores de todas as áreas de conhecimento abordadas na prova e preparou um guia com dicas que devem ser colocadas em prática a partir de agora para garantir um bom desempenho em novembro, quando as provas serão aplicadas em todo Brasil.
Para a primeira matéria da série, consultamos o professor de história do colégio CEI Mirassol, Wellington Albano, que informa o que e como estudar para conquistar uma vaga nos cursos da área de ciências humanas, em especial o mais concorrido deles: direito.
Dentre as principais recomendações do professor, está a elaboração de um calendário de estudos diário, com pelas menos quatro horas diárias. O professor também cita recursos tecnológicos que podem ser úteis para aprendizagem, como vídeo aulas, e realização de simulados.
O professor também definiu uma diretriz com temas recorrentes nas últimas provas de Ciências Humanas e suas Tecnologias e alerta que os alunos devem ficar atentos a conjuntura social, política e econômica no Brasil e no mundo.
“Muitos alunos pensam que estudar é se encher de aulas, mas, na verdade, o estudante precisa de tempo para colocar os assuntos em dia e fixar os conteúdos vistos em sala de aula”.

Estudos regulares

O curso de direito está entre os mais concorridos pelos alunos que enveredam na área das ciências humanas. No último Sisu, a nota de corte para o curso foi 716,60 pontos em Natal e 819,37 pontos em Caicó.
De acordo com o professor de história do CEI Mirassol, Wellington Albano, um aluno que deseja concorrer a uma vaga no curso tem que ter uma rotina intensa de estudos em casa, além da carga horária escolar.
Ele afirma que a primeira coisa que os estudantes precisam fazer agora é organizar um horário de estudos para revisar os conteúdos e fazer atividades em casa e recomenda pelo menos quatro horas de estudos por dia de segunda a sexta-feira.
“Muitos alunos pensam que estudar é se encher de aulas, mas, na verdade, o estudante precisa de tempo para colocar os assuntos em dia e fixar os conteúdos vistos em sala de aula” ressalta o professor.
Ele afirma que para concorrer a uma vaga em cursos muito disputados, como direito, a carga horária de estudos deve ser de 4h diárias e recomenda que esse estudo seja feito em casa, de forma individual, revisando e praticando os conteúdos vistos em sala de aula.
O que estudar?
O professor avalia que a prova do Enem tem um perfil sócio cultural no campo das Ciências Humanas e suas Tecnologias.
Na prova de história, por exemplo, grande parte das questões são a cerca de hábitos cotidianos, conquistas sociais, políticas afirmativas, grupos étnicos, políticas de gênero e aspectos culturais da sociedade. A preparação para essa prova consiste em um estudo frequente da história cotidiana e contemporânea, com foco na conjuntura política, econômica e social do Brasil e do mundo.
Ainda de acordo com Wellington Albano, as questões de história estão em diálogo com outras disciplinas de ciências humanas a ponta de ser difícil identificar o limite entre as matérias em algumas questões.
Em sociologia, a prova costuma abordar conflitos sociais, que também são abordados nas provas de história e geografia. O professor também alerta que, nos últimos anos, novas tecnologias de informação e comunicação foram temas recorrentes nas provas de sociologia.
No que diz respeito as questões de geografia, o professor alerta para os conteúdos relacionados a meio ambiente e trabalho.

Prática

O professor ressalta também a necessidade constante de praticar as teorias estudadas em sala de aula e conta que reserva um momento ao final de todas as aulas para um “exercício de fixação”, com cinco questões, para esclarecer possíveis dúvidas e aprofundar o tema com os alunos.
“Se considerarmos apenas esses pequenos exercícios, ao final de dez aulas, o aluno terá feito 150 questões. Acredito que cumprindo essa prática diária o aluno estará bem preparado ao final do ano”, exemplifica Wellington Albano.
Além das atividades de fixação em sala de aula, seus alunos também recebem uma lista com dez atividades para serem feitas em casa e debatidas na aula seguinte.
A prática também acontece através das avaliações regulares e dos simulados, que acontecem nos domingos à tarde, reproduzindo todas as condições de provas do ENEM.

Metodologia escolar

Nos últimos anos da vida escolar, os alunos do Cei Mirassol tem uma rotina de estudos preparatória para o ENEM, que pode ser dividida em diversos aspectos.
O primeiro contato com os conteúdos acontecem através de materiais didáticos e artigos científicos – que além de informar sobre o tema também desenvolve competências necessárias para a redação.
Além do estudo dos textos, o conteúdo é aprofundado através de recursos audiovisuais, como trechos de filmes e documentários, e aulas expositivas em que a teoria é trabalhada junto com a prática.
Os alunos também tem acesso a um sistema online que disponibiliza vídeo aulas, banco de dados, simulados e listas de exercícios para facilitar o estudo em casa.
No que diz respeito ao uso do celular, o professor Wellington Albano afirma que é um desafio constante, pois tira a atenção dos alunos na aula, mas que também pode ser usado de forma positiva, estimulando pesquisas momentâneas sobre o tema debatido em sala de aula.

