terça-feira, 9 de julho de 2019

1. Conceito


A Globalização foi um conjunto de transformações nos âmbitos econômicos, sociais, culturais e políticos que marcou uma nova ordem mundial e a ascensão do modelo econômico capitalista.
O processo de globalização estreitou as relações comerciais entre os países e as empresas. As multinacionais ou transnacionais contribuíram para a efetivação do processo de globalização, tendo em vista que essas empresas desenvolvem atividades em diferentes territórios. Outra faceta da globalização é a formação de blocos econômicos, que buscam se fortalecer no mercado que está cada vez mais competitivo.
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Fig.1: Globo terrestre representando a integração dos países na globalização.

1.1 Vantagens e Desvantagens

Hoje uma empresa produz um mesmo produto em vários países e os exportam para outros, também podemos observar a fusão de empresas, tudo isso tem como objetivo baixar custos de produção, aumentar a produtividade, então produtos semelhantes são encontrados em qualquer parte do mundo. Analisando a Globalização podemos destacar o lado positivo como: o intercambio cultural e comercial entre nações, importante para todos os povos, os riscos reais, entre outros. O lado negativo: a Globalização é crescente os povos ficam a cada dia mais interdependentes, porém os países desenvolvidos são os maiores beneficiados ficando cada vez mais ricos, enquanto os países em desenvolvimento ficam cada vez mais pobres. (Saiba mais, conheça as "Consequências da Globalização")
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Fig.2: Imagem que representa a mundialização do comércio, uma vantagem para o consumidor mas uma desvantagem para os países subdesenvolvidos e emergentes que ficam cada dia mais interdependentes.

2. História


2.1 Origem


Apesar do termo “globalização” ser relativamente novo, a interação de diversas nações já ocorre há milhares de ano. Há quem diga que o processo de globalização iniciou com o mercantilismo, já que a relação de troca comerciais e a descoberta de novos territórios proporcionaram uma troca também cultural.
No século XV, a religião, cultura, língua, e muitos outros fatores sociais e culturais começaram a existir e a se misturar além de suas fronteiras. A Rota da Seda que ligava a Ásia, África e Europa é um bom exemplo do poder transformador de troca que existia no "Velho Mundo". E, com o passar dos séculos, os europeus fizeram relevantes descobertas em suas explorações marítimas, inclusive para o “Novo Mundo” das Américas. A Revolução Industrial foi outro fator que permitiu o avanço de países industrializados sobre o restante do mundo.
Esse fenômeno de expansão e integração continuou aumentando através dos tempos até que, no início do século XIX, o desenvolvimento tecnológico que trouxe o desenvolvimento de novas formas de transporte (navio a vapor) e a telecomunicação muito mais rápida permitiram que o intercâmbio de informações se tornasse cada vez mais ágil, ligando e integrando as nações cada vez mais.
Entretanto, a visão mais aceita pelos estudiosos é que a globalização realmente começou no final do século XX, logo após a queda do socialismo no leste europeu e na União Soviética, sendo o final da Guerra Fria. O neoliberalismo, que ganhou força na década de 1970 causado também pelo refluxo capitalista com a estagnação econômica da URSS ou ainda do próprio fim da Segunda Guerra Mundial. A necessidade de expandir seus mercados levou aos países começarem a aceitar a negociação e o recebimento de produtos de outros países, marcando o crescimento da ideologia econômica do liberalismo. (Saiba mais, conheça as "Fases da Globalização").

2.2 A Globalização no Cenário Atual

É impossível pensar em globalização sem relacioná-la à internet. A internet foi capaz de aproximar ainda mais as fronteiras e facilitar ainda mais as redes de comunicações. Hoje em dia, as pessoas são capazes de saber de uma notícia que ocorreu há alguns minutos em frações de segundos. Tudo isso a distância de um clique.
Além disso, a globalização foi fator determinante para a mudança nas relações comerciais e financeiras, criaram-se blocos econômicos, outras maneiras de se relacionarem economicamente, além de descentralizar o poder que um pais havia sobre o outro. As principais empresas beneficiadas dentro disso são as transnacionais.
Junto com a televisão, a rede mundial de computadores quebra barreiras e vai, cada vez mais, ligando as pessoas e espalhando as ideias, formando assim uma grande Aldeia Global. Saber ler, falar e entender a língua inglesa torna-se fundamental dentro deste contexto, pois é o idioma universal e o instrumento pelo qual as pessoas podem se comunicar.
Além desses fatores econômicos e sociais, a globalização também interfere em muitos outros aspectos culturais que pode ser notado no cotidiano. O grande fluxo de informações obtidas por meio de programas televisivos e, principalmente, pela internet, exerce influência nos hábitos alimentares (instalação de redes fast-food), linguístico (a criação de gírias e de novas formas de comunicação, principalmente pela internet), comportamentais e até de vestimenta.
Para encarar todas estas mudanças, é necessário manter-se atualizado e informado, pois a todo momento há um imenso bombardeamento de informações e novas descobertas em todos os setores, tanto na música, como na Ciência, na Economia e na Política.


