quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Aula 09 - Brasil colonial - História 2º E.M. -M,T,N.

Administração e Economia

O período colonial brasileiro pode ser dividido em período pré-colonial
e período colonial.

1.PERÍODO PRÉ-COLONIAL (1500/1530)
Fase caracterizada por uma certa marginalização de Portugal em
relação ao Brasil. O interesse português neste momento era o comércio
com as Índias. Ademais, os portugueses não encontraram na área
colonial - de imediato - produtos lucrativos. À exceção do pau-brasil,
que seria extraído pelos indígenas.
Neste período a Metrópole realizou algumas expedições no litoral
brasileiro, sem fins lucrativos ou colonizadores.
Em 1501, sob o comando de Gaspar de Lemos, chegou uma
expedição com o objetivo de reconhecimento geográfico.
Em 1503, uma nova expedição, sob o comando de Gonçalo
Coelho; prosseguiu o reconhecimento da nova terra. O navegador
italiano Américo Vespúcio acompanhava as duas expedições.
Além destas expedições de reconhecimento da nova terra,
Portugal enviou outras duas expedições - em 1516 e 1526 - com
objetivos militares. Foram as chamadas expedições guarda-costas,
comandadas por Cristóvão Jacques, com a missão de aprisionar navios
franceses e espanhóis, que praticavam o contrabando no litoral
brasileiro.
Estas expedições contribuíram para a fixação - em solo brasileiro -
dos primeiros povoadores brancos: degredados, em sua maioria.

2. PERÍODO COLONIAL (1530/1822)
O início da colonização brasileira é marcada pela expedição de
Martim Afonso de Souza, que possuía três finalidades: iniciar o
povoamento da área colonial, realizar a exploração econômica e
proteger o litoral contra a presença de estrangeiros.
Para efetivar o povoamento, Martim Afonso de Souza fundou a vila
de São Vicente, em 1532 e o primeiro engenho: Engenho do
Governador. Também iniciou a distribuição de sesmarias, isto é, grandes
lotes de terra para pessoas que se dispusessem a explorá-los. Com este
expedição, o sistema de capitanias hereditárias começou a ser adotado,
iniciando efetivamente o processo de colonização do Brasil.

ADMINISTRAÇÃO COLONIAL
A administração colonial portuguesa no Brasil girou entre dois
eixos: o centralismo político - caracterizado por uma grande intervenção
da Metrópole, para um melhor controle da área colonial; e o localismo
político - marcado pela descentralização e atendia os interesses dos
colonos, em virtude da autonomia dos poderes locais para com a
Metrópole.

1. AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS
Implantadas em 1534, por D. João III, objetivavam garantir a
posse colonial e compensar as sucessivas perdas mercantis do comércio
com as Índias. Pelo sistema, o ônus da ocupação, exploração e proteção
da colônia era transferido para a iniciativa privada. Semelhante processo
de colonização já fora adotado pelos lusitanos nas ilhas do Atlântico.
O Brasil foi dividido em 14 capitanias que foram entregues as 12
donatários. O sistema de donatárias possuía sua base jurídica em dois
documentos:
- Carta de Doação: documento que estabelecia os direitos e
deveres do donatário e outorgava a posse das terras ao capitão
donatário.
É importante notar que o donatário não possuia a propriedade
da terra, mas sim a posse, o usufruto; cabendo ao rei o poder
ou não de tomar a capitania de volta.
- Foral: documento que estabelecia os direitos e obrigações dos
colonos.
Pelo regime das donatárias, os capitães donatários possuíam
amplos poderes administrativos, jurídicos e militares, sendo por isto
caracterizado como um sistema de administração descentralizado.

FRACASSO DO SISTEMA
O sistema de capitanias hereditárias, de um modo geral,
fracassou. Na maioria dos casos, a falta de recursos financeiros para a
exploração lucrativa justifica o insucesso.
Duas capitanias prosperaram: São Vicente e Pernambuco, ambas
graças ao sucesso da agricultura canavieira. Além do cultivo da cana, a
capitania de São Vicente mantinha contatos com a região do Prata e
iniciaram uma nova atividade comercial: a escravidão do índio.
Um outro fator para justificar o fracasso do sistema era a ausência
de um órgão político metropolitano para um maior controle sobre os
donatários. Este órgão será o Governo-Geral, criado com o intuito de
coordenar a exploração econômica da colônia.