Interdisciplinaridade

A prova do Enem tem como característica a relação entre conhecimentos de diversas disciplinas para resolução das questões. A partir desse aspecto, Wellington Albano ressalta a importância de que as escolas trabalhem os conteúdos de forma interdisciplinar, com aulas temáticas em que o mesmo assunto é abordado por diferentes professores. O professor exemplifica a experiência do CEI Mirassol, onde as aulas temáticas acontecem uma vez por semana com uma média de três professores para cada assunto.
A Revolução Francesa, por exemplo, pode ser trabalhada em aulas conjuntas de história, geografia e sociologia. A Revolução Industrial, por sua vez, pode ser debatida entre os professores de história, física e química para que o primeiro aborde aspectos sociais enquanto os outros dois podem falar sobre o funcionamento das máquinas.

“Já ministrei aulas em conjunto até com um professor de biologia. Fizemos um estudo sobre doenças e enquanto ele lecionava a parte biológica, eu trabalhava o contexto em que a população foi atingida pela gripe espanhola ou pela epidemia de cólera”, relata o professor de história.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Aula de Filosofia 2° Ano 2° Trimestre - Idealismo Alemão e Dialética

MORALIDADE E ETICIDADE (ÉTICA DE KANT E HEGEL)

Desde a antiguidade a Ética e moral são assuntos que estão presentes nas discussões de grandes filósofos. Esse é um assunto bastante comentado no âmbito da filosofia e bastante popular também entre os menos doutos, pois trata de questões que estão presentes no dia a dia das pessoas. Todo indivíduo que vive em sociedade lida com questões referentes a Ética, ela é algo que está intrinsecamente ligada a vida dos sujeitos conscientes. Grandes pensadores, não só da antiguidade, mas da história da Filosofia como um todo, se tornaram conhecidos por se debruçarem sobre a Ética nas suas obras, a exemplo de Aristóteles, Nietzsche, Jeremy Bentham, Kant, Hegel, entre outros.
Já no período conhecido como modernidade, mais precisamente nos sécs. XVIII – XIV, Kant (filósofo alemão, 1724 – 1804) desenvolveu várias discussões acerca da Ética, as quais podemos ter acesso em algumas de suas obras como a Crítica da razão prática. Do mesmo modo, Hegel (também filósofo alemão, 1770 -1831) desenvolve uma vasta reflexão acerca deste tema. Ambos viveram praticamente no mesmo período histórico – apesar de Hegel ter nascido posteriormente – mas a postura de cada um destes filósofos frente a este tema é bem diversa. Mais que isso, ambas são quase que opostas, é possível perceber isso através da crítica que Hegel faz ao tratamento que Kant dá a Ética.
Kant é responsável por formular uma Ética ou uma moral baseada no dever. Kant historicamente é conhecido por ser um sujeito que primava sobretudo pela razão em suas obras e acaba que o tratamento que ele dá a Ética também tendo esta característica. Kant coloca a razão como o elemento que deve reger toda ação humana. Ele elabora um conceito chave, o imperativo categórico, que é o reflexo desta razão absoluta, o princípio que todo indivíduo deve seguir como base para as suas ações. Este tal imperativo categórico preconiza que os indivíduos devem tomar suas atitudes de uma maneira que o princípio da sua ação possa ser tomado como um princípio de ação universal, ou seja, que aquilo que o indivíduo faça seja algo que possa necessariamente servir para todas as pessoas no mundo. E mais, que essa atitude seja também necessariamente considerada boa em qualquer contexto histórico, em qualquer tempo.
Hegel, por sua vez, é defensor de uma ética, também de cunho racional (o que já era de se esperar de um filósofo), mas de princípios diferentes da Ética defendida por Kant. A Ética de Hegel pode ser chamada de uma Ética contextualista, pois preconiza que o critério para avaliar uma ação como eticamente correta está no contexto da situação que o indivíduo está agindo, ou seja, é preciso avaliar outros elementos que estão dentro da situação e não somente a intenção do sujeito, como defende Kant. Além disso, na Ética de Hegel é importante verificar as consequências de tal ação para julgá-la, diferentemente da Ética de Kant que, estando somente no âmbito da intenção já se poderia julgar a ação do indivíduo.
As críticas de Hegel a Ética kantiana são inúmeras, a exemplo de algumas que já foram supracitadas. Enumerando estas críticas de Hegel a Ética kantiana teremos:
1 – Hegel afirma que considerar a intenção do indivíduo para um julgamento de ético não é suficiente. Se o indivíduo agir sempre de acordo com uma boa intenção, ainda assim pode haver más consequências e estas também devem ser consideradas para este julgamento ético. Uma boa intenção e más consequências torna a situação de modo geral eticamente incorreta;
2 – Da mesma maneira, determinar regras universais (imperativo categórico) para reger as ações dos indivíduos traz este mesmo problema. Imagine o caso do princípio universal de não poder matar; se eu sigo este princípio de maneira absoluta, no caso de alguém tentar me matar eu não vou poder revidar, mesmo portando uma arma e a minha vida estando em risco. Ou seja, eu não poderia me defender diante de um perigo eminente de morte para mim. Esta questão recai mais uma vez na problemática das consequências, estas devem ser consideradas. Neste quesito Hegel defende que existe um direito a vida e que eu poderia sim me defender. Deste modo, mesmo que eu mate a outra pessoa a minha atitude estaria justificada, pois no contexto da situação eu decidi agir em prol do meu direito a vida, um direito a defesa para garantir a minha sobrevivência.
No sentido destas primeiras considerações, Hegel defende uma Ética mais de caráter subjetivo, mais de caráter contextual, voltada para o indivíduo dentro de uma determinada situação e não de um indivíduo em um mundo como se fosse algo homogêneo.
3 – Hegel determina que é preciso considerar também a heterogeneidade do mundo e do tempo. Ou seja, é preciso que se leve em consideração que há lugares e lugares no mundo, lugares constituídos de uma determinada cultura, o que envolve hábitos e crenças. Do mesmo modo, o tempo leva estes costumes e crenças a mudarem, então a Ética não pode ser estática diante de um mundo que muda na medida do tempo. Há costumes atuais que são considerados corretos e que podem ter sido considerados incorretos, então como estabelecer o que é correto considerando toda a extensão do tempo? Hegel aponta uma solução para este problema: As ações em sua totalidade devem ser avaliadas de um ponto de vista que considere o local e o tempo em que elas são praticadas.
4 – Hegel também critica Kant no que di respeito a postura de Kant com a sua Ética frente ao estado. Para Hegel, Kant não considera a existência do estado em sua Ética, e este seria o seu maior erro. A partir desta problemática nós chegaremos ao principal ponto desta crítica.
Para Hegel a Ética envolve a relação dos indivíduos com o estado. Ela apresenta dois caráteres, o primeiro é subjetivo e diz respeito a Ética pessoal manifestada através de cada indivíduo e a segunda é objetiva e diz respeito a Ética do Estado, que diz respeito às normas do Estado, leis e costumes. Pode-se comparar a primeira como algo mais voltado para o indivíduo e a segunda mais voltada para o social, o conjunto dos indivíduos. A soma de “a+b”, ou seja, a Ética objetiva mais a subjetiva formam a totalidade do Ética. Hegel dá uma importância muito grande a esta parte objetiva, pois ela é responsável por moldar a natureza do homem, proporcionando uma espécie de segunda natureza que ao homem necessária para que ele tenha uma boa vivência em sociedade. Isto é as leis e normas da sociedade cumprem um papel de preparar os indivíduos para a vida em sociedade. O termo “preparar” não seria exatamente o mais adequado, mas é quase que o efeito que se tem. Este processo de preparação se dá da seguinte maneira, as leis e normas funcionam como um meio de barrar as inclinações pessoais provindas da natureza primeira dos indivíduos. Nesta primeira natureza os indivíduos se comportam puramente por instintos, bem como quando nascem. Através do freio destes instintos o indivíduo irá adquirir uma segunda natureza que é mais voltada para o social, para o bem comum. Agindo de acordo com o que é determinado pelo estado (instituições sociais) o indivíduo é considerado ético.
O principal ponto desta crítica a Kant é que, segundo Hegel, Kant fica somente no âmbito da subjetividade pessoal e não considera a subjetividade social. Com isso, Kant leva a sua Ética a inúmeros problemas, os quais já foram citados acima. Hegel pressupõe que considerando a Ética do ponto de vista histórico e contextual estes problemas podem ser resolvidos, tornando assim a Ética possível. Hegel usa termos específicos nesta sua crítica, diz que Kant fica somente no âmbito da moralidade, do dever, da vontade subjetiva e que o mais viável é determinar que os indivíduos ajam de acordo com a eticidade, ou seja, fazer realizar o bem de acordo com a sua realidade histórica e de acordo com o que determina as instituições sociais. 
Hegel - A Dialética
          