3. Teorias da Globalização


Há a existência de muitas linhas teóricas que tentam explicar a origem e o impacto da globalização no mundo atual. A globalização é vista por alguns cientistas políticos como um movimento que ampliou a hegemonia econômica, política e cultural ocidental sobre os demais países; outros dizem que ela é a reinvenção do processo expansionista americano no período pós-guerra-fria com a imposição, sendo ela forçosa ou não, dos modelos políticos, ideológico e econômico.


3.1 Antonio Negri


Ele defende que a nova realidade sócio-política do mundo é definida por uma forma de organização diferente da hierarquia vertical ou das estruturas de poder "arborizadas" (partindo de uma estrutura central que se ramifica em estruturas cada vez menores).
Para o pensador, esta nova dominação é chamada de “Império” e é constituída por redes assimétricas com relações de poder que se dão mais por via cultural e econômica do que uso coercitivo de força. Negri afirma que entidades organizadas como redes têm maior força, mobilidade e são mais capazes de sobreviver do que instituições mais tradicionais da atualidade.


3.2 Mário Murteira


Ele é autor de uma das teorias científicas mais consistentes sobre a globalização e defende que houve uma maior descentralização, deixando a parte Ocidental do mundo de ser o foco na globalização, visto que é demonstrado nos dias atuais que os países do Oriente, tal como a China, são os principais atores atuais do processo de Globalização no século XXI.
De acordo com o economista, a globalização está relacionada com um novo tipo de capitalismo em que o mercado de conhecimento é o elemento principal no processo de acumulação de capital e de crescimento econômico.

3.3 Daniele Conversi


Ela acredita que ainda não há uma definição coerente e universal. Conversi analisa a 'globalização cultural' de tal forma:
  1. Concentrando-se nos efeitos políticos das alterações socioculturais, que se identificam com a 'insegurança social'.
  2. Chamada de 'falha de comunicação', a ordem mundial atual tem uma estrutura verticalizada no formato piramidal em que diversos grupos sociais têm cada vez menos oportunidades de interagir entre si de forma a manter uma boa comunicação e suas tradições. Visto dessa forma, está ocorrendo uma erosão do entendimento, sob a fachada de uma homogeneização global causando o colapso da comunicação em lugares que denotam menos influência sob o poderio de nações mais desenvolvidas, em consequência direta de uma 'americanização' superficial.
  3. Nessa linha de raciocínio, Conversi lida com a globalização de uma forma mais real: a importância crescente do movimento de populações na política internacional e no nascimento do que se chamou de 'nacionalismo de e-mail" - uma expressão criada por Benedict Anderson (1992). "A expansão da Internet propiciou a criação de redes etnopolíticas que só podem ser limitadas pelas fronteiras nacionais às custas de violações de direitos humanos".

3.4 Samuel P Huntington


Huntington enxerga a globalização como um processo expansionista da cultura ocidental e do sistema capitalista sobre as pessoas e a produção no mundo e, para ele, isso conduziria inevitavelmente a um "choque de civilizações".

4. Características do Mundo Globalizado


As características da globalização podem ser assim resumidas em:
  1. Internacionalização da produção e das finanças;
  2. Alteração na divisão internacional do trabalho, ou, antes, criação de uma nova divisão de trabalho dentro das próprias empresas transnacionais, e que a distribuição das funções produtivas não se encontrava mais concentrada em um único país, mas sim espalhadas por vários países e continentes (por exemplo, um país fabrica um componente do produto, um segundo fabrica outro, um terceiro faz a montagem e o centro financeiro e contábil da empresa fica em um quarto país);
  3. O grande movimento migratório do hemisfério sul para o norte;
  4. A questão ambiental e a sua importância nas discussões internacionais;
  5. O Estado passa de protetor das economias e provedor do bem estar social, a adaptar-se à economia mundial ou às transformações do mundo do que ela própria e a exaltação do livre mercado provocam. (Saiba mais, conheça o termo "Zona de Livre Comércio")
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Fig.3: A globalização e a principal forma de integração entre nações: a comunicação.

