terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Geografia 3° Ano - 2019 - Prof. Edson

Cartografia: a Representação do Espaço Geográfico

    1. ORIENTAÇÃO
O conceito de orientação está associado à determinação da posição do elemento no espaço geográfico e de sua relação com os pontos cardeais, colaterais e subcolaterais.
Esses pontos chaves da orientação são graficamente representados pela Rosa-dos-Rumos ou Rosa-dos-ventos.
Os sistemas de orientação terrestre evoluíram tecnologicamente na mesma proporção do crescimento populacional e da circulação de pessoas e mercadorias. Desse modo, a orientação que antes era feita apenas por meio de astros e estrelas evoluiu para bússola, astrolábio, rádio, radares e computadores de última geração.
    1. LOCALIZAÇÃO
Coordenadas Geográficas
As coordenadas geográficas foram convencionadas com base no sistema cartesiano, considerando a Terra uma esfera quase perfeita, tendo os pólos como intercessores do eixo de rotação terrestre e a linha do Equador como raio máximo da esfera.
As linhas que cruzam no sentido Norte/Sul (meridianos) e leste/Oeste (paralelos) facilitam a localização de qualquer ponto na superfície terrestre.
۞ Os paralelos são círculos imaginários traçados em igual medida, do Equador (0°) ao Pólo Norte (90°) e do Equador (0°) ao Pólo Sul (90º), sendo o Hemisfério Sul de 0° a 90° Sul e o Hemisfério Norte de 0° a 90° Norte. Os paralelos indicam a latitude de um lugar. À medida que se afastam do Equador, eles diminuem gradualmente de tamanho até se formar um ponto (pólos).
Latitude – distância em graus de qualquer ponto da Terra até a linha do Equador. (0° a 90°).
Paralelos de referência
  • Equador
  • Trópicos de Câncer e de Capricórnio
  • Círculos Polares Ártico e Antártico
۞ Os meridianos são círculos imaginários traçados perpedicularmente aos paralelos de um pólo ao outro, entrecruzando-se.
Figura p06
O meridiano inicial, ou seja 0° é denominado de Greenwich. Ao contrário dos paralelos, todos os meridianos têm a mesma medida e , oposto a eles, temos o antimeridiano, chamado de Linha Internacional de Data (180°).
Os meridianos indicam a longitude.
Longitude – distância em graus de qualquer ponto da Terra até Greenwich (0° a 180°, sendo que esse número servirá tanto para leste como para oeste).
Concluindo: Latitude ou longitude são a distância angular de qualquer ponto da Terra até o paralelo ou meridiano de referência (0°) e constituem as coordenadas geográficas.
Antípoda - Cada latitude ou longitude tem o seu antípoda (contrário – hemisfério diferente, mas o mesmo n° de graus), que deve ser localizado da seguinte forma:
- Latitude: manter a coordenada e inverter os hemisférios. Ex.: coordenada/antípoda de Belo Horizonte 20° Lat.Sul / 20° Lat. Norte
- Longitude: inverter os hemisférios e calcular o arco suplementar, que é igual a 180°. Ex.: de Belo Horizonte 44° Long. Oeste / 136° Long. Leste

Etimologia

O termo antípoda designa tradicionalmente na Europa as regiões situadas do outro lado da Terra, como a Oceania e vem do plural Antípodas. Este termo virá de uma expressão grega significando literalmente "pés opostos" (as pessoas que habitariam nos antípodas caminhariam "ao contrário"). Antípoda é um abuso de linguagem, já que o singular de antipodes é, em grego, antipous. Sobre a Terra, apenas 4% da superfície possui pontos antipodais situados ambos em terras emersas. Em 46% dos casos, ambos os pontos antipodais são situados nos oceanos, e os restantes 50% são mistos.

Pontos Antípodes
Fonte:Imagens google, 2009.
Mapa-múndi (vermelho) ao qual se sobrepôs um mapa antipodal (amarelo) a fim de fazer sobressair o antípoda de cada ponto do globo.
    1. MOVIMENTOS
Dos quatorze movimentos que a Terra executa, dois têm maior importância:
Rotação – O movimento de rotação se dá de oeste para leste, a uma velocidade variável de 1670 Km/h em aproximadamente 24h (23 horas 6 minutos e 4 segundos exatamente), no qual a terra gira em torno de seu eixo imaginário. E é em conseqüência dele que temos dias e noites em horários deferentes, o abaulamento (curvatura) da região do Equador e o achatamento polar, o desvio para oeste, verificado na circulação atmosférica e nas correntes marinhas.
Translação – É o movimento realizado pelos planetas do mesmo sistema em volta do Sol e, entre eles, a Terra, a uma velocidade de 30 Km/s, em aproximadamente 365 dias e 5 horas e 48 minutos. A cada quatro anos temos um ano chamado bissexto, para compensar as horas anuais que sobram.
O percurso da Terra nesse movimento ao redor do Sol constitui uma órbita também denominada elíptica. O eixo da Terra, linha imaginária em torno da qual nosso planeta realiza sua rotação, forma com o plano de sua órbita um ângulo de 23,5°, ao qual denominamos obliqüidade da elíptica.
Como conseqüência dessa obliqüidade e das diferentes posições que a Terra ocupa em relação ao Sol no seu movimento de translação, a iluminação e o recebimento de calor sofrem variações nos diversos pontos da superfície terrestre, proporcionando os solstícios e os equinócios. Os solstícios determinam o início do inverno e verão; os equinócios, o início da primavera e outono. Nas regiões próximas ao equador, quase não se percebem as mudanças de estação; já nas regiões temperadas, essas mudanças são muito evidentes.
  • Solstício – iluminação desigual nos dois hemisférios terrestres, ocasionando diferenças de duração entre os dias e as noites, sendo os dias mais longos no solstício de verão e as noites mais longas nos solstícios de inverno.