           GEORG WILHELM FRIEDRICH HEGEL -   A dialética para Hegel é o procedimento superior do pensamento é, ao mesmo tempo, repetimo-la, "a marcha e o ritmo das próprias coisas". Vejamos, por exemplo, como o conceito fundamental de ser se enriquece dialeticamente. Como é que o ser, essa noção simultaneamente a mais abstrata e a mais real, a mais vazia e a mais compreensiva (essa noção em que o velho Parmênides se fechava: o ser é, nada mais podemos dizer), transforma-se em outra coisa? É em virtude da contradição que esse conceito envolve. O conceito de ser é o mais geral, mas também o mais pobre. Ser, sem qualquer qualidade ou determinação - é, em última análise, não ser absolutamente nada, é não ser! O ser, puro e simples, equivale ao não-ser (eis a antítese). É fácil ver que essa contradição se resolve no vir-a-ser (posto que vir-a-ser é não mais ser o que se era). Os dois contrários que engendram o devir (síntese), aí se reencontram fundidos, reconciliados.
           Vejamos um exemplo muito célebre da dialética hegeliana que será um dos pontos de partida da reflexão de Karl Marx. Trata-se de um episódio dialético tirado da Fenomenologia do Espírito, o do senhor e o escravo. Dois homens lutam entre si. Um deles é pleno de coragem. Aceita arriscar sua vida no combate, mostrando assim que é um homem livre, superior à sua vida. O outro, que não ousa arriscar a vida, é vencido. O vencedor não mata o prisioneiro, ao contrário, conserva-o cuidadosamente como testemunha e espelho de sua vitória. Tal é o escravo, o "servus", aquele que, ao pé da letra, foi conservado.
a) O senhor obriga o escravo, ao passo que ele próprio goza os prazeres da vida. O senhor não cultiva seu jardim, não faz cozer seus alimentos, não acende seu fogo: ele tem o escravo para isso. O senhor não conhece mais os rigores do mundo material, uma vez que interpôs um escravo entre ele e o mundo. O senhor, porque lê o reconhecimento de sua superioridade no olhar submisso de seu escravo, é livre, ao passo que este último se vê despojado dos frutos de seu trabalho, numa situação de submissão absoluta.
b) Entretanto, essa situação vai se transformar dialeticamente porque a posição do senhor abriga uma contradição interna: o senhor só o é em função da existência do escravo, que condiciona a sua. O senhor só o é porque é reconhecido como tal pela consciência do escravo e também porque vive do trabalho desse escravo. Nesse sentido, ele é uma espécie de escravo de seu escravo.
c) De fato, o escravo, que era mais ainda o escravo da vida do que o escravo de seu senhor (foi por medo de morrer que se submeteu), vai encontrar uma nova forma de liberdade. Colocado numa situação infeliz em que só conhece provações, aprende a se afastar de todos os eventos exteriores, a libertar-se de tudo o que o oprime, desenvolvendo uma consciência pessoal. Mas, sobretudo, o escravo incessantemente ocupado com o trabalho, aprende a vencer a natureza ao utilizar as leis da matéria e recupera uma certa forma de liberdade (o domínio da natureza) por intermédio de seu trabalho. Por uma conversão dialética exemplar, o trabalho servil devolve-lhe a liberdade. Desse modo, o escravo, transformado pelas provações e pelo próprio trabalho, ensina a seu senhor a verdadeira liberdade que é o domínio de si mesmo. Assim, a liberdade estóica se apresenta a Hegel como a reconciliação entre o domínio e a servidão.