4.1 Capitalismo x socialismo


Como já foi dito, a globalização surgiu marcando a ascensão do modelo econômico capitalista na maioria dos países do globo terrestre e atende, principalmente, os países mais ricos. Tudo isso ocorreu pela falência do sistema socialista de economia, fazendo com que o capitalismo se tornasse predominante no mundo. A consolidação do capitalismo iniciou a era da globalização, principalmente, econômica e comercial; de forma que pudessem buscar novos mercados, tendo em vista que o consumo interno se encontrava saturado.

4.2 Blocos econômicos


A criação dos blocos econômicos foi outra mudança característica dessa nova ordem mundial que surgiu juntamente com a globalização. Hoje em dia, não há países que possuem o poder centralizado sobre os outros e, sim, um conjunto deles que possuem suas limitações dependendo do âmbito mundial em que se compreende.
Blocos econômicos representam a união de países com o interesse de fortalecer, principalmente, as relações comerciais entre eles. Essa união pode significar uma facilitação entre o transporte de produtos, pessoas, moedas e muito mais entre esses países, sendo assim, eles podem possuir diversas vantagens quando comercializam produtos entre si, podendo significar até na isenção do pagamento de taxas alfandegárias. Os que existem são: ALCA (Acordo de Livre Comércio das Américas), APEC(Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico), MERCOSUL (Mercado Comum do Sul), NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), União Europeia, CEI (Comunidade dos Estados Independentes).

4.3 Tigres Asiáticos e Pumas do Pacífico


Os Tigres Asiáticos é um grupo de países compostos por Taiwan, Cingapura, Hong Kong e Coréia do Sul que, por produzir uma grande diversidade de produtos e a baixo custo, tornou-se extremamente competitivo no mercado externo. Assim, seu nome vem exatamente dessa agressividade no mercado externo. Apesar de todos esses indicadores que esses países possuem, eles possuem uma grande falha, que é a dependência de capital externo em função de suas economias estarem baseadas apenas nas exportações.
Atualmente já surgiu um outro grupo de países com a mesma promessa: os Pumas do Pacífico. É o grupo de países compostos por México, Colômbia, Peru e Chile que se aproxima dos Tigres Asiáticospor terem uma estratégia que se provou bem-sucedida na Ásia Oriental para se integrar mais plenamente à própria Ásia Oriental. Eles são um modelo emergente para mercados emergentes e, mesmo que não sendo na mesma escala, já possuem essa agressividade característica dos Tigres no mercado.

4.4 Preocupação ecológica


A globalização trouxe consigo uma conscientização em torno do assunto ambiental diferente do passado já que ela é considerada a Era do Consumo que também trouxe muitas consequências negativas ao meio ambiente, como a contaminação de ambientes naturais.
Por muito tempo os impactos eram somente extremamente agressivos e negativos para o meio ambiente. Os interesses das corporativas capitalistas são baseados nas explorações de matérias-primas da natureza de maneira insustentável, poluindo e contaminando-o. (Saiba mais , conheça o termoEnergia Limpa)
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Fig.4: Charge de Karry, mostrando exatamente a 'norte-americanização' que o mundo sofreu com a globalização.


5. Impactos da Globalização

5.1 Comunicação


Já foi demonstrado que a comunicação foi uma das principais vertentes causadoras dessa mundialização e interligação de todas as nações do mundo: seu avanço nos últimos tempos traz uma grande facilidade para qualquer pessoa agregar conteúdo sobre os mais diferentes países, sendo isso utilizado para obter vantagens pessoais, comerciais e muito mais.

As inovações tecnológicas, principalmente nas telecomunicações e na informática, promoveram o processo de globalização. A partir da rede de telecomunicação (telefonia fixa e móvel, internet, televisão, aparelho de fax, entre outros) foi possível a difusão de informações entre as empresas e instituições financeiras, ligando os mercados do mundo.

5.2 Transportes

A melhoria dos transportes, principalmente do transporte marítimo que é onde ocorre grande parte das transações comerciais (importação e exportação), foi capaz de reduzir as fronteiras entre os países; dessa forma, desenvolvimento no fluxo comercial mundial tem como principal fator a modernização dostransportes. 
O transporte marítimo possui uma elevada capacidade de carga, que permite também a mundialização das mercadorias, ou seja, um mesmo produto é encontrado em diferentes pontos do planeta.