2. O GOVERNO-GERAL
Com a criação do Governo-Geral em 1548, pelo chamado
Regimento - documento que reafirmava a autoridade e soberania da
Coroa sobre a colônia, e definia os encargos e direitos dos
governadores-gerais - o Estado português assumia a tarefa de
colonização, sem extinguir o sistema de capitanias hereditárias.
O Governador-Geral era nomeado pelo rei por um período de
quatro anos e contava com três auxiliares: o provedor-mor, encarregado
das finanças e responsável pela arrecadação de tributos; o capitão-mor,
responsável pela defesa e vigilância do litoral e o ouvidor-mor,
encarregado de aplicar a justiça.
A seguir, os governadores-gerais e suas principais realizações:
Tomé de Souza (1549/1553)
-fundação de Salvador, em 1549, primeira cidade e capital do
Brasil;
-criação do primeiro bispado do Brasil (1551);
-vinda dos primeiros jesuítas, chefiados por Manuel da Nóbrega, e
início da catequese dos índios;
-ampliação da distribuição de sesmarias;
-política de incentivos aos engenhos de açúcar;
-introdução das primeiras cabeças de gado;
-proibição da escravidão indígena e início da adoção da mão-de-obra
escrava africana.
Duarte da Costa (1553/1558)
-conflitos entre colonos e jesuítas envolvendo a escravidão
indígena;
-invasão francesa no Rio de Janeiro, em 1555 pelo huguenotes
(protestantes), e fundação da França Antártica;
-fundação do Colégio de São Paulo, no planalto de Piratininga
pelos jesuítas José de Anchieta e Manuel de Paiva;
-conflito do governador com o bispo Pero Fernandes Sardinha, em
virtude da vida desregrada de D. Álvaro da Costa, filho do governador;
Mem de Sá (1558/1572)
-aceleração da política de catequese, como forma de efetivar o
domínio sobre os indígenas;
-início dos aldeamentos indígenas de jesuítas, as chamadas
missões;
-restabelecimento das boas relações com o bispado;
-expulsão dos franceses e fundação da Segunda cidade do Brasil,
São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1565.
Com a morte de Mem de Sá, a Metrópole dividiu a administração
da colônia entre dois governos: D. Luís de Brito, que se instalou em
Salvador, a capital do Norte,e; ao sul, D. Antônio Salema, instalado no
Rio de Janeiro.
UNIÃO IBÉRICA ( 1580/1640)
D. Sebastião, rei de Portugal, morreu em 1578 durante a batalha
de Alcácer-Quibir contra os mouros sem deixar herdeiros diretos. Entre
1578 e 1580 o reino de Portugal foi governado por D. Henrique, tio-avó
de D. Sebastião - que também morreu sem deixar herdeiros.
Foi neste contexto que o rei da Espanha, Filipe II, neto de D.
Manuel invadiu Portugal com suas tropas e assumiu o trono, iniciando o
período da União Ibérica, onde Portugal ficou sob domínio da Espanha
até 1640.
Com o domínio espanhol sob Portugal, as colônias portuguesas
ficaram sob a autoridade da Espanha. Este domínio implicou mudanças
na administração colonial: houve um aumento da autoridade do
provedor-mor para reprimir as corrupções administrativas; houve uma
divisão da colônia em dois Estados: o Estado do Maranhão ( norte ) e o
Estado do Brasil ( sul ), com o objetivo de exercer um maior controle
sobre a região.
Outras conseqüências da União Ibérica: suspensão temporária dos
limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas, contribuindo para a
chamada expansão territorial; invasão holandesa no Brasil.