         Hegel parte, fundamentalmente, da síntese a priori de Kant, em que o espírito é constituído substancialmente como sendo o construtor da realidade e toda a sua atividade é reduzida ao âmbito da experiência, porquanto é da íntima natureza da síntese a priori  não poder, de modo nenhum, transcender a experiência, de sorte que Hegel se achava fatalmente impelido a um monismo imanentista, que devia necessariamente tornar-se panlogista, dialético. Assim, deviam se achar na realidade única da experiência as características divinas do antigo Deus transcendente, destruído por Kant. Hegel devia, portanto, chegar ao panteísmo imanentista, que Schopenhauer, o grande crítico do idealismo racionalista e otimista, declarará nada mais ser que ateísmo imanentista.
          No entanto, para poder elevar a realidade da experiência à ordem da realidade absoluta, divina, Hegel se achava obrigado a mostrar a racionalidade absoluta da realidade da experiência, a qual, sendo o mundo da experiência limitado e deficiente, por causa do assim chamado mal metafísico, físico e moral, não podia, por certo, ser concebida mediante o ser (da filosofia aristotélica), idêntico a si mesmo e excluindo o seu oposto, e onde a limitação, a negação, o mal, não podem, de modo nenhum, gerar naturalmente valores positivos de bem verdadeiro. Mas essa racionalidade absoluta da realidade da experiência devia ser concebida mediante o vir-a-ser absoluto (de Heráclito), onde um elemento gera o seu oposto, e a negação e o mal são condições de positividade e de bem.
         Apresentava-se, portanto, a necessidade da invenção de uma nova lógica, para poder racionalizar o elemento potencial e negativo da experiência, isto é, tudo que há no mundo de arracional e de irracional. E por isso Hegel inventou a dialética dos opostos, cuja característica fundamental é a negação, em que a positividade se realiza através da negatividade, do ritmo famoso de tese, antítese e síntese. Essa dialética dos opostos resolve e compõe em si mesma o elemento positivo da tese e da antítese. Isto é, todo elemento da realidade, estabelecendo-se a si mesmo absolutamente (tese) e não esgotando o Absoluto de que é um momento, demanda o seu oposto (antítese), que nega e o qual integra, em uma realidade mais rica (síntese), para daqui começar de novo o processo dialético. A nova lógica hegeliana difere da antiga, não somente pela negação do princípio de identidade e de contradição - como eram concebidos na lógica antiga - mas também porquanto a nova lógica é considerada como sendo a própria lei do ser. Quer dizer, coincide com a ontologia, em que o próprio objeto já não é mais o ser, mas o devir absoluto.
           Dispensa-se acrescentar como, a experiência sendo a realidade absoluta, e sendo também vir-a-ser, a história em geral se valoriza na filosofia; igualmente não é preciso salientar como o conceito concreto, isto é, o particular conexo historicamente com o todo, toma o lugar do conceito abstrato, que representa o elemento universal e comum dos particulares. Estamos, logo, perante um panlogismo, não estático, como o de Spinoza, e sim dinâmico, em que - através do idealismo absoluto - o monismo, que Hegel considerava panteísmo, é levado às suas extremas consequências metafísicas imanentistas.
Podemos resumir assim:
1.° - A lógica tradicional afirma que o ser é idêntico a si mesmo e exclui o seu oposto (princípio de identidade e de contradição); ao passo que a lógica hegeliana sustenta que a realidade é essencialmente mudança, devir, passagem de um elemento ao seu oposto;
2.° - A lógica tradicional afirma que o conceito é universal abstrato, enquanto apreende o ser imutável, realmente, ainda que não totalmente; ao passo que a lógica hegeliana sustenta que o conceito é universal concreto, isto é, conexão histórica do particular com a totalidade do real, onde tudo é essencialmente conexo com tudo;
3.° - A lógica tradicional distingue substancialmente a filosofia, cujo objeto é o universal e o imutável, da história, cujo objeto é o particular e o mutável; ao passo que a lógica hegeliana assimila a filosofia com a história, enquanto o ser é vir-a-ser;
4.° - A lógica tradicional distingue-se da ontologia, enquanto o nosso pensamento, se apreende o ser, não o esgota totalmente - como faz o pensamento de Deus; ao passo que a lógica hegeliana coincide com a ontologia, porquanto a realidade é o desenvolvimento dialético do próprio "logos" divino, que no espírito humano adquire plena consciência de si mesmo.
         Visto que a realidade é o vir-a-ser dialético da Ideia, a autoconsciência racional de Deus, Hegel julgou dever deduzir a priori o desenvolvimento lógico da ideia, e demonstrar a necessidade racional da história natural e humana, segundo a conhecida tríade de tese, antítese e síntese, não só nos aspectos gerais, nos momentos essenciais, mas em toda particularidade da história. E, com efeito, a realidade deveria transformar-se rigorosamente na racionalidade em um sistema coerente de pensamento idealista e imanentista.
        Não é mister dizer que essa história dialética nada mais é que a história empírica, arbitrariamente potenciada segundo a não menos arbitrária lógica hegeliana, em uma possível assimilação do devir empírico do desenvolvimento lógico - ainda que entendido dialeticamente, dinamicamente. Tal história dialética deveria, enfim, terminar com o advento da filosofia hegeliana, em que a Ideia teria acabado a sua odisseia, adquirindo consciência de si mesma, isto é, da sua divindade, no espírito humano, como absoluto. Mas, desse modo, viria a ser negada a própria essência da filosofia hegeliana, para a qual o ser, isto é, o pensamento, nada mais é que o infinito vir-a-ser dialético.
Referências Bibliográficas:

DURANT, Will. História da Filosofia - A Vida e as Ideias dos Grandes Filósofos, São Paulo, Editora Nacional, 1.ª edição, 1926.
FRANCA S. J. Padre Leonel, Noções de História da Filosofia.
PADOVANI, Umberto e CASTAGNOLA, Luís. História da Filosofia, Edições Melhoramentos, São Paulo, 10.ª edição, 1974.
VERGEZ, André e HUISMAN, Denis. História da Filosofia Ilustrada pelos Textos, Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 4.ª edição, 1980.
JAEGER, Werner. Paidéia - A Formação do Homem Grego, Martins Fontes, São Paulo, 3ª edição, 1995.

Coleção Os Pensadores. Georg Wilhelm Friedrich Hegel - Estética: A Ideia e o Ideal - Estética: O Belo Artístico ou o Ideal, Nova Cultural, São Paulo, 1999.
IDEALISMO ALEMÃO

"Nada de significante no mundo já foi feito sem paixão."
(Hegel)

1. A filosofia Moderna
Convencionalmente aceita-se que a filosofia moderna estenda-se desde as grandes navegações do século XV até o conjunto de eventos que culminaram na Revolução Francesa, no final do Século XVIII (Universidade Católica de Brasília, 2007). De fato, foi um período de grandes mudanças políticas, sociais e científicas no mundo todo, apesar de o auge da filosofia moderna ter ocorrido no continente europeu.
Passou-se a delinear com melhor clareza os limites do estudo filosófico. Ainda no princípio do período moderno havia a preocupação com Deus e a relação do homem com Ele, inclusive buscando-se provas da imortalidade da alma e da existência de Deus (como exemplos podemos citar Descartes e Berkeley). Com o passar do tempo, há o predomínio da ideia de conquista técnico-científica da realidade (Cabral, 2006), Essa ideia se propagou devido às tentativas de explicações mecânicas e matemáticas do Universo, assim como por meio da invenção de máquinas (decorrentes das experiências físico-químicas).
Por todas essas questões, acreditou-se que a vida ética poderia ser pensada racionalmente, bem como a política também (Chauí, 2002).