5.3 Cotidiano

Pela facilidade da informação e do conhecimento de culturas diferentes, isso acaba influenciando no cotidiano da maioria das pessoas. O modo de vida, costumes até os hábitos alimentares passaram por uma grande transformação e uma grande rede de influência acabou por se denotar. Muitos dizem que houve uma “norte-americanização” no mundo, mas, como o poder na globalização não é centralizado, não é algo que pode ser afirmado com tanta veemência.
Um exemplo disso é que a dieta global vem se deteriorando com o passar do tempo e muitos atribuem isso à globalização. Com o processamento de alimento ricos em açúcares, gorduras e amido, houve um crescimento em um tipo de consumo alimentar que é parcialmente responsável pela adoção de uma alimentação de má qualidade em alguns países no continente Africano e Asiático, isso se deu, em parte, devido à incorporação de costumes das dietas ocidentais.


5.4 Economia

Como já foi dito, o surgimento dos blocos econômicos foi resultado desse processo econômico e trouxe uma nova forma de ordem mundial. O impacto causado pela globalização no mercado de trabalho, nocomércio internacional, na liberdade de movimentação e na qualidade de vida da população varia a intensidade de acordo com o nível de desenvolvimento das nações e da influência que ela exerce perante a outras economias.
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Fig.5: O empresário e a facilidade que a globalização trouxe ao processo econômico externo.


6. Globalização e o Mundo Empresarial


Esse processo ocorre de diferentes modos e, assim, traz consequências singulares a cada nação: tudo depende das suas qualidades e influências que esse país exerce sobre os outros. Os países desenvolvidos são os principais beneficiados pela globalização, pois, entre outros fatores, elas expandem seu mercado consumidor por intermédio de suas empresas transnacionais.


6.1. Transnacionais

A globalização é considerada a Era das Transnacionais, pois esse fenômeno da mundialização do capital faz com que haja um grande facilitador para que elas criem suas matrizes em países desenvolvidos enquanto atuem com suas filiais e meios de produção em países subdesenvolvidos ou emergentes em que eles possuam vantagens fiscais (isenção de impostos, por exemplo) ou redução de custos em relação aos insumos (mão de obra barata, por exemplo), tudo isso visando o aumento da lucratividade e a expansão do mercado consumidor.
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Fig.6: Mundo globalizado e transnacionais no controle: bom para quem?

6.2 As empresas mais globalizadas


Uma empresa é considerada globalizada de acordo com seu faturamento superior a 1 bilhão de dólares e que tenham 10% ou 500 milhões de dólares de receitas vindas do exterior de 13 diferentes partes do mundo. De acordo com a lista de 100 empresas divulgada The Boston Consulting Group (BCG) em 2014, as chinesas são a grande maioria: 23 empresas fazem parte do levantamento. A Índia possui 18 companhias entre as mais globalizadas do mundo e o Brasil possui 13 companhias.

7. Globalização e o Brasil


A globalização no Brasil é considerada um fenômeno tardio, já que demorou para que ele conseguisse adquirir importância e força no mercado externo e entender a importância de se manter integrado dentro dessa Nova Ordem Mundial. Hoje em dia, ele é o país que mais exerce influência dentro do Mercosul e, de acordo com um artigo da revista América Economia de 2014, entre as 20 empresas latino-americanas que possuem maior influência global, 5 são brasileiras (Latam, Odebrecht, Gerdau, Vale e Marfrig). A mexicana Cemex lidera, seguida pela JBS.

Referências

PILETTI, N., PILETTI, C. História e Vida Integrada. 3 ed. São Paulo: Ática, 2009.
ARAUJO, R., GUIMARÃES, R., RIBEIRO, W. Construindo a Geografia. 2 ed. São Paulo: Moderna, 2009.
de ALMEIDA, L., RIGOLIN, T. Geografia. 3 ed. São Paulo: Ática, 2008.

sábado, 6 de julho de 2019


Serra dos Carajás





A Serra dos Carajás localizada no estado do Pará é a maior  província 
mineralógica do planeta. Abriga a maior jazida de minério de ferro explorada
do mundo. Além de ferro, ela concentra grande quantidade de manganês, cobre, ouro e níquel.Atingindo uma área de aproximadamente 
1 milhão de quilômetros quadrados, a rica região mineral abrange o sudoeste de 
estado do Pará, o oeste do Maranhão e o norte do Tocantins.
 Assim como a maioria dos terrenos ricos em minerais metálicos, a região 
da Serra dos Carajás está localizada em terrenos de origem cristalina 
(escudos e crátons). As jazidas minerais ali existentes se originaram em
rochas plutônicas, formadas a partir da solidificação do magma no interior 
da crosta.               



