RESTAURAÇÃO ( 1640)
Movimento lusitano pela restauração da autonomia do reino de
Portugal, liderado pelo duque de Bragança. Após a luta contra o domínio
espanhol, inicia-se uma nova dinastia em Portugal - a dinastia de
Bragança.
O domínio espanhol arruinou os cofres portugueses e levou
Portugal a perder importantes áreas coloniais, colocando Portugal em
séria crise econômico-financeira. D. João IV intensifica a exploração
colonial criando um órgão chamado Conselho Ultramarino.
Através do Conselho Ultramarino, o controle sobre a colônia não
era apenas econômico, mas também político: as Câmaras Municipais
tiveram seus poderes diminuídos e passaram a obedecer ordens do rei e
dos governadores.
D. João IV também oficializou a formação da Companhia Geral do
Brasil, que teria o monopólio de todo o comércio do litoral brasileiro e o
direito de cobrar impostos de todas as transações comerciais. Após
pressões coloniais, a Companhia foi extinta em 1720.

AS CÂMARAS MUNICIPAIS
Os administradores das vilas, povoados e cidades reuniam-se na
Câmaras Municipais, que garantiam a participação política dos senhores
de terra. As Câmaras Municipais eram compostas por vereadores,
chamados "homens bons" ( grandes proprietários de terra e de
escravos). A presidência da Câmara ficava a cargo de um juíz.
As Câmaras Municipais representavam o localismo político na luta
contra o centralismo administrativo português.

A IGREJA E A COLONIZAÇÃO
A igreja Católica teve um papel de destaque na colonização
americana.
Várias ordens religiosas atuaram no Brasil - carmelitas,
dominicanos, beneditinos entre outras - com destaque para a
Companhia de Jesus, os jesuítas.
A Companhia de Jesus, criada em 1534, por Inácio de Loyola,
surgiu no contexto da Contra-Reforma e com o objetivo de consolidar e
ampliar a fé católica pela catequese e pela educação.
A ação catequista dos jesuítas na colônia gerou um intenso
conflito com os colonos, que queriam escravizar os índios. A existência
de um grande número de índios nos aldeamentos de índios - as Missões,
atraía a cobiça dos colonos, que destruíam as Missões e vendiam os
índios como escravos.
A Companhia de Jesus, pela catequese, não tinha exatamente
intensões humanitárias, pois dominavam culturalmente os índios,
facilitando sua submissão à colonização e impondo um novo modo de
vida. O excedente de produção - realizado pelo trabalho indígena - era
comercializado pelos jesuítas.
A catequização do índio fortaleceu e incentivou a escravidão
negra, pelo tráfico negreiro.

ECONOMIA COLONIAL
A primeira atividade econômica na colônia foi a extração do pau-brasil
( período pré-colonial ). A extração era efetuada pelos indígenas e
em troca do trabalho, os europeus davam produtos manufaturados de
baixa qualidade. Esse comércio é chamado de escambo.
A atividade econômica que efetivou a colonização brasileira foi o
cultivo da cana-de-açúcar.

EMPRESA AGRÍCOLA COMERCIAL - A CANA-DE-AÇÚCAR
No contexto do antigo Sistema Colonial, o Brasil foi uma colônia de
exploração. Sendo assim, a economia colonial brasileira será de caráter
complementar e especializada, visando atender às necessidades
mercantilistas. A exploração colonial será uma importante fonte de
riquezas para os Estados Nacionais da Europa.
Portugal não encontrou, imediatamente, os metais preciosos na
área colonial. Para efetivar a posse colonial e exploração da área, a
Metrópole instala no Brasil a colonização baseada na lavoura da canade-
açúcar com trabalho escravo.
Por que açúcar?
O açúcar era um produto muito procurado na Europa e, além
disto, Portugal já tinha uma experiência anterior nas ilhas do Atlântico.
Contribuiu também o clima e solo favoráveis na colônia.
Estrutura de produção
Para atender as necessidades do mercado consumidor europeu a
produção teria de ser em larga escala, daí a existência do latifúndio
(grande propriedade) e do trabalho escravo.
Latifúndio monocultor, escravista e exportador formam a base da
economia colonial, também denominado PLANTATION.
As unidades açucareiras agroexportadoras eram conhecidas por
engenhos e estavam assim constituídas:
-terras para o plantio da cana;
-a casa-grande, que era a moradia do proprietário;
-a senzala, que abrigava os escravos;
-uma capela;
-a casa de engenho, onde se concentrava a principal tarefa
produtiva de transformação da cana-de-açúcar.
A casa de engenho, por sua vez, era formada pela moenda, onde
a cana era esmagada, extraindo-se o caldo; a casa das caldeiras, onde o
caldo era engrossado ao fogo e, finalmente, a casa de purgar em que o
melaço era colado em formas para secar. O açúcar, em forma de "pães
de açúcar" era colocado em caixas de até 750 Kg e enviado para
Portugal.
Havia dois tipos de engenhos. Engenhos reais eram aqueles
movimentados por força hidraúlica; e Engenhos Trapiches - mais
comuns - movidos por tração animal. A produção de aguardente,
utilizada no escambo de escravos, era realizada pelos "molinetes" ou
"engenhocas".
Muitos fazendeiros não possuíam engenhos, sendo obrigados a
moer a cana em outro engenho e pagando por isto, eram os chamados
senhores obrigados.
Deve-se destacar a intensa participação dos holandeses na
atividade açucareira no Brasil. Eram os responsáveis pelo financiamento
na montagem do engenho do açúcar, transporte do açúcar para a
Europa, refino e sua distribuição.