1.1. Renascimento
Foi um movimento ocorrido no continente europeu (Universidade Católica de Brasília, 2007). Seus limites geográficos e cronológicos são difíceis de se estabelecer com precisão, mas pode-se afirmar que o auge ocorreu na Itália nos séculos XV e XVI. Segundo Cabral (2006), ocorreu entre os séculos XIV e XVI. Antes de ser considerado um período delimitado, deve ser visto como um conjunto de aspirações, que passou a considerar o homem como um ser de ações.
Houve um encantamento com a cultura Greco-romana, mas não é simplesmente um retorno à antiguidade clássica. Além da revalorização da cultura Greco-romana, o renascimento assinala uma reação ao medievo, assim como também um prenúncio de um novo tempo: os tempos modernos (Cabral, 2006). Por isso, pode-se afirmar que no Renascimento misturam-se elementos da antiguidade clássica e do cristianismo inseridos na nova realidade do período moderno.

1.2. Reforma Protestante
Movimento de cunho religioso que ocorreu no continente europeu (inicialmente na Alemanha), encabeçado pelo monge alemão Martinho Lutero, que no ano de 1517 afixou na porta do castelo Wittemberg suas 95 teses, criticando a concessão de indulgências, mas ainda assim alcançavam também temas como o pecado e as penitências, o que afetou as autoridades eclesiásticas (Universidade católica de Brasília, 2007).
Em resposta à ousadia de Lutero (em menos de um mês suas teses estavam espalhadas por toda a Alemanha), as autoridades eclesiásticas concluíram que Lutero agia em heresia, que culminou em sua excomunhão.
No ano seguinte, Lutero é condenado também pelo imperador Carlos Magno. Mas até esse momento já havia conquistado a confiança de muitos discípulos, entre humanista, artistas e príncipes. O movimento foi crescendo, mas demorou até que fosse reconhecido.

1.3. Revolução Científica
É o movimento que ocorre a partir das descobertas de Galileu, Kepler e demais pensadores do século XVII. Até então a ciência era conjunta com a filosofia, mas desde as descobertas científicas do período, houve uma delimitação mais precisa do que cabe à filosofia, e do que é responsabilidade da ciência (Universidade Católica de Brasília, 2007).
Destas descobertas pode-se formular novas compreensões acerca da natureza e de seu conhecimento, o que originou a ciência da natureza moderna (a física).

1.4. Racionalismo
Filosofia que enfatiza o papel da razão, que garante a aquisição e justificação do conhecimento sem auxílio (Blackburn, 1997). Iniciou-se com as novas descobertas da Revolução Científica e caracterizou-se a princípio pela posição de que a razão pode nos apresentar o mundo e de que a ciência deve separar-se da filosofia, então seria responsabilidade da filosofia o embasamento racional das novas descobertas.
Como grande representante do período, Descartes (conhecido como o pai da filosofia moderna) foi o primeiro a oferecer uma resposta para o impasse. Usou uma analogia significativa (Universidade Católica de Brasília, 1997), onde comparou o conhecimento humano a uma árvore, sendo as raízes a metafísica e o tronco a física. Assim sendo, caberia à filosofia definir os fundamentos, e à ciência os fenômenos e fatos em si.

1.5. Criticismo
Nascido na Alemanha, Kant interessou-se desde o início pela ciência newtoniana e se questionava a respeito da natureza do nosso conhecimento (Aranha, 2003). Em sua obra Crítica da Razão Pura, questiona a possibilidade de uma "razão pura", independente da experiência.
O criticismo caracteriza-se pela posição de considerar a análise crítica da possibilidade, do valor, da origem e dos limites do conhecimento racional seriam o ponto de partida do conhecimento filosófico. Pode ser considerado uma crítica ao Racionalismo e ao Empirismo.

1.6. Filosofia pós-Kantiana
Kant, ao apresentar seu sistema que pretendia sintetizar duas grandes tendências (racionalismo e empirismo), e ao mesmo tempo superá-las e resolver suas pendências. Decorrente destes objetivos, a filosofia alemã foi muito influenciada por Kant em todo o período vigente do seu sistema de idealismo.