Mina de extração de Ferro Carajás. Foto: T photography / Shutterstock.com

História da atividade mineradora

Foi descoberta acidentalmente em 1967 quando um helicóptero a serviço de uma mineradora estadunidense teve que realizar um pouso de emergência em uma clareira da região. O geólogo que estava à bordo notou que havia poucas árvores no local, o que poderia ser causado pela presença de minério de ferro na superfície (que impede o desenvolvimento de plantas de grande porte).
Alguns anos após a descoberta dos minérios, iniciou-se a exploração, pelo consórcio Amazônia Mineração da qual participavam a então empresa estatal Companhia Vale do Rio Doce - CVRD e a americana US Steel Corporation, no entanto a mineradora estadunidense se retirou da empreitada no final da década de 1970.
Anos mais tarde, a Companhia Vale do Rio Doce (hoje apenas Vale) estabeleceu associação com um consolidado grupo empresarial japonês. Esta parceria, trouxe novo fôlego para a continuidade do projeto de exploração mineral. O chamado Grande Projeto Carajás.
Além da extração mineral de ferro, cobre, bauxita (minério de alumínio), manganês o projeto – ao menos na proposta – prevê o investimento em atividades de reflorestamento, pecuária e agricultura.

Infraestrutura

Para a extração dos minérios, foi montada uma infraestrutura que priorizou a exportação, com a construção da Estrada de Ferro de Carajás - EFC, que interliga extrair aos terminais marítimos, da Ponta da Madeira e Itaqui, ambos no Maranhão.
A construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Rio Tocantins, no entanto, representou o efetivo impulso para a concretização e ampliação da atividade mineradora na região da Serra de Carajás. A instalação da hidrelétrica foi essencial para o projeto, uma vez que, a mineração é um ramo que possui elevado consumo de energia elétrica.

Mineração e exportações

Atualmente Carajás responde por 27% da produção nacional de minério de ferro, sendo a segunda área produtora mais importante do país, ficando atrás apenas do Quadrilátero Ferrífero no estado de Minas Gerais.
Já na produção de manganês, em que o Brasil detém a liderança mundial, Carajás responde por mais de 80% da produção nacional.
Para viabilizar o grande potencial de produção, necessário ao Projeto Grande Carajás: além de ferrovias, instalações portuárias, energia, infraestrutura urbana, entre outras, o governo brasileiro dispendeu muitos investimentos públicos, estabelecendo importante corredor de exportação de minérios para países como China, Japão, Canadá e Estados Unidos.

Extração mineral e meio ambiente

A região da Serra dos Carajás é também alvo de polêmicas envolvendo ambientalistas. Como a maior parte jazidas minerais estão localizadas em áreas cobertas por floresta, muito do que foi construído e explorado até hoje foi às custas da destruição da vegetação, solos e rios amazônicos. O desafio hoje, nesta porção do Norte brasileiro, é buscar um modelo de mineração compatível com a manutenção dos demais recursos naturais existentes na região.
Fontes:
HIRATA, W.K.; RIGON, J.C.; KADEKARU, K.; CORDEIRO, A.A.C.; MEIRELES, E.M. 1982. Geologia Regional da Província Mineral de Carajás. In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DA AMAZÔNIA, 1, Belém, Anais... SBG: v.1.
DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral - http://www.dnpm.gov.br/acervo/publicacoes
Museu de Minerais e Rochas “Heinz Ebert” UNESP - http://www.rc.unesp.br/museudpm/banco/grm.html
Novo Olhar – Geografia – 1 – Rogério Martinez e Wanessa Garcia. São Paulo: FTD, 2013.

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terça-feira, 18 de junho de 2019