  • Equinócio – período em que o Sol, passando pelo Equador, ilumina igualmente os dois hemisférios; os dias são iguais às noites.
☻Curiosidade: Devido a forma elíptica da órbita da Terra, a sua distância do Sol não é igual durante o movimento de translação: Ora se afasta mais (afélio – 02 de julho), ora se aproxima mais (periélio – 02 de janeiro)
A Terra e seus 14 movimentos
Os movimentos executados pela Terra são:
  1. Movimento de Rotação. Ele se dá em torno do eixo polar, produzindo a alternância entre o dia e a noite, em aproximadamente 24 horas.
  2. Movimento de Translação. Ocorre no período de um ano, quando o planeta dá uma volta em torno do Sol.
  3. Precessão dos Equinócios. É o movimento que determina a variação do eixo polar da Terra no espaço. O período desse movimento é de aproximadamente 26 mil anos.
  4. Nutação. O movimento é parecido com o anterior, porém em escala bem menor. Também se refere à variação do eixo polar terrestre, com um ciclo de 18,6 anos, sendo causada pela força gravitacional da Lua sobre a Terra.
  5. Deslocamento do Periélio.  Que vem de peri (à volta, perto) e hélio (Sol). Refere-se ao deslocamento da posição de mínima distância entre a Terra e o Sol.
  6. Obliqüidade da Elíptica. Diz respeito à variação do ângulo entre o plano orbital da Terra e o Equador terrestre.
  7. Variação da Excentricidade Orbital. Trata-se da alteração da órbita terrestre, conforme o planeta se movimenta ao redor do Sol.
  8. Perturbações Planetárias. Referem-se às interferências gravitacionais sofridas pela Terra em seu movimento de translação, provocadas por outros planetas, principalmente Vênus e Júpter.
  9. Movimentos do Centro de Massa. O centro de massa do sistema formado pela Terra e a Lua gira em torno do Sol, e a Terra e a Lua giram em torno desse centro.
  10. Movimento em torno do Centro de Massa do sistema solar: movimento de revolução ou translação que a Terra faz em torno do centro de massa do sistema solar (centro de massa que existe entre o Sol e todos os seus planetas).
  11. Movimento de marés: trata-se da contração e descontração do globo terrestre em razão da força gravitacional da Lua e do Sol.
  12. Rotação junto com a galáxia: a Via-Láctea gira em torno de seu centro, fazendo uma volta completa em torno de 250 milhões de anos. Assim, o Sol e todos os planetas (inclusive a Terra) giram também em volta do centro da galáxia.
  13. Revolução (expansão) junto com a galáxia: como todo o universo está em expansão, nossa galáxia também viaja no espaço. Assim, a Terra e todos os demais planetas, inclusive Lua e Sol, estão se deslocando junto com a Via-Láctea.
  14. Variação dos Pólos. Os pólos geográficos da Terra variam continuamente, segundo uma série de causas: deslocamento das placas tectônicas, correntes marítimas, marés, evaporação das águas oceânicas, erosão etc.
Fonte: Masavoshi Tsuchida, astrônomo do Istituto Astrônomo e Geofísico da Universidade de São Paulo.
    1. FUSOS HORÁRIOS
O homem vem criando formas diferentes de medir o tempo, à medida que promove o avanço tecnológico. No ano 700 a.C., foi criado o relógio de Sol (na mesopotâmia); posteriormente, surgiu o relógio de água ou Clepsidra (Karnak, no Egito) e, nas áreas desérticas foi criado o relógio de areia ou ampulheta. Na Era Moderna, foram criados os relógios de corda e de ponteiro.
Porém, a hora não era unificada, e cada cidade, região ou país determinavam seu tempo. Com a velocidade das comunicações em todo o mundo, a necessidade de unificação tornou-se premente.
Em 1884, foi realizado um congresso em Washington (EUA), com a presença de 36 países, do qual resultou a adoção do sistema de fusos horários para a determinação das horas nos diferentes lugares da Terra.
Cada fuso horário é regido pela hora de seu meridiano central (7°30’), sendo que o meridiano inicial para a marcação de horas é o Greenwich Meridian, daí falar-se GMT (do inglês Greenwich Meridian Time). O fuso 0 (zero) ou de Londres vai de 7°30’ oeste a 7°30’ leste do meridiano de Greenwich, totalizando 15°.
Os fusos horários são controlados a partir do fuso Zero (Londres), considerando-se que a Terra gira de oeste para leste. Como o Sol surge antes nos lugares situados a leste, sempre que caminhamos nessa direção, as horas aumentam. Em sentido oposto, sempre que vamos para o oeste, as horas diminuem. Portanto, todos os fusos a leste de Greenwich Têm horas adiantadas; e a oeste, têm horas atrasadas. O emprego de a.m. e p.m. em relógios digitais de 12 horas, se deve ao fato da posição da localidade perante o Sol. Quando o Sol está “a pino” (12:00h) é a hora exata que o Astro está passando sobre o meridiano correspondente deste local. Daí a.m. do Latim Ante Meridium (antes do meridiano) manhã, e Post Meridium (pós meridiano) tarde.
Alguns países alteram o fuso horário para evitar problemas no comércio, bancos, meios de transporte e equacionar a vida de seus habitantes.
Para economizar energia, alguns países no verão adiantam sua hora legal, alterando ainda mais as diferenças entre os fusos.
Cálculos de Fusos Horários
(
Lembrete: Quando sobrar “resto” na divisão de fusos, basta multiplica-lo por 4 e se tem a diferença dada em minutos, porque 15° é ¼ de 1 h.
Regras básicas)
1° passo: estabelecer a distância em graus.
Hemisférios = (-)
Hemisférios = (+)
2° passo: estabelecer a diferença em horas.