TRÁFICO NEGREIRO
A implantação da escravidão na área colonial serviu de elemento
essencial no processo de acumulação de capitais.
Os negros eram capturados na África e conduzidos para o Brasil
em navios ( navios negreiros ), chamados de tumbeiros. Quando
chegavam ao Brasil era exibidos como mercadorias nos principais
portos.
A mão-de-obra africana contribui para a acumulação de capitais
no tráfico - como mercadoria; em seguida, como força de trabalho na
produção do açúcar.

ATIVIDADES SUBSIDIÁRIAS
O mundo do açúcar será possível graças a existência de outras
atividades econômicas que contribuem para a viabilidade da produção
açucareira: a pecuária, o tabaco e a agricultura de subsistência.
Pecuária- atividade econômica essencial para a vida colonial. O
gado era utilizado como força motriz, transporte e alimentação.
Atividade econômica voltada para atender as necessidades do
mercado interno, a pecuária contribuiu para a interiorização colonial e
usava o trabalho livre ( o boiadeiro ).
Tabaco- atividade econômica destinada ao escambo com as
regiões africanas, onde era trocado por escravos. A principal área de
cultivo era a Bahia. A produção do tabaco era realizada com mão-deobra
escrava.
Lavoura de subsistência- responsável pela produção da
alimentação colonial: mandioca e hortaliças. A força de trabalho era
livre ( mestiços ).
A economia açucareira entra em crise a partir do século XVIII,
dada a concorrência das Antilhas e da produção de açúcar na Europa, a
partir da beterraba. No entanto, o açúcar sempre foi importante para a
economia portuguesa, obedecendo ciclos de alta e baixa procura no
mercado consumidor.

A ECONOMIA MINERADORA
A descoberta de ouro vai provocar uma profunda mudança na
estrutura do Brasil colonial e auxilia Portugal a solucionar alguns de seus
problemas financeiros.
A descoberta dos metais preciosos está relacionada com a
expansão bandeirante entre os séculos XVII e XVIII.
As primeiras descobertas datam do final do século XVII na região
de Minas Gerais.

ADMINISTRAÇÃO DAS MINAS
Para administrar a região mineradora foi criada, em 1702, a
Intendência das Minas, diretamente subordinada a Lisboa. Era
responsável pela fiscalização e exploração das minas. Realizava a
distribuição de datas - lotes a serem explorados, e pela cobrança do
quinto ( 20% do ouro encontrado ).
Apesar do controle metropolitano, a prática do contrabando era
muito comum e, para coibi-lá, a Coroa criou no ano de 1720, as Casas
de Fundição- transformavam o ouro bruto ( pó ou pepita ) em barras já
quintadas, ou seja, extraído o quinto pertencente à Coroa.
A criação das Casas de Fundição gerou violentos protestos,
culminando com a Revolta de Filipe dos Santos.
Quando ocorre o esgotamento da exploração aurífera, o governo
português fixa uma nova forma de arrecadar o quinto: 100 arrobas
anuais de ouro por município. Para garantir a arrecadação é instituída a
derrama - a população completaria as 100 arrobas com seus bens
pessoais. Este imposto trará um profundo sentimento de insatisfação
para com a Metrópole.