Os Climas do Brasil
Existem diversas classificações climáticas baseadas no estudo da dinâmica das massas de ar, dos elementos e dos fatores do clima.
A classificação climática de Strahler pertence a uma escola climatologia chamada Dinâmica,
pois ela se baseia na dinâmica geral da atmosfera, através das massas de ar.
A classificação dos climas brasileiros proposta por Arthur Strahler, por exemplo, baseia-se nas áreas da superfície terrestre dominadas ou controladas pelas massas de ar.
Uma outra classificação, a de Wilhelm Köppen, estuda separadamente os elementos do clima. Ela baseia-se, predominantemente, na temperatura, nas precipitações e na distribuição dos valores destes dois elementos do clima durante as estações do ano.
Significado dos símbolos da classificação de Köppen
· 1ª letra – maiúscula, representa a característica geral do clima de uma região:
- A – clima quente e úmido
- B – clima árido ou semi-árido
- C – clima mesotérmico ( subtropical e temperado)
· 2ª letra – minúscula, representa as particularidades do regime de chuva:
- f – sempre úmido
- m – monçônico e predominantemente úmido
- s – chuvas de inverno
- s’ - chuvas do outono e inverno
- w – chuvas de verão
- w’- chuvas de verão e outono
· 3ª letra - minúscula, representa a temperatura característica de um região:
- h – quente
- a – verões quentes
- b – verões brandos
A classificação de Köppen, adaptada ao Brasil pela geógrafa Lísia Maria Cavalcanti Bernardes, resultou na existência dos tipos de clima que você observa neste outro mapa.
A localização da maior parte do país em zona intertropical e o predomínio de baixas altitudes são responsáveis pelas variedades climáticas quentes (médias superiores a 20º C), controladas por algumas massas de ar e frentes.
CLIMA EQUATORIAL
Domina os cerca de 5 milhões de km² da Amazônia Legal. Que corresponde a Amazônia : Acre,
Amazonas, Amapá, Rondônia, quase todo o estado do Pará ( menos a porção sudeste), o noroeste do Maranhão e do Mato Grosso e parte de Roraima. Caracteriza-se por temperaturas médias entre 24ºC e 26ºC e sendo no mês mais frio superior a 18ºC , com amplitude térmica anual de até 3 graus, chuvas abundantes (mais de 2.500 mm/ano) e bem distribuídas. A ação da massa equatorial continental (mEc) produz as chuvas locais (ou de convenção) por meio da evapotranspiração. No inverno, ocasionalmente, a região recebe frentes frias originárias da massa polar atlântica (mPa), ocasionando as friagens. A umidade
atmosférica é elevada, geralmente superior a 80%.
CLIMA TROPICAL
O clima tropical abrange quase a totalidade da área correspondente ao planalto Brasileiro, domina extensas áreas do planalto Central e das regiões Nordeste e Sudeste. Suas temperaturas são também elevadas, mas este tipo de clima se diferencia do equatorial por apresentar duas estações bem delimitadas pelas chuvas: Apresenta inverno quente e seco e verão quente e chuvoso.
As temperaturas médias são superiores a 20o C, com amplitude térmica anual de até 7 graus e precipitações de 1.000 a 1.500 mm/ano.
Mas para o Nordeste, a estação seca vai-se se tornando mais longa, efetuando-se a transição para o clima semi-árido.
No litoral oriental do Nordeste(do Rio Grande do Norte até o litoral baiano), as chuvas tornam-se
novamente abundantes, caindo predominantemente no outono e no inverno.
Por influência da latitude(mais alta) e do relevo, no Sudeste estas características sofrem algumas modificações, que dão origem ao clima tropical de altitude.
CLIMA TROPICAL DE ALTITUDE
Corresponde às áreas mais altas do relevo brasileiro, representado elevações das serras do Mar e da Mantiqueira, assim como pelo planalto que se estende ao norte de São Paulo, sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. As médias mensais de temperatura que caracterizam este clima estão entre 18º e 22ºC, com amplitudes térmicas anuais de 7 a 9 graus e precipitações entre 1.000 e 1.500 mm/ano, não existindo maiores diferenças entre o clima tropical de altitude e o tropical, pois os meses mais chuvosos, nas áreas de ocorrência deste tipo de clima, coincidem com a primavera e o verão( setembro a março) e os de estiagem, com o outono e inverno(abril a setembro) . O verão tem chuvas mais intensas, devido à ação
úmida da massa tropical atlântica (mTa). No inverno, as massas frias originárias da massa polar atlântica (mPa) podem provocar geadas com temperaturas abaixo de 0ºC.
CLIMA TROPICAL ATLÂNTICO
Atua na fachada atlântica desde o sul do Rio Grande do Norte até o sul do Rio Grande do Sul.
Temperaturas médias entre 18o e 26o C, com amplitudes térmicas crescentes à medida que aumenta a latitude. As chuvas abundantes superam 1.200 mm/ano, mas têm distribuição desigual. No litoral do Nordeste, concentram-se no outono e inverno e mais ao sul no verão.
CLIMA SEMI-ÁRIDO
O clima semi-árido caracteriza-se, predominantemente, pela escassez de chuva. Este tipo de
clima domina o sertão nordestino.
Quando ocorrem anos normais as chuvas caídas no período próprio atendem às necessidades dos habitantes. A situação torna-se calamitosa apenas quando elas deixam de cair na época devida, prolongando-se assim a estação seca.
Alias, as estiagens anormais não ocorrem somente na área compreendida pelo sertão nordestino, mas abrangem também áreas mais distantes das influências do clima semi-árido. Caracteriza-se por médias térmicas elevadas, em torno de 27º C, com extremos, como Sobral, no Ceará, com uma média mensal de 28,9' C ( em dezembro). Amplitude térmica anual em torno de 5 graus. Chuvas poucas e irregulares (menos de 800 mm/ano).
CLIMA SUBTROPICAL
Ocorre na maior parte do planalto Meridional. Predomina na zona temperada ao sul do Trópico de Capricórnio, exceto no norte do Paraná. Caracteriza-se por temperaturas médias inferiores a 18ºC, com amplitude térmica anual entre 9 e 13 graus. Nas áreas mais elevadas, o verão é suave e o inverno rigoroso, com geadas constantes e nevascas ocasionais. Muitas chuvas (entre 1.500 e 2.000 mm/ano), e bem distribuídas.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Relevo

