domingo, 26 de abril de 2015

O REINO DE CUXE
Grande civilização ao sul do rio Nilo.
A Núbia:
• A região da Núbia se localizava ao sul do território do Antigo Império egípcio. A civilização Núbia se desenvolveu onde hoje se encontram o Egito e o Sudão.
• Assim como o Egito, o desenvolvimento econômico e social núbio estava diretamente relacionado com o rio Nilo, principal meio de obtenção de água e fertilização das terras, além de ser fundamental no estabelecimento de rotas comerciais com povos do norte (egípcios, assírios, asiáticos...) e povos do sul da África.
• O nome Núbia faz referência a uma das grandes riquezas deste povo, a exploração do ouro. O termo Nub, em hieroglífico, significa ouro, daí o nome Núbia, a terra do ouro.
• A Núbia se constituiu como um grande centro comercial onde circulavam egípcios, povos do mediterrâneo (gregos, assírios, hebreus...) e povos do sul da África.
• A região foi ocupada por povos predominantemente negros, daí a denominação grega de Etiópia: Terra dos faces queimadas.
Localização geográfica da Núbia.

Fotografia atual de navegação no rio Nilo. Disponível em

 O Reino de Cuxe:
• O Reino de Cuxe se desenvolveu entre os séculos XX a.C e IV d.C.
• O Reino de Cuxe se desenvolveu social, econômica e politicamente através de contatos constantes com outros povos, principalmente os egípcios, assírios, aksunitas e outros povos do sul da África. Estes contatos influenciaram a formação cultural deste reino.
• A prática comercial com tantos povos diferentes proporcionava uma troca cultural intensa entre os cuxitas e outros povos. O comércio também proporcionava um desenvolvimento econômico intenso deste reino.
• O Reino de Cuxe contava com grandes cidades, as principais foram: Kerma, Méroe e Napata.

Ruínas da Antiga cidade de Kerma.

Ilustração da cidade de Napata.
Disponível em:


 Ruínas da cidade de Méroe.
Disponível em http://www.uploadimages4free.com/upload/big/black_pharaos_meroe_sudan-2245.jpg


 Política:
• O Reino de Cuxe, foi governado por reis que eram lideres políticos e militares. Estes reis governaram um vasto território, cuja prosperidade resultava do controle das principais rotas comerciais às margens do rio Nilo.
• Durante séculos a região foi dominada pelo Faraó egípcio, sendo considerado um território do antigo Império do Egito. As relações entre os dois reinos, Cuxe e Egito, eram conflituosas, devido a interesses econômicos e políticos.
• A XXV Dinastia egípcia é composta por reis núbios, que governaram tanto o Egito quanto Cuxe.
• A administração do Reino de Cuxe ficava a cargo de funcionários reais, responsáveis pela coleta de impostos, pelos governos das cidades e regiões dominadas por este reino.

 Estátuas do exército cuxita Disponível em
http://realhistoryww.com/world_history/ancient/Images_Egypt/nubian_soldiers.jpg

 Coluna de Taharca (templo de Karnak), Faraó Cuxita que governou o Egito entre 690 a 664 a.C.
 Estátua do faraó Taharca. Disponível em

Candaces:
• Candace é um título derivado da palavra meroíta KTKE ou KDKE, cujo significado é rainha-mãe.
• As mulheres núbias da Antiguidade também desempenhavam papéis relevantes na vida política de seu povo. Existem vários indícios de que as mulheres de sangue real desempenhavam várias funções e ocupavam cargos de liderança no reino. Dentre essas funções destacava-se o papel das sacerdotisas do Templo de Amon e o cargo de rainha-mãe ou candace.
• O reino de Cuxe foi governado por várias Candaces. Ser candace era ocupar-se da administração civil, do comércio, dos exércitos, da religião e estabelecer relações diplomáticas com os reinos vizinhos.

Mural representando Candace Amenirdis I
Candace Amenirdis I. Disponível em
                                                                                                                                   Economia:
• A economia cuxita se desenvolveu através de atividades econômicas diversas. Dentre as principais podemos destacar:
• Mineração: a exploração de ouro e pedras preciosas no Reino de Cuxe atraiu comerciantes de várias partes do mundo antigo e tornou a região um grande centro comercial do Nilo. Além do ouro os cuxitas exploração o ferro, que os permitia produzir armas e ferramentas mais eficientes.
• A agricultura: Desenvolveu-se o cultivo de sorgo, trigo, lentilha, melão, pepino, tâmaras, dentre outro gêneros, graças à fertilidade e oferta de água do rio Nilo.
• Pecuária: O pastoreio era uma atividade fundamental para a economia cuxita, aproveitando-se das planícies e pastagens comuns na região.
• Artesanato e produção ceramista: a produção de artigos de peles de animais e plumas e a produção de joias tornou a região um grande centro de produção artesanal, além da cerâmica, extremamente ornamentada e famosa em diversas regiões do mundo antigo.
• Comércio: O comércio foi a principal atividade econômica cuxita, responsável pelo enriquecimento cultural, material, político e social do reino de Cuxe.