Produto divide por 15°
3° observação da direção (leste / oeste)
Para leste soma
Para oeste subtrai
    1. LINHA INTERNACIONAL DE MUDANÇA DE DATA (LID)
É a linha em que se faz a mudança de data de um dia para outro e corresponde ao meridiano de 180° (que é o antípoda de Greenwich, que é 0°), portanto, enquanto em Greenwich for 12h, na Linha será 24h..
A linha Internacional de Data atravessa o Oceano Pacífico, apresentando vários desvios, para não passar por nenhum lugar habitado. Passa pelo estreito de Bering, leste da península de Kamtchatka, entre as ilhas Aleutas e Samoa, daí até o Pólo Sul.
Quando se cruza a Linha no sentido leste-oeste, subtraí-se um dia, e quando se cruza no sentindo oeste-leste acrescenta-se um dia,. Por convenção internacional, o meridiano de 180° não coincide com a Linha Internacional de Mudança de Data.
Linha Internacional de Data / Fonte: google
A primeira observação relacionada à LID ocorreu na expedição realizada por Fernão de Magalhães (1519-1522), a primeira a circunavegar o planeta. Os marinheiros sobreviventes, no retorno a Espanha, tinham a certeza de qual era o dia da semana, como confirmado por vários registros de navegação. Entretanto, os que estavam em terra insistiam que o dia era diferente. Embora possamos hoje entender o que ocorreu, o fenômeno causou grande surpresa na época, que fez com que fosse enviada uma delegação especial ao Vaticano para contar ao Papa a odisséia temporal ocorrida.
Curiosidades:
A linha de data é um argumento central no livro A Ilha do Dia Anterior, de Umberto Eco, que mostra um protagonista repousando num navio próximo a uma ilha do outro lado da Linha Internacional de Data. Incapaz de nadar, o personagem incorre em especulações físicas, metafísicas e religiosas acerca da Linha de Data.
"Meia-noite de sexta-feira, aqui no navio, é meia-noite de quinta-feira na ilha. Se da América para a Ásia viajas, perdes um dia; se, no sentido contrário viajas, ganhas um dia: eis o motivo por que o [navio] Daphne percorreu o caminho da Ásia, e vós, estúpidos, o caminho da América. Tu és agora um dia mais velho do que eu! Não é engraçado?"
Antes de Eco, o fenômeno da mudança de data foi explorado por Júlio Verne em "A Volta ao Mundo em Oitenta Dias", em que Phileas Foggre torna a Londres após uma viagem ao redor do mundo. Viajando no sentido contrário de Fernão de Magalhães, o viajante pensa estar num dia posterior à data verdadeira. Um episódio semelhante ocorre no livro "Os Vinte e Um Balões".
    1. – REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA
1.6.1 Projeções Cartográficas
Todo mapa é uma deformação, pois a Terra é uma “esfera” e o mapa é desenhado em um plano, por isso o globo é a forma que mais se aproxima da realidade.
Podemos projetar a geoide de forma plana (mapas) ou de forma esférica (o globo).
Na construção de um mapa, é necessário utilizar as projeções cartográficas, ou seja, projetar no “plano” os paralelos e meridianos da região a ser representada. À distância, a forma e os ângulos são elementos essenciais na elaboração de todos os tipos de mapas, mas nenhuma projeção consegue unir os três ao mesmo tempo, e cada uma privilegia um determinado elemento, sendo que a transferência da superfície curva para plana (dos trópicos para os pólos)é a projeção com o maior grau de imperfeição.
Tipos de Projeções
As projeções costumam ser reunidas em três tipos básicos: Cilíndricas, Cônicas e Azimutais. Essas projeções utilizam figuras geométricas que são respectivamente o cilindro, o cone e o plano.
Representação Cilíndrica:
  • Apenas o Equador tangencia a superfície e é a única linha projetada que conserva a dimensão original.
  • Paralelos e meridianos formam ângulos retos (90°) e as regiões de altas latitudes apresentam deformações.
  • Distâncias lineares.
  • Bastante utilizada na navegação e confecção de mapas-múndi.
Representação Cônica:
  • A esfera projeta-se a partir do pólo e se apresenta distorcida.
  • Só pode representar um hemisfério.
  • É muito utilizada na projeção de regiões ou países.
  • Se projetada dos pólos retrata melhor as zonas temperadas.
  • Apenas nos pontos que se tangenciam não apresenta desproporções.
  • Os países com maiores distorções são aqueles localizados próximos ao Equador.
Representação Plana Azimutal, Zenital ou Polar: Azimutes = direções
  • Projeta-se apenas um hemisfério com grandes deformações.
  • A área representada é projetada sobre um plano tangencial (o centro do mapa).
  • À medida que se afastam do ponto de tangência – o pólo- o espaçamento e as dimensões dos paralelos e dos meridianos crescem rapidamente.
  • As áreas próximas do ponto de tangência ficam bem representadas.
  • É boa para se estudar a América do Norte, a Europa e o norte da Ásia.
  • Facilita as visualizações para os mapas de linhas aéreas internacionais.
  • Ótima para mapas publicitários e geoestratégicos mundiais.
  • Umas desvantagens: as áreas distantes do ponto de tangencia ficam muito distorcidas e a região Polar Ártica fica muito deformada e a Antártida nem aparece (quando o mapa for produzido visando o Norte).
1.6.2 Classificação das Projeções Cartográficas
As projeções cartográficas devem cumprir determinadas condições, objetivando a construção do mapa ideal podendo ser classificadas em:
    1. a) Conformes: não deformam os ângulos, nem pequenas áreas (ex. formas dos continentes). Os paralelos e os meridianos se interceptam em ângulos retos.