As feições (os altos e baixos) presentes na crosta terrestre são chamadas de relevo. O relevo tem formas distintas nas terras emersas e no fundo do oceano e se desenha através da ação de vários fatores internos e externos.

Dependendo da força da ação, formam-se vários tipos de relevo, alguns mais altos, como planaltos e montanhas, e outros mais baixos, como é o caso de planícies e depressões. Os seres vivos também ajudam a esculpir o relevo e, ao mesmo tempo, dependem dele.

Formas ou tipos de relevo

O relevo terrestre é divido em continental e submarino.

Relevo continental

1) Planície – áreas extensas planas em que há mais sedimentação (acúmulo ou deposição de sedimentos) do que erosão. Áreas chatas e mais baixas, geralmente, no nível do mar. Porém, podem ficar em terras altas, como as várzeas de um rio num planalto.
2) Montanha – terrenos bastante elevados, acima de 300 metros. Podem ser classificadas quanto à origem ou idade. Podem estar isoladas ou agrupadas em serras, sistemas e cordilheiras.
3) Depressão – áreas situadas abaixo do nível do mar ou das outras superfícies planas. Tais áreas sofreram acentuados processos de erosão. Dividem-se em absolutas (quando situadas abaixo do nível do mar – altitude negativa) ou relativas (em relação às áreas mais baixas).
4) Planalto – terras mais altas que o nível do mar, razoavelmente planas delimitadas por escarpas, serras, chapadas e morros. Há mais erosão que sedimentação.

Relevo submarino

1) Plataforma continental: Fica abaixo do nível do mar onde aparecem as ilhas continentais ou costeiras, de origem vulcânica, tectônica ou biológica. Apresenta uma profundidade razoável, que possibilita a entrada de luz solar e, logo, o desenvolvimento de vegetação marinha. Com o passar do tempo, as depressões do terreno da plataforma continental tornam-se bacias sedimentares de grande importância para a exploração de petróleo no oceano. Vai de 0 a 200 metros de profundidade.
2) Talude continental: É o fim do continente, onde ocorre o encontro da crosta continental com a crosta oceânica. Grande rampa que desce abruptamente  até as grandes profundidades, indo até os 4 mil metros.
3) Região pelágica: É onde encontramos as formas de relevo submarino. 
Na região pelágica, aparecem as ilhas vulcânicas.
4) Região abissal: com mais de 4 mil metros de profundidade, é a região menos conhecida da Terra. É escura, fria e com muita pressão provocada pelo peso das águas oceânicas. Mesmo assim, alguns animais se adaptaram a esse ambiente. 

Os tipos de relevo.
O relevo terrestre é dividido em submarino e continental.

Origem e formação: os agentes do relevo

Relevo é o conjunto de formas presentes na superfície sólida do planeta. Resulta da estrutura geológica (fatores internos) e dos processos geomórficos (fatores externos). O primeiro forma a estrutura do relevo e o segundo esculpe as formas.

Agentes endógenos

Os agentes endógenos, ou internos, do relevo são processos estruturais que atuam de dentro para fora. Às vezes, vêm com muita força e rapidez, modificando o relevo. Eles acontecem por causa do movimento das placas tectônicas e dos fenômenos magmáticos. São exemplos de agentes internos: o tectonismo, o vulcanismo, os terremotos e abalos sísmicos.

Agentes exógenos

Agentes exógenos, ou externos, são aqueles que esculpem o relevo terrestre através de um processo erosivo, o intemperismo, que pode ser químico (alteração da constituição da rocha), físico (desintegração) ou biológico (ação dos seres vivos).
Há três partes do procedimento: a erosão (desgaste das rochas superficiais causado por rios, chuvas, geleiras, vento, etc.), o transporte dos sedimentos resultantes da erosão, e a sedimentação ou acumulação dos detritos que formam novas camadas rochosas.