 Shaduf:
• Instrumento de irrigação desenvolvido por agricultores cuxitas no século XV a.C e fundamental para a irrigação de terras áridas no interior do território do Reino de Cuxe.
O sistema consistia em retirar água do rio Nilo, através de um balde, e represá-la em canais de irrigação, que a levavam para locais mais secos, permitindo o cultivo nestas regiões.
Ilustração do sistema Shaduf.
Utilização atual do Shaduf. Disponível em
        
 Sociedade:
• A sociedade cuxita, assim como outras sociedades antigas, foi marcadamente hierarquizada. Existiam vários grupos sociais responsáveis por diferentes funções sociais e ocupando diferentes posições de prestigio social e poder político. Os nobres eram responsáveis pela liderança da sociedade e detinham grande parte da riqueza produzida. Comerciantes e artesãos eram responsáveis pelas atividades econômicas desenvolvidas nas cidades e camponeses se voltavam para a produção agropecuária.
• Além destes grupos aa sociedade cuxita também se utilizava de escravos, responsáveis por atividades econômicas diversas e obtidos em guerras, prisioneiros.
  Cultura:
• O Reino de Cuxe criou, através de contatos com diversos povos, de culturas diferentes, uma cultura especifica e muito rica.
• Os principais contatos e trocas culturais cuxitas ocorreram com o Egito, devido a proximidade entre os dois reinos. Estes contatos marcaram e enriqueceram as duas culturas.
• A arquitetura, artes plásticas, escrita e costumes dos dois povos foram formados a partir destes contatos culturais.  
 Escrita Meroíta:
• Quando aconteceu o domínio da Núbia sobre o Egito, um idioma diferente do egípcio começou a surgir, ficando conhecido como meroíta. O idioma egípcio, praticamente desapareceu e não mais foi usado para se fazer as inscrições nos túmulos e monumentos cuxitas. Sob a influência de idiomas africanos, os hieróglifos foram, pouco a pouco, sendo substituídos e dando forma a uma escrita cursiva, a escrita meroíta.
• Esta escrita ainda não foi totalmente decifrada, sendo ainda hoje objeto de pesquisas e estudos por parte de historiadores e arqueólogos. 

 Escrita Meroíta. Disponível em

Religião:
• Os antigos núbios, assim como os egípcios, eram politeístas e praticamente cultuavam as mesmas divindades. Um mesmo deus podia ter nomes e aparências variadas, conforme a região ou período histórico. Alguns destes eram representados com formas humanas. Outros, porém, eram antropomorfos. Era comum a adoração de animais, dentre eles: o gato, o crocodilo, o carneiro, o leão, o elefante e outros.
• A tradição egípcia da mumificação e construção de monumentos funerários (Mastabas, Pirâmides, Hipogeus) foi adotada no Reino de Cuxe.

Deus Apedemak (Leão) conduzindo outros Deuses núbios.
Mural representando o Deus Leão, Apedemak. Disponível em
 
 Templos:
• Os estilos da arquitetura e da escultura religiosa do reino de Cuxe foram bastante influenciados pelos modelos egípcios, considerando a influência cultural que predominava nessa região, quando do período em que o Egito exercia controle sobre a Antiga Núbia.
Ruínas do Templo de Amón, em Djebel Barkal. Disponível em

 Necrópole de Nuri Disponível em

                          
Referências Bibliográficas:
• BRAICK, Patrícia Ramos. Estudar História: das origens do homem à era digital. 1 edição. São Paulo: Moderna,2011.
• CUNHA, Sônia Ortiz; GONÇALVES, José Rollo. Cuxe: O resgate histórico de um antigo reino Núbio. Disponível em
 Acessado em 05/05/2014, às 20:07 horas.

• LECLANT, J. O Império de Kush: Napata e Méroe. In:MOKHTAR, Gamal (org.). História geral da África: África Antiga. 2 edição. Brasília: UNESCO, 2010, Volume 2.                                                                                                                                                                                    

Nenhum comentário:

Postar um comentário