2 Idealismo Alemão
2.1 local e data
Iniciou-se a partir do impacto causado pelas obras de Kant. Estende-se desde a década de 1780 até meados do século XIX. Seu declínio é marcado pela morte de Hegel em 18530 (Universidade Católica de Brasília, 2007).
Os filósofos idealistas não se colocavam como adversários da obra de Kant, mas sim como seus continuadores.
Dentre seus principais pensadores, serão contemplados neste trabalho Fichte, Schelling e Hegel, por serem considerados os mais importantes no esclarecimento do tema proposto.

3. Fichte
Nascido em 1762 e morto em 1814, formou-se em teologia e depois em filosofia em Iena. Tornou-se conhecido em parte devido ao fato de seu primeiro livro (publicado anonimamente) ter sido atribuído a Kant (Universidade Católica de Brasília, 2007; Blackbourne, 1997). Tornou-se professor da Universidade de Iena, e publicou uma obra que pretendia desenvolver a filosofia kantiana e a transforma em um idealismo radical, pois abandona a concepção Kantiana de dualismo "pensamento-coisa". Para ele, tudo depende do sujeito pensante que não corresponde a um? Eu individual? mas sim a um "eu universal", fonte para a explicação de todas as coisas.

3.1. Eu Absoluto
O ponto da partida de Fichte é o absoluto (Morente, 1980). Entretanto, este "eu absoluto" não consiste em pensar, pois pensar vem depois. Consiste em fazer, consiste numa atividade (Cabral, 2006). Assim, a essência do eu absoluto é a ação.
Cabral nos aponta em sua obra os três princípios determinados por Fichte e utilizados na elaboração de suas teorias, a seguir: Tudo o que é, só é na medida em que está dentro do eu; a isso Fichte denominou o primeiro princípio de sua obra, o da identidade. Deste princípio da identidade, decorre o princípio da oposição. Neste segundo princípio, admite um contrário do eu, que é chamado de não-eu. Para Fichte, Não-eu é sempre eu, pois o oposto só poderia se dar pela ação absoluta do eu.
Destes princípios, deriva ainda o terceiro, o princípio da razão, onde Fichte se esforça por unificar os opostos citados, através de uma análise reflexiva, até restar unicamente o eu como fundamento de todo o saber.

4. Schelling
Nascido em 1775 e morto em 1854, em Berlim. Nasceu em Leonberg e estudou em Türbingen. Tornou-se professor em Iena em 1798. Suas primeiras obras enfatizam a força, autoconsciência, no espírito dinâmico e na realização moral de ideais inatingíveis (Blackburn, 1997). Inicialmente segue as obras de Fichte, mas desenvolve seu próprio sistema, numa filosofia da natureza complexa.
Toma o absoluto como ponto de partida para a sua reflexão, porém considera que o absoluto é harmonia, a unidade dos contrários, a unidade total. Morente (1980) destaca que para Schelling, o absoluto é a unidade vivente, espiritual, dentro da qual estão como germes todas as diversidades que conhecemos.

4.1. Natureza
Segundo Cabral (2006), Schelling afirma que Deus e natureza não se opõem. "A natureza não está fora de Deus, mas em Deus". Schelling argumenta que Deus é a ideia de todas as ideias, o conhecer de todo o conhecer, a luz de toda a luz. DEle vem tudo e para Ele tudo retorna. Essas ideias podem nos apontar uma relação elaborada por Schelling entre Deus e Natureza, partindo do Eu absoluto de Fichte. Essas ideias podem não ter sido tão bem aceitas pela sociedade eclesiástica da época, pois não se afasta por demais de uma teoria panteísta.

5. Hegel
Nasceu em 1770, em Stuttgart e morreu em 1831, em Berlim. A princípio era seguidor de Schelling, mas ao publicar sua obra Fenomenologia do espírito, torna pública a sua opinião contrária a este filósofo. Afirmou que o propósito fundamental da Filosofia é superar divisões e chegar ao Eu absoluto (Universidade Católica de Brasília, 2007).
Um dos legados mais importantes de Hegel para a filosofia foi sua posição frente à Lógica (dialética hegeliana), um tanto complexa ao considerarmos suas posições entre história de um lado e pensamento e espírito de outro. Estas observações levaram-no a considerar a desarmonia ou as contradições do mundo como um exemplo das contradições do pensamento (Blackbourne, 1997).

5.1. Dialética
Como conceito, a dialética pode ser entendida como "a arte do diálogo, a arte de discutir" (Rezende, 2005). A abordagem dialética hegeliana constitui-se de três etapas e visa ser o processo lógico pelo qual a verdade é descoberta (Bergman, 2004). O processo da dialética se constitui em tese, antítese e síntese, sendo a tese o conceito de "ser", a antítese o conceito de "nada" e a síntese o conceito de "tornar-se". A síntese é a maior forma de verdade, pois é a unidade dos opostos da tese e da antítese.
O processo dialético não é propriedade exclusiva da consciência humana, ajudando-nos a entender o mundo, mas é também o próprio mundo (Espírito Absoluto). Então podemos entender todo o mundo, por que tudo é resultado do Espírito Absoluto. Ainda segundo Hegel, a sentença "o real é racional" corrobora com essa conclusão.