FORMAS DE EXPLORAÇÃO DAS MINAS.
Havia dois tipos de exploração do ouro:
-as lavras: a grande empresa mineradora, com utilização de
trabalho escravo, ferramentas e aparelhos;
-a faiscação: a pequena empresa, que explorava o trabalho livre
ou escravos alforriados

OS DIAMANTES
As primeiras descobertas de diamantes no Brasil ocorreram em
1729, no Arraial do Tijuco, atual Diamantina. A dificuldade em se
quintar o diamante levou a Metrópole a criar o Distrito Diamantino -
expulsão dos mineiros da região e a exploração passou a ser privilégio
de algumas pessoas - os contratadores - que pagavam uma quantia fixa
para extrair o diamante. Em 1771, o próprio governo português assumiu
a exploração do diamante, estabelecendo a real extração.

CONSEQÜÊNCIAS DA MINERAÇÃO
A atividade mineradora no Brasil, como já dissemos, provocou
uma alteração na estrutura colonial, ou seja, provocou mudanças
econômicas, sociais, políticas e culturais.
As mudanças econômicas
Para começar, a mineração mudou o eixo econômico da vida
colonial - do litoral nordestino para a região Centro-Sul; incentivou a
intensificação do comércio interno, uma vez que fazia-se necessário o
abastecimento da região das minas - aumento da produção de alimentos
e da criação de gado; surgimento de rotas coloniais garantindo a
interligação da região das minas com outras regiões do Brasil. Por estas
rotas, as chamadas tropas de mulas, levavam e traziam mercadorias.
Entre estas mercadorias, destaque para o negro africano, transportado
da decadente lavoura açucareira para a região das minas.
Houve também um enorme estímulo a importação de artigos
manufaturados, em decorrência do aumento populacional e da
concentração de riquezas.
As mudanças sociais
Como dito acima, houve um enorme aumento populacional nas
regiões das minas. Tal crescimento demográfico altera a composição e
estrutura da sociedade. A sociedade passa a ter um caráter urbano e
multiplica-se o número de comerciantes, intelectuais, pequenos
proprietários, funcionários públicos, artesãos. A sociedade mineradora
passa a apresentar uma certa flexibilidade e mobilidade - algo que não
existia na sociedade açucareira. Inicia-se o processo de uma relativa
distribuição de riquezas.
A sociedade torna-se mais politizada, graças a vinda de imigrantes
e, com eles, a entrada das idéias iluministas- liberdade, igualdade e
fraternidade.

As mudanças políticas
A Europa do século XVIII foi marcada pelo movimento filosófico
denominado Iluminismo. As idéias iluministas chegavam ao Brasil pelos
imigrantes sedentos pelo ouro ou trazidas pelos filhos dos grandes
proprietários que foram estudar na Europa. Alguns nomes merecem
destaque, como Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa,
Inácio Alvarenga Peixoto, entre outros. Estes nomes estão relacionados
ao primeiro movimento de caráter emancipacionista da história do
Brasil: a Inconfidência Mineira.

As mudanças culturais
Toda esta dinâmica econômica, política e social favoreceu uma
intensa atividade intelectual na região das minas. A intensa riqueza
extraída das minas também incentiva a produção cultural, tais como a
música ( Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, padre José Maurício Nunes
Garcia ); a literatura ( o Arcadismo ); a arquitetura e a escultura. Nesta
área destaque para Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho e para
mestre Valentim.

AS CONTRADIÇÕES DA ECONOMIA MINERADORA
A descoberta do ouro, como dissemos, auxilia Portugal a
solucionar alguns de seus problemas financeiros, principalmente seu
saldo devedor para com a Inglaterra.
Em 1703 Portugal assinou com a Inglaterra um acordo
denominado Tratado de Methuen. Através dele, Portugal conseguia
benefícios alfandegários para a venda de vinhos na Inglaterra e ficavam
obrigados a comprar manufaturados ingleses sem qualquer taxa
aduaneira. Assim, o Tratado de Methuen vai inibir o desenvolvimento da
manufaturas em Portugal e torná-lo dependente da Inglaterra.
Sendo assim, para pagar os produtos manufaturados que vinham
da Inglaterra, Portugal vai utilizar o ouro encontrado no Brasil. O afluxo
de ouro brasileiro para a Inglaterra contribui para o processo da
Revolução Industrial, daí o ditado de que "a mineração serviu para fazer
buracos no Brasil, construir igrejas em Portugal e enriquecer a
Inglaterra".