    2. b) Equivalentes: Têm a propriedade de não deformar as áreas, conservando, quanto à área (dimensões), uma relação constante com suas correspondentes na superfície da Terra. Para conseguir a equivalência de áreas, a forma será sacrificada, sendo deformada.
    3. c) Azimutais Eqüidistante: resolvem apenas um problema, aquele que nenhuma projeção equivalente ou conforme soluciona: cartografar as direções da superfície terrestre. Apresenta a Terra como se fosse vista a grande distância. Não apresentam deformações lineares, isto é, os comprimentos são representados em escala uniforme.
    4. d) Afiláticas: também conhecidas como arbitrárias, não possuem nem uma das propriedades dos outros tipos de projeções.
1.6.3 Projeções Mais Usadas em Cartografia
1 – Mercator
Mercator, cartógrafo holandês, viveu no século XVI e utilizou a projeção cilíndrica para construir mapas da navegação, pois facilita traçar rotas em linha reta. Mas ela favorece o Eurocentrismo por ampliar as áreas do Hemisfério Norte, principalmente a Europa. Geralmente utilizada para representar mapas em livros e Atlas, é uma projeção cilíndrica de conformidade (não deforma os ângulos).
2– Projeção de Peters/Gall
Criada em 1973 pelo alemão Arno Peters, procura representar com maior fidelidade as áreas continentais e oceânicas. Em contrapartida, as formas foram sacrificadas, alongando em excesso África e América do Sul. É uma projeção cilíndrica de equivalência. Na verdade essa projeção foi criado por Gall no séc. XIX.
3- Mollweide
Projeção equivalente e não conforme, sendo apresentada em formato elíptico. Nela, as formas são menos distorcidas, mas se apresenta afilática, sendo a projeção usada em Atlas geográfico.
4- Projeção de Goode ou Interrompida
Tem o objetivo de mostrar a equivalência entre as áreas oceânicas e continentais. Os mapas mostram áreas interrompidas. Projeção afilática.
5- A Projeção de Robinson
É uma projeção não conforme e não equivalente desenvolvida por Arthur H. Robinson em 1961. É baseada em coordenadas e não em formulação matemática e foi concebida para minimizar as distorções angulares e de área. A Projeção de Robinson foi criada para melhorar as características de projeções existentes como a de Mercator. É uma combinação das situações positivas de várias outras projeções resultando em distorção mínima da maioria das massas de terra do globo.
A Antártica é bem distorcida e as massas de terra mais ao norte também sofrem distorção, mas esta projeção é considerada uma das que melhor representam o tamanho e a forma dos países e continentes.
6-Projeção de Holzel 
Projeção equivalente, seu contorno elipsoidal faz referência à forma aproximada da Terra que tem um ligeiro achatamento nos pólos.
7- Projeção Central ou Gnomônica :é a projeção de uma esfera sobre um plano tangente a partir do seu centro.A propriedade notável desta projeção é que as geodésicas (que, na esfera, são os círculos máximos) são representadas como retas.


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Materialismo histórico e materialismo dialético

"Aquilo que hoje parece uma espécie de lei natural - o crescimento econômico medido pelo PIB - é radicalmente questionado pela economia ecológica. Nem sempre o crescimento é mais benéfico que custoso para a sociedade. A partir de certo ponto, o aumento da produção e do consumo pode ser antieconômico."  -  José Eli da Veiga  -  Mundo em transe - Do aquecimento global ao ecodesenvolvimento
Ao longo de seus debates com os membros da “esquerda hegeliana” e através de suas pesquisas de economia, Marx havia chegado à conclusão de que “não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, o seu ser social que determina a sua consciência”. Ou seja, são as condições econômicas, as relações de produção, que determinam os aspectos espirituais de uma sociedade, as idéias e as instituições; a síntese do materialismo histórico. Escreve Marx no prefácio à Para a Crítica da Economia Política:
“O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu-me de fio condutor aos meus estudos, pode ser formulado em poucas palavras: na produção social da própria vida, os homens contraem relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade, relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo em geral da vida social, político e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência.” (Marx, 1974, p. 136).
A descoberta de que as condições materiais de uma sociedade condicionavam a superestrutura – a cultura, a religião, as leis, os costumes, a ciência e a tecnologia, entre outros fatores – foi muito importante nos estudos posteriores de Marx. A conclusão seguinte à qual chegou Marx é que aqueles que dominavam os meios de produção – a classe dominante – sejam patrícios romanos, nobres feudais, burgueses comerciantes ou industriais, ditavam a superestrutura, utilizando-a para perpetuar sua situação de dominação. Em outras palavras, a superestrutura é uma reprodução, sob certos aspectos, da infraestrutura.
Sobre esta análise dos aspectos materiais e espirituiais da sociedade, escreve Stalin: “O ser da sociedade, as condições da vida material da sociedade, eis o que determina as suas idéias, as suas teorias, as suas opiniões políticas, as suas instituições políticas.” (Stalin, s/d, p. 29).
Com o desenvolvimento do capitalismo, principalmente depois da 2ª Guerra Mundial, a complexidade das relações econômicas e sociais fez com que ficasse cada vez mais difícil este tipo de análise. Na década de 1960 Louis Althusser, filósofo marxista francês, ainda tentou explicar através de sua obra Aparelhos Ideológicos de Estado a maneira como a superestrutura – os aparelhos ideológicos de Estado: a família, a escola, a estrutura jurídica, a organização sindical, a cultura, entre outros – era manipulada pela classe dominante.
Hoje, no entanto a superestrutura se tornou ainda mais complexa. Em nossa moderna sociedade de consumo, baseada nas telecomunicações e na informática, como determinar qual será a influência destes instrumentos – a linguagem e as imagens digitais – sobre a superestrutura? Será que efetivamente a “classe dominante” tem real controle sobre estes meios, sobre esta superestrutura? Ainda quanto a isso, o que nos mostraram as recentes revoluções no mundo árabe?