Importância do relevo

O relevo é importante para a sociedade, principalmente no que se refere a lazer e economia. É uma fonte de lazer, pois se não fosse ele não existiria praias para se passar o verão e nem haveria montanhas para se esquiar ou para, de lá, saltar. Sua importância também é vista na economia de muitas regiões agrícolas, já que alguns produtos só podem ser cultivados em certos lugares.
Há cultivos que só podem existir em regiões em que o relevo seja propício para o aparecimento de rios. Montanhas, por exemplo, impedem a passagem de chuvas e correntes de ar, logo lá não se pode desenvolver certos plantios. Lugares que vivem de turismo podem se destacar por praias, vales, montanhas e cordilheiras. Novamente, a crosta terrestre ajuda no desenvolvimento de uma região.

Relevo brasileiro

O relevo brasileiro é constituído de diversas formas, dentre elas, “serras, planaltos, chapadas, depressões, planícies”, etc., ocasionadas, principalmente, por processos externos, como a chuva e o vento. No continente, os agentes internos não participaram da formação do relevo, mas algumas ilhas foram formadas por atividades vulcânicas no passado.
A estrutura geológica é, predominantemente, antiga, as mais recentes são da era cenozoica.
O relevo classifica-se em diversas regiões. Vários autores classificam-no de formas diferentes:
Mapa do relevo brasileiro segundo a classificação de Aroldo de Azevedo.
Classificação de Aroldo de Azevedo.
A classificação de Aroldo de Azevedo: Foi feita em 1949, por isso está um pouco desatualizada, mesmo assim continua em uso, por três fatores: a preocupação com um tratamento coerente às unidades do relevo, dando mais valor a terminologia geomorfológica; a identificação de áreas individualizadas; e a simplicidade e originalidade. Aroldo dividiu o país em:
  • Planalto das Guianas (região Norte: Amapá, Amazonas, Roraima e Pará)
  • Planalto Central (ao centro)
  • Planalto Atlântico (região leste)
  • Planalto Meridional (região Sul – Paraná e Santa Catarina – e São Paulo)
  • Planície Amazônica (Amazônia)
  • Planície Costeira (litoral)
  • Planície do Pantanal (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul)
A classificação de Aziz N. Ab’Sáber: Em 1962, Aziz dividiu o relevo brasileiro, utilizando, às vezes, fotografias aéreas. Basicamente, ele manteve a classificação de Aroldo de Azevedo, fazendo algumas modificações com base no tipo de alteração (sedimentação ou erosão) predominante. As mudanças feitas em relação à classificação foram:
  • Planalto Nordestino (parte nordeste do Planalto Atlântico, de Aroldo)
  • Planalto Leste e Sudeste (parte leste e sudeste do Planalto Atlântico)
  • Planalto do Maranhão-Piauí (nos estados do Maranhão e Piauí)
  • Planalto Uruguaio-Sul-Rio-Grandense (no Rio Grande do Sul)
A classificação de Jurandyr L. S. Ross: Divulgada em 1995, usa uma tecnologia avançada que identifica as verdadeiras dimensões das unidades de relevo. A Planície Amazônica, por exemplo, reduziu-se a 5% do que era nas outras classificações e virou Planície do Rio Amazonas. O resto virou depressões e planaltos. Já o Planalto Central foi dividido e o Meridional e das Guianas “sumiram”.
Mapa do relevo brasileiro segundo a Classificação de Jurandyr L. S. Ross.
Classificação de Jurandyr L. S. Ross.
Ele classificou em três níveis o relevo: o 1º dizia se o tipo da estrutura (planalto, planície  ou depressão); o 2º considerava a estruturação dos planaltos (ex.: sedimentar, cristalino…); e o 3º dava nome aos planaltos, planícies e depressões. 
Agora, havia 28 unidades geomorfológicas. Dentre elas, havia a dos 11 planaltos – com morros, serras, chapadas e cuestas -, com destaque para: o Planalto da Amazônia Ocidental, os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná, Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba, e Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste.
Também existia a unidade das 11 depressões – podendo ser periféricas, marginais ou interplanáticas – e a das 6 planícies, composta pelas planícies do Rio Araguaia, do Rio Guaporé, da Lagoa dos Patos e Mirim, do Pantanal Mato-Grossense, do Rio Amazonas.

Bibliografia

Marcos de AMORIM, “ Geografia geral e do Brasil”
Igor MOREIRA, “O espaço geográfico”
WILLIAM V., “Brasil – sociedade e espaço”
Jaime OLIVA, “Temas da geografia mundial”
Maria Elena SIMIELLI “Geoatlas”