O RENASCIMENTO AGRÍCOLA
No final do século XVIII, o Brasil conhece um período denominado
Renascimento Agrícola, marcado pela decadência da atividade
mineradora e pelo retorno das atividades agrícolas para o processo de
acumulação de capitais. A seguir os fatores deste renascimento agrícola:
-esgotamento da exploração aurífera e decadência da região da
minas;
-processo de independência dos EUA ( 1776 );
-processo da Revolução Industrial na Inglaterra;
-política de fomento agrícola patrocinada pelo marquês de Pombal.
A partir da Revolução industrial, a Inglaterra aumenta suas
necessidades de algodão - matéria prima para a indústria têxtil; sua
principal área fornecedora declara independência ( as treze colônias
inglesas ), iniciando a guerra de independência. Foi neste contexto que
o Brasil passou a produzir algodão para atender as necessidades
inglesas. O cultivo do algodão será no Maranhão, utilizando a mão de
obra escrava.
Além do algodão, outros produtos merecem destaques neste
período: o açúcar, o cacau e o café.
Para encerrar, uma atividade econômica serviu para a ocupação
do interior do Brasil- assim como a pecuária- trata-se da extração das
"drogas do sertão", guaraná, aniz, pimenta, salsaparrilha...
AULA 08 - História Ensino Médio 2º Ano-M,T,N.

O Sistema Colonial

O chamado Sistema Colonial Tradicional desenvolveu-se , na
América, entre os séculos XVI e XVIII. Sua formação está intimamente
ligada às Grandes Navegações e seu funcionamento obedece aos
princípios do Mercantilismo.
Como vimos, o Estado Moderno, através das práticas
mercantilistas, buscava o acúmulo de capitais e as colônias irão
contribuir de forma decisiva para este processo. Assim, através da
exploração colonial os Estados Metropolitanos se enriquecem- como
também sua burguesia.
O Sistema Colonial Tradicional conheceu dois tipos de colônias: a
colônia de povoamento e a colônia de exploração.

COLÔNIA DE POVOAMENTO: característica das zonas temperadas
da América do Norte e marcada por uma organização econômico-social
que buscava manter semelhanças com suas origens européias:
predomínio da pequena propriedade, desenvolvimento do mercado
interno, certo desenvolvimento urbano, valorização dos princípios de
liberdade ( religiosa, econômica, de imprensa ), utilização do trabalho
livre, desenvolvimento industrial e desenvolvimento do comércio
externo.