 O materialismo dialético de Marx é baseado na dialética de Hegel. Para este, todo o processo do “ser” continha três “momentos”, que Marx transformou em três “fases” do processo de perpétuo desenvolvimento da matéria e do desenrolar histórico: a tese, a antítese e a síntese. Marx por assim dizer inverteu a dialética hegeliana e a apontou para o mundo material, histórico. A dialética materialista não é um processo mental (do espírito), idealista, como o via Hegel, mas um processo inerente à natureza e ao devir histórico. Sobre este ponto escreve Henri Lefebvre:
“O método é assim a expressão do devir em geral e das leis universais de todo o desenvolvimento: essas leis são abstractas em si mesmas, mas reecontram-se sob formas específicas em todos os conteúdos concretos. O método parte do encadeamento lógico das categorias fundamentais, encadeamento pelo qual se encontra o devir de que elas são a expressão concentrada.” (Lefebvre, s/d, p. 95)
Materialista, Marx não seguia o “materialismo vulgar” (como o chamava Engels); o materialismo mecanicista e metafísico dos iluministas franceses, da esquerda hegeliana ou de Feuerbach, entre outros. Marx havia descoberto uma dinâmica, que se aplica aos fatos históricos e à natureza.
O materialismo dialético foi fortemente propagado por Friedrich Engels, em obras como Anti-Dühring (1877) e A dialética da natureza (1870), onde deu ao materialismo dialético um caráter filosófico, aplicando-o às várias ciências e quase o transformando em uma metafísica disfarçada. Depois da Revolução Russa, na União Soviética, o materialismo dialético acabou transformando-se no “Diamat”, instrumento de análise e de verificação da ortodoxia marxista nas ciências sociais e naturais.
Atualmente a maioria dos filósofos não-marxistas considera o materialismo histórico e o materialismo dialético como idéias filosóficas, com pouco ou nenhuma fundamentação científica, comparáveis às teorias psicanalíticas de Freud.
Bibliografia:
LEFEBVRE, HENRI. O materialismo dialético. Alfragide (Portugal). Edições Acrópole: s/d, 160 p.
MARX, KARL. Manuscritos Econômico-Filosóficos e outros textos escolhidos in Os Pensadores. São Paulo. Abril Cultural: 1974, 413 p.
REALE, GIOVANNI, ANTISERI, DARIO. História da Filosofia Vol. III. São Paulo. Paulus Editora: 1991, 1113 p.
STALIN, JOSEPH. Materialismo dialético e materialismo histórico. São Paulo. Global Editora: s/d, 63 p.
(Imagens: fotografias de Jindrich Styrsky)

segunda-feira, 16 de abril de 2018

AULA DE GEOGRAFIA - INDÚSTRIA NO BRASIL

Vamos continuar a estudar a economia brasileira tratando nessa aula do setor secundário ou industrial brasileiro. Você deve conhecer a evolução histórica de nossa indústria, sua distribuição geográfica e o perfil atual desse setor.
Número de empregos por gêneros da indústria
(mercado formal)
DISCRIMINAÇÃO    1996       1998          2000
Indústria                 6.362.984     5.881.547     5.945.628
Extrativa Mineral   117.289        112.904        115.281
Construção Civil    1.121.580 1.070.875 956.106
Indústria de Transformação 4.761.276 4.367.009 4.574.771
Classificação
O setor industrial de transformação pode ser classificado quanto ao tipo de indústria. Assim, podemos falar em:
*indústria de base – é aquela que vai produzir para outros setores
industriais. Podemos aí incluir o setor pesado como a siderurgia, a química e os de equipamentos e máquinas como a mecânica e metalúrgica.
*indústria de bens de consumo – produz diretamente para o consumidor final. Pode ser subdividida em durável (consumo e/ou reposição de longo prazo) como a automobilística, eletro-eletrônicos, e não-durável (consumo e/ou reposição de curto prazo) como a têxtil e alimentícia.
Localização das indústrias
A concentração das indústrias em determinados lugares depende de
certos fatores que passamos a analisar abaixo:
*proximidade de matérias-primas – é mais importante no caso de setores industriais que lidam com grandes volumes de matéria-prima, como o setor pesado. A siderurgia, por exemplo, necessita de grandes quantidades de ferro e manganês. Essa proximidade reduz o custo com o transporte e garante maior eficiência na continuidade das atividades desenvolvidas pela empresa.
*oferta de energia – um dos insumos mais importantes para o setor
industrial é a energia. Determinados setores consomem muita energia, como a indústria de base. A siderurgia requer o uso do carvão mineral, a indústria que produz alumínio requer muita energia elétrica. A não interrupção do fornecimento da energia é um fator essencial para a sobrevivência dessas empresas e, em alguns casos, o custo final de seus produtos é fortemente influenciado pelo custo da energia.
*mão-de-obra disponível – isso explica o porque das indústrias
concentrarem-se em áreas urbanas onde podem contar com essa oferta de mão-de-obra. Evidentemente, alguns setores requerem mão-de-obra mais qualificada e procuram cidades onde existam centros universitários e de pesquisa.
*mercado consumidor – no caso das indústrias de bens de consumo, a proximidade do mercado consumidor reduz o custo final do produto no varejo pelo menor custo do transporte até os pontos de venda. Grandes concentrações urbanas atraem mais indústrias que, assim, podem ficar próximas de um grande mercado consumidor.
*boa rede de transportes – essencial para garantir a circulação das
matérias-primas, da energia e do produto acabado. A saturação dos
transportes em algumas áreas urbanas tem afugentado algumas empresas desses locais.