5.2. História
Hegel traça o desenvolvimento do espírito do mundo em termos de uma busca por liberdade. História é o desenvolvimento progressivo dessa liberdade (Bergman, 2004; Blackbourne, 1997). A história tem o propósito racional.
Uma grande contribuição da filosofia hegeliana é a construção de um método para se entender o curso da história e de nosso conhecimento como o resultado da marcha do pensamento humano rumo a estágios melhores (Cabral, 2006). Para Hegel, a história mostra a evolução humana rumo a uma racionalidade e liberdades maiores.
Desse novo modo de compreender a história resulta a ideia de progresso (Aranha, 2003), pois na medida em que a história avança, os homens acumulam conhecimentos e práticas, aperfeiçoando-se cada vez mais. Entretanto, tal progresso somente se realiza com uma teoria do conhecimento adequada.
Assim, o presente é melhor e superior se comparado ao passado, e o futuro será melhor se comparado ao presente, o que aporta a uma noção romancista, confiando no caráter progressista, mas ainda proporcionando um modelo para futuros movimentos sociais e políticos que se orgulham de estar do lado do futuro.

6. Considerações
Para os filósofos do Idealismo Alemão, sua visão de mundo era antropocêntrica, visto que julgavam somente o homem ser capaz de escapar ao determinismo natural.
Esse determinismo é apontado pelo fato de considerarem a natureza como parte do Eu absoluto, fundindo-se a Deus, então o homem, parte deste todo, também se fundiria neste Eu Absoluto, nesse sentido poderia perder um pouco da sua essência.
Mas elaborando melhor a teoria do Idealismo alemão, Hegel construiu sua dialética e pode assim atribuir à história um caráter racional, que livraria o homem do determinismo, pois, "só o homem tem história, por que somente ele tem agir moral. Com o darwinismo, considerou-se que todos os animais têm uma história (mesmo que biológica), mas só o homem pode sair do determinismo da natureza".

7. Referências:
ARANHA, M.L.A. Filosofando. 3.ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BERGMAN, G. Filosofia de banheiro. São Paulo: Madras, 2004.
BLACKBURN, S. Dicionário Oxford de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.
CABRAL, C. A. Filosofia. São Paulo, Ed. Pillares, 2006.
CHAUI, M. Convite à Filosofia. 12. ed. São Paulo: Ed. Ática, 2002.
MORENTE, M.G. Fundamentos de filosofia. 8.ed. São Paulo: Mestre Jou, 1980.
REZENDE, A. Curso de filosofia. 13. Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2005.

DIALÉTICA

A dialética  pode ser descrita como a arte do diálogo. Uma discussão na qual há contraposição de idéias, onde uma tese é defendida e contradita logo em seguida; uma espécie de debate. Sendo ao mesmo tempo, uma discussão onde é possível divisar e defender com clareza os conceitos envolvidos.
A prática da dialética surgiu na Grécia antiga, no entanto, há controvérsias a respeito do seu fundador. Aristóteles considerava a Zenôn como tal, já outros defendem que Sócrates foi o verdadeiro fundador da dialética por usar de um método discursivo para propagar suas idéias.

A DIALÉTICA EM PLATÃO

Para Platão a dialética é o único caminho que leva ao verdadeiro conhecimento. Pois a partir do método dialético de perguntas e respostas é possível iniciar o processo de busca da verdade.

Em sua Alegoria da Caverna, Platão fala da existência de dois mundos: o mundo sensível e o mundo das idéias. Sendo o segundo alcançado apenas através da dialética, da investigação de conceitos.

A DIALÉTICA EM HEGEL

Em Hegel, a dialética se movimenta da seguinte forma: primeiro existe a TESE, que é a idéia, gerando uma ANTÍTESE, que se contrapõe à TESE, surgindo assim a SÍNTESE, que é a superação das anteriores.

Hegel aplicava esse raciocínio à realidade e aos diferentes momentos da história humana. Desde as antigas civilizações do oriente até a concepção de Estado Moderno, constando nesse ínterim, acontecimentos como o surgimento da filosofia, o iluminismo e a Revolução Francesa. Ou seja, a história estaria dividida em três etapas, correspondendo exatamente à TESE, ANTÍTESE e SÍNTESE. A SÍNTESE representa a superação da contradição.

A DIALÉTICA MARXISTA

Karl Marx reformula o conceito de dialética em Hegel, voltando-o para a sociedade, as lutas de classes vinculadas a uma determinada organização social, surgindo assim, a chamada: dialética materialista ou materialismo dialético.

A dialética materialista une pensamento e realidade, mostrando que a realidade é contraditória ao pensamento dialético. Contradições estas, que é preciso compreender para então, transpô-las através da dialética. Marx fala da dialética sempre em um contexto de luta de classes, diferentes interesses, que geram a contradição. Sendo assim, o materialismo dialético é uma das bases do pensamento marxista.