COLÔNIA DE EXPLORAÇÃO: típica das zonas tropicais da América,
onde predomina a agricultura tropical escravista e monocultora. Não
houve desenvolvimento de núcleos urbanos nem do mercado interno,
ficando esta área dependente da Metrópole. A principal característica
desta área foi a Plantation- latifúndio, monocultor escravocrata.
A colonização inglesa na América do Norte apresentou as duas
formas colonias. As treze colônias inglesas pode assim ser divididas: as
colônias do norte e do centro serão colônias de povoamento; as colônias
do sul serão colônias de exploração.
As colônias do norte tiveram suas origens nas lutas socias que
ocorreram na Inglaterra, quais sejam, as perseguições aos puritanos
pela Dinastia Stuart ( 1603/1642 ). Com a Revolução Puritana
(1640/1660) o contigente que chega à colônia é basicamente formado
por nobres aristocráticos.
Desde cedo, os colonos do norte demonstram sua vocação
comercial, dinamizando o mercado externo através do chamado
"comércio triangular".
A título de exemplificação, segue uma forma do comércio
triangular:
Da Nova Inglaterra com a África - comércio do rum, que seria
trocado por escravos;
Da África para as Antilhas - comércio de escravos, que seriam
vendidos para o trabalho nas fazendas de açúcar;
Das Antilhas para a Nova Inglaterra - melaço - subproduto da
cana para a fabricação do rum.
Já as colônias do sul desenvolveram-se obedecendo os critérios do
mercantilismo ( monopólio ). Houve predomínio do latifúndio monocultor
( algodão ) e utilização da mão-de-obra escrava.
As colônias de exploração irão apresentar aspectos comuns,
quanto a sua organização econômica.
Aspectos da economia colonial.
Uma economia colonial, área de exploração vai apresentar os
seguintes elementos:
Economia complementar e especializada- a principal função de
uma colônia era complementar a economia metropolitana, produzindo
artigos que pudessem ser vendidos a altos preços no mercado europeu;
daí sua especialização em certos gêneros tropicais, como tabaco,
algodão e cana-de-açúcar.
Integrada ao capitalismo - a economia colonial atendia os
interesses do capitalismo europeu. A utilização da mão-de-obra escrava
não representa um paradoxo, ao contrário, foi mais um elemento
utilizado para o processo de acumulação de capitais. O tráfico negreiro
era altamente lucrativo.
Pacto colonial - o elemento definidor das relações entre Metrópole
e colônia, foi o monopólio. Este será implantado através do pacto
colonial, onde a colônia é obrigada a enviar para a Metrópole matérias primas
(gêneros tropicais e metais preciosos) e comprar da Metrópole
artigos manufaturados e escravos.
Através das relações coloniais, foi possível o desenvolvimento
pleno do capitalismo na Europa. O objetivo máximo do mercantilismo - o
acúmulo de capitais - só foi possível em virtude da existência de uma
área extraterritorial auxiliando a Europa em manter uma balança
comercial favorável.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

PREZADOS ALUNOS
COMUNICAMOS QUE A GREVE FOI SUSPENSA E A PARTIR DE SEGUNDA-FEIRA AS AULAS SERÃO RETOMADAS NORMALMENTE. AGUARDAMOS TODOS.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Porque o sapo não lava o pé, segundo vários intelectuais
Quando eu li o título deste texto em minha caixa de e-mails, achei que fosse mais um spam e quase o apaguei. Mas, por algum motivo, fui ler um trecho e percebi que era algo muito engraçado e criativo. Uma espécie de piada cult (e para poucos, é verdade! ). Alguns  trechos poderiam ser usados em sala de aula, como atividade. Mas vale mesmo como descontração…

POR QUE O SAPO NÃO LAVA O PÉ?

Explicações de vário estudiosos…

Olavo de Carvalho: O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer e ainda culpa o sistema, quando a culpa é da PREGUIÇA. Este tipo de atitude é que infesta o Brasil e o Mundo, um tipo de atitude oriundo de uma complexa conspiração moscovita contra a livre-iniciativa e os valores humanos da educação e da higiene!

Karl Marx: A lavagem do pé, enquanto atividade vital do anfíbio, encontra-se profundamente alterada no panorama capitalista. O sapo, obviamente um proletário, tendo que vender sua força de trabalho para um sistema de produção baseado na detenção da propriedade privada pelas classes dominantes, gasta em atividade produtiva alienada o tempo que deveria ter para si próprio. Em conseqüência, a miséria domina os campos, e o sapo não tem acesso à própria lagoa, que em tempos imemoriais fazia parte do sistema comum de produção.

Friedrich Engels: isso mesmo.

Michael Foucault: Em primeiro lugar, creio que deveríamos começar a análise do poder a partir de suas extremidades menos visíveis, a partir dos discursos médicos de saúde, por exemplo. Por que deveria o sapo lavar o pé? Se analisarmos os hábitos higiênicos e sanitários da Europa no século XII, veremos que os sapos possuíam uma menor preocupação em relação à higiene do pé – bem como de outras áreas do corpo. Somente com a preocupação burguesa em relação às disciplinas – domesticação do corpo do indivíduo, sem a qual o sistema capitalista jamais seria possível – é que surge a preocupação com a lavagem do pé. Portanto, temos o discurso da lavagem do pé como sinal sintomático da sociedade disciplinar.