Além desses fatores é claro que precisamos lembrar de políticas de
fomento ao desenvolvimento industrial incluindo isenções de impostos e facilidades para exportação. Assim como é importante também entender que o elevado custo da mão-de-obra, movimento sindical forte e problemas como enchentes, espaço físico disponível (para uma eventual expansão) e falta de segurança motivam indústrias a procurarem novos locais para sua instalação.
Breve histórico
Vamos fazer uma análise histórica do desenvolvimento do setor industrial no Brasil. Inicialmente precisamos lembrar que durante o período colonial o Brasil sofreu fortes restrições por parte da Coroa portuguesa que impedia a instalação de indústrias em nosso país que concorressem com sua produção ou que ferissem seus interesses comerciais na Europa e no Mundo. Mesmo após a independência o desenvolvimento industrial foi seriamente limitado pelas relações comerciais com os ingleses, maior potência da época. Em 1844, com a adoção de tarifas protecionistas mais elevadas, o Império começa a tomar medidas para promover o desenvolvimento do setor industrial no Brasil. Outros fatores trouxeram contribuição ou foram muito relevantes nesse desenvolvimento:
*cafeicultura – foi responsável pela atração dos imigrantes. Parte deles fixou-se em áreas urbanas constituindo a mão-de-obra assalariada para a indústria e, ao mesmo tempo, mercado consumidor. Além disso, a cafeicultura permitiu um acúmulo de capitais, mais tarde aplicado em atividades diversificadas, no setor bancário e industrial, e contribuiu para a expansão da rede ferroviária e melhoria das instalações portuárias, melhorando a rede de transporte.
*as Guerras Mundiais – durante as Guerras Mundiais, com a dificuldade de manter o comércio importador com a Europa, procura se desenvolver aqui no Brasil uma industrialização para substituição dos produtos importados e atender o mercado consumidor interno.
*governos de Getúlio Vargas – a crise na cafeicultura, as mudanças
políticas do período Vargas (substituição de uma oligarquia exportadora pela burguesia urbana e industrial) desviam os investimentos para o setor secundário. Impulsiona-se a indústria de base com a criação da CSN (Companhia Siderurgia Nacional), em 1946 e da PETROBRAS em 1953. Também após o término da Segunda Guerra Mundial as importações de equipamentos industriais apresentam um aumento o que indica uma fase de crescimento nesse setor.
*governo de JK – através do Plano de Metas ampliam-se os investimentos na infraestrutura necessária para o desenvolvimento da indústria (energia, rede de transportes). Começa a aumentar a participação do Estado em setores estratégicos como energia, mineração, transportes e criam-se estímulos para a atração dos investimentos estrangeiros tanto no setor pesado como na indústria de bens de consumo duráveis (automobilística).
*governos militares – trata-se de uma fase que alterna períodos de
estagnação e recessão com outros de forte crescimento (como no milagre brasileiro entre 1969 e 1973). Amplia-se a diversificação da indústria no Brasil. Adota-se uma política de incentivos às exportações, continua a atração do capital estrangeiro setores de tecnologia mais avançada começam a mostrar uma maior evolução (setor aeronáutico, bélico, nuclear e espacial). A política salarial adotada é prejudicial aos trabalhadores e o modelo econômico que é seguido leva a maior concentração de renda no período.
*redemocratização e década de 1990 – fase em que a economia
globalizada toma força e políticas econômicas neoliberais. Progressivamente há uma abertura do mercado interno brasileiro, até então muito protegido, o que eleva as importações e confirma-se a falta de competitividade do setor industrial brasileiro no mercado externo. Para competir, ou sobreviver, esse setor empreende uma rápida evolução tecnológica, empreende esforços pela qualidade e pela redução de custos, o que provoca um aumento do desemprego e falência ou venda de muitas empresas incapazes de enfrentar essa nova realidade. Ao mesmo tempo, as necessidades de diminuir o tamanho do Estado e de seus gastos (incapaz até mesmo de atuar com eficiência em setores essenciais para a sociedade) levam ao desenvolvimento de uma política de privatização de empresas estatais, como no setor siderúrgico (processo que leva, ao mesmo tempo, a uma capitalização para fazer frente ao pagamento de obrigações financeiras). Desenvolvem-se reformas no Estado, como no setor previdenciário. É criado o Mercosul que, por um lado, expande o
mercado de consumo para a produção industrial brasileira e, por outro, aumenta a concorrência com as indústrias de nossos vizinhos.
Apesar de tudo, chega-se ao final do século XX e início do século XXI com a certeza de que o Brasil ainda precisa definir uma política industrial que permita um fortalecimento das empresas nacionais, maior criação de empregos, estímulos para o setor exportador, além da continuidade do processo de fortalecimento das indústrias para aumentar sua qualidade e competitividade.
Distribuição geográfica das indústrias
Observa-se uma tendência à maior dispersão geográfica desse setor nos últimos quinze anos, mas ainda é forte a concentração na Região Sudeste.
Podemos destacar:
*Região Sudeste – as maiores concentrações industriais se encontram nas Regiões Metropolitanas de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Destacam-se também a Baixada Santista (Cubatão), o Vale do Paraíba, a Região de Campinas e crescimento do setor na Região de Vitória, Triângulo Mineiro, além de várias cidades no oeste paulista e sul de Minas Gerais;
*Região Sul – são importantes as Regiões Metropolitanas de Curitiba e Porto Alegre, além do Vale do Itajaí (SC) e Serras Gaúchas;
*Região Nordeste – as maiores concentrações industriais estão em suas regiões metropolitanas: Salvador, Recife e Fortaleza;
*Região Norte – é pouco industrializada destacando-se a Zona Franca de Manaus e a Região de Belém;
*Região Centro-Oeste – possui um modesto setor industrial sem a formação de grandes centros. As indústrias encontram-se espalhadas pelas principais cidades da Região.
Destaques no setor industrial
Passamos a analisar sucintamente alguns setores industriais de maior destaque no Brasil e que, historicamente, tem se mostrado serem os mais importantes ou pelo valor da produção ou pelo número de empresas e de funcionários. Observa-se recentemente maior aquecimento em setores como o de papel e papelão (embalagens – o que parece ser um sinal de aquecimento da economia), além dos setores de borracha, metalúrgico e têxtil.
*Siderurgia – o Brasil está entre os dez maiores produtores de aço no mundo iniciando maior desenvolvimento a partir da entrada em funcionamento da CSN em 1946, no município de Volta Redonda – RJ. A maior parte das siderúrgicas brasileiras concentra-se no Sudeste devido à proximidade do ferro e manganês do Quadrilátero Ferrífero - MG, da boa rede de transportes (ferrovias, proximidade de portos) e do mercado consumidor (representado pelas indústrias que consomem o aço). 
Podemos destacar:
-MG : USIMINAS, ACESITA e Belgo-Mineira;
-RJ : CSN (Companhia Siderúrgica Nacional);
-SP : COSIPA (Companhia Siderúrgica Paulista);
-ES : CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão).
Esse setor já foi privatizado. Busca nesse período a modernização e
eficiência para aumentar sua competitividade. A produção e os lucros cresceram mas enfrenta-se no mercado externo um duro protecionismo no Primeiro Mundo (EUA) que estabelece taxas e quotas para a compra do aço brasileiro. Também melhorou a qualidade do aço produzido após a privatização, assim como a diversificação de produtos fabricados pela siderurgia no Brasil.
Produção Mundial de Aço Bruto - Em Milhões de Toneladas
Nº de
Ordem País 1991 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001
01 China 71,0 92,6 95,4 101,2 108,9 114,6 124,0 127,2 148,9
02 Japão 109,6 98,3 101,6 98,8 104,5 93,5 94,2 106,4 103,0
03 Estados Unidos 79,7 91,2 95,2 95,5 98,5 98,7 97,4 101,8 90,1
04 Rússia ... 48,8 51,6 49,3 48,5 43,8 51,5 59,1 57,5
05 Alemanha 42,2 40,8 42,1 39,8 45,0 44,0 42,1 46,4 44,8
06 Coréia do Sul 26,0 33,7 36,8 38,9 42,6 39,9 41,0 43,1 43,9
07 Ucrânia ... 24,1 22,3 22,3 25,6 24,4 27,5 31,4 33,1
08 Índia 17,1 19,3 22,0 23,8 24,4 23,5 24,3 26,9 27,3
09 BRASIL 22,6 25,7 25,1 25,2 26,2 25,8 25,0 27,9 26,7
10 Itália 25,1 26,2 27,8 23,9 25,8 25,7 24,9 26,7 26,5
*Química – setor que ainda promove uma abertura e modernização. Sua produção também é crescente com grande destaque para o setor petroquímico. A entrada do capital estrangeiro nesse setor e a quebra do monopólio da PETROBRAS trazem a perspectiva de grande aumento da produção e de aumento dos investimentos. Outro destaque é a produção de adubos e fertilizantes. Reúne ainda as produções de cosméticos e perfumaria.
Permanecem ainda problemas na Química Fina que envolve uma tecnologia mais avançada como no setor químico-farmacêutico.
*Automobilística – inicialmente com forte concentração na região do ABC, a partir dos anos 70 inicia uma maior dispersão geográfica deslocando-se para Betim – MG (FIAT) e Vale do Paraíba nos anos 80 (Taubaté e São José dos Campos). As mudanças empreendidas na década de 90 alteram bastante o perfil desse setor. A abertura do mercado interno provocou a necessidade de produzir um automóvel de melhor qualidade. Posteriormente, a entrada de novas montadoras (como a Renault, Peugeot, Toyota, Mitsubishi e Audi)
diversifica a oferta de produtos e aumenta a produção. O Brasil começa a se tornar uma plataforma de produção para vendas não só no mercado interno mas também para exportação. O baixo nível de renda no país, a ausência de estímulos mais eficazes para o setor exportador e a ocorrência de crises no país ou importadas de outros, ainda tem provocado instabilidades no setor com quedas na produção e nas vendas. Trata-se também de uma indústria que atualmente poupa mão-de-obra e terceiriza muitas etapas da produção.
Geograficamente, apresenta maior dispersão pelo território mas ainda concentrada na Região Sudeste onde é maior o mercado consumidor.
1996 1998 2000
0
1
2
3
4
Milhares
exportações importações
Exportações e importações de veículos
milhões US$
Balança comercial brasileira de autoveículos – em unidades
1999 2000
Discriminação Export. Import. Saldo Export. Import. Saldo
Ônibus 1.396 10.646 -9.250 1.356 16.828 -15.472
Automóveis 232.265 154.809 77.456 328.363 167.251 161.112
Caminhões 9.336 1.424 7.912 12.809 631 12.178
Total 242.997 166.879 76.118 342.528 184.710 157.818
Nº de
Ordem País 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000
01 Estados Unidos 10.876 12.254 12.065 11.859 12.158 12.003 13.025 12.800
02 Japão 11.228 10.554 10.196 10.347 10.975 10.050 9.895 10.144
03 Alemanha 4.032 4.356 4.667 4.843 5.023 5.727 5.688 5.527
04 França 3.156 3.558 3.475 2.391 2.580 2.954 3.180 3.348
05 Coréia do Sul 2.050 2.312 2.526 2.813 2.818 1.954 2.843 3.115
06 Espanha 1.768 2.142 2.334 2.412 2.562 2.826 2.852 3.033
07 Canadá 2.248 2.321 2.420 2.397 2.257 2.173 3.059 2.964
08 China 1.162 1.351 1.435 1.470 1.580 1.628 1.830 2.069
09 México 1.097 1.123 937 1.226 1.360 1.453 1.550 1.935
10 Reino Unido 1.569 1.695 1.765 1.920 1.936 1.976 1.973 1.814
11 Itália 1.277 1.534 1.667 1.545 1.828 1.693 1.701 1.738
12 BRASIL 1.391 1.581 1.629 1.804 2.070 1.586 1.357 1.691
*Têxtil – apresenta maior crescimento após a Segunda Guerra Mundial mas, obsoleta nos anos 80, passa a enfrentar sérias dificuldades com a progressiva abertura do mercado interno, especialmente durante os anos 90 com a entrada do produto asiático que utiliza uma mão-de-obra muito barata. Essa mesma abertura facilita o re-equipamento desse setor com a compra de novas máquinas. Promove-se também uma modernização administrativa e na produção. Várias indústrias têxteis não suportaram o quadro decorrente dessa abertura e fecharam as portas nos anos 90. As que sobreviveram parecem estar mais competitivas. A indústria têxtil dissemina-se por todo o país com maior concentração nas Regiões Sudeste e Sul.
*Alimentícia – a produção brasileira é muito diversificada, de boa qualidade e conta com a presença de algumas grandes multinacionais. Também se encontram bastante dispersas pelo território com maior concentração no Sudeste e no Sul (maior mercado consumidor, não só na quantidade mas também observando-se o nível de renda da população). É um setor com fortes ligações com a agropecuária preocupando-se com a procedência da matéria-prima (regularidade na quantidade e qualidade) e, assim, acaba por influenciar muito a vida do produtor rural. A exportação de alimentos industrializados tem apresentado crescimento. Essa indústria reúne o setor do açúcar, leite e derivados, óleos vegetais, massas, bebidas (como sucos, refrigerantes, vinho e aguardente), carne e derivados, doces, chocolate, sorvete e outros.
1995 1996 1997 1998 1999 2000
110
112
114
116
118
120
122
124
Níveis de produção industrial - número índice
Observe que, apesar do aumento dos níveis de produção industrial na década de 1990, o número de empregos na indústria de transformação decaiu. É uma indústria, atualmente, que procura poupar mão-de-obra, reduzir custos e aumentar sua eficiência e qualidade.
1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000
4300
4400
4500
4600
4700
4800
4900
5000
5100
Nº de empregos na ind. de transformação (mercado formal - em milhares de empregados) Saiba mais na Internet
*Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior: http://www.mdic.gov.br/
*Fiesp: http://www.fiesp.org.br/
*Política industrial, privatização e atualidades:
http://www.planalto.gov.br/publi_04/COLECAO/NOVPOLI1.HTM
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/241/economia/241_50_anos_brasil_industrial.htm
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/240/economia/240_sera_ac htm
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/04/07/eco024.htl
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/02/07/eco028.htl
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/04/02/eco040.htl
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/03/10/eco018.htl
Exercícios
1- (VUNESP) Um pólo de inovação tecnológica pode ser definido em função de sua capacidade criativa, de reciclagem e de difusão de tecnologia de ponta. Tecnopólo é a denominação atribuída à cidade que reúne as principais características de um pólo de inovação tecnológica. Assinale a alternativa que apresenta três cidades paulistas que, na atualidade, reúnem tais características:
a) Santos, Sorocaba e Taubaté
b) São Carlos, São José dos Campos e Campinas
c) Limeira, São Carlos e Ribeirão Preto
d) Santo André, São José do Rio Preto e Presidente Prudente
e) São José dos Campos, Lorena e Campinas
2- (FUVEST) As afirmações abaixo apontam algumas tendências da nova lógica de localização industrial.
I – Distribuição dos estabelecimentos industriais das empresas em diferentes localidades de tradição manufatureira.
II – Separação territorial entre processo produtivo e gerenciamento
empresarial com a reintegração de ambos por intermédio de redes
internacionais.
III – Desconcentração da atividade industrial e emergência de novos espaços industriais, estruturando redes globalizadas.
IV – Concentração territorial da indústria dependente de fontes de energia e matéria-prima.
Está correto apenas o que se afirma em:
a) I e II
b) I e III
c) II e III
d) II e IV
e) III e IV
3- (PUC-RIO) Nas últimas décadas, vem ocorrendo no Brasil uma tendência de desconcentração industrial em direção às regiões periféricas. Observa-se também uma concentração de investimentos nas áreas já mais dinâmicas e competitivas do país, devido à presença dos fatores locacionais exigidos pelos setores de produção mais modernos e de tecnologia avançada. Entre esses fatores, podemos destacar os abaixo apresentados, exceto:
a) matérias-primas industriais
b) mercado consumidor de alta renda
c) infraestrutura de telecomunicações
d) proximidade dos parceiros do Mercosul
e) centros de produção de conhecimento de tecnologia
4- (UNOPAR) As cidades de Volta Redonda (RJ) e Camaçari (BA) destacam-se, respectivamente, na concentração de indústrias:
a) siderúrgicas e alimentícias
b) alimentícias e petroquímicas
c) eletroeletrônicas e de calçados
d) siderúrgicas e petroquímicas
e) eletroeletrônicas e têxteis
5- Caracterize a concentração industrial na Região Central de Minas e no Vale do Paraíba (SP):
Respostas
1- B
2- C
3- A
4- D
5- A região central de Minas destaca-se pela concentração siderúrgica e metalúrgica devido à proximidade da extração de ferro e manganês do Quadrilátero Ferrífero, além da indústria petroquímica e automobilística em Betim, na Grande Belo
Horizonte. O Vale do Paraíba reúne indústrias de bens de consumo (ex: automobilística), de base (ex: petroquímica) e de tecnologia de ponta (aeronáutica, bélica, espacial – em São José dos Campos).