Max Weber: A conduta do sapo só poderá ser compreendida em termos de ação social racional orientada por valores. A crescente racionalização e o desencantamento do mundo provocaram, no pensamento ocidental, uma preocupação excessiva na orientação racional com relação a fins. Eis que, portanto, parece absurdo à maior parte das pessoas o sapo não lavar o pé. Entretanto, é fundamental que seja compreendido que, se o sapo não lava o pé, é porque tal atitude encontra-se perfeitamente coerente com seu sistema valorativo – a vida na lagoa.

Friedrich Nietzsche: Um espírito astucioso e camuflado, um gosto anfíbio pela dissimulação – herança de povos mediterrâneos, certamente – uma incisividade de espírito ainda não encontrada nas mais ermas redondezas de quaisquer lagoas do mundo dito civilizado. Um animal que, livrando-se de qualquer metafísica, e que, aprimorando seu instinto de realidade, com a dolcezza audaciosa já perdida pelo europeu moderno, nega o ato supremo, o ato cuja negação configura a mais nítida – e difícil – fronteira entre o Sapo e aquele que está por vir, o Além- do-Sapo: a lavagem do pé.

John Locke: Em primeiro lugar, faz-se mister refutar a tese de Filmer sobre a lavagem bíblica dos pés. Se fosse assim, eu próprio seria obrigado a lavar meus pés na lagoa, o que, sustento, não é o caso. Cada súdito contrata com o Soberano para proteger sua propriedade, e entendo contido nesse ideal o conceito de liberdade. Se o sapo não quer lavar o pé, o Soberano não pode obrigá-lo, tampouco recriminá-lo pelo chulé. E ainda afirmo: caso o Soberano queira, incorrendo em erro, obrigá-lo, o sapo possuirá legítimo direito de resistência contra esta reconhecida injustiça e opressão.

Immanuel Kant: O sapo age moralmente, pois, ao deixar de lavar seu pé, nada faz além de agir segundo sua lei moral universal apriorística, que prescreve atitudes consoantes com o que o sujeito cognoscente possa querer que se torne uma ação universal.

Nota de Freud: Kant jamais lavou seus pés.

Sigmund Freud: Um superego exacerbado pode ser a causa da falta de higiene do sapo. Quando analisava o caso de Dora, há vinte anos, pude perceber alguns dos traços deste problema. De fato, em meus numerosos estudos posteriores, pude constatar que a aversão pela limpeza, do mesmo modo que a obsessão por ela, podem constituir-se num desejo de autopunição. A causa disso encontra-se, sem dúvida, na construção do superego a partir das figuras perdidas dos pais, que antes representavam a fonte de todo conteúdo moral do girino.

Carl Jung: O mito do sapo do deserto, presente no imaginário semita, vem a calhar para a compreensão do fenômeno. O inconsciente coletivo do sapo, em outras épocas desenvolvido, guardou em sua composição mais íntima a idéia da seca, da privação, da necessidade. Por isso, mesmo quando colocado frente a uma lagoa, em época de abundância, o sapo não lava o pé.

Soren Kierkegaard: O sapo lavando o pé ou não, o que importa é a existência.

George Hegel: podemos observar na lavagem do pé a manifestação da Dialética. Observando a História, constatamos uma evolução gradativa da ignorância absoluta do sapo – em relação à higiene – para uma preocupação maior em relação a esta. Ao longo da evolução do Espírito da História, vemos os sapos se aproximando cada vez mais das lagoas, cada vez mais comprando esponjas e sabões. O que falta agora é, tão somente, lavar o pé, coisa que, quando concluída, representará o fim da História e o ápice do progresso.

Auguste Comte: O sapo deve lavar o pé, posto que a higiene é imprescindível. A lavagem do pé deve ser submetida a procedimentos científicos universal e atemporalmente válidos. Só assim poder-se-á obter um conhecimento verdadeiro a respeito.

Arthur Schopenhauer: O sapo cujo pé vejo lavar é nada mais que uma representação, um fenômeno, oriundo da ilusão fundamental que é o meu princípio de razão, parte componente do principio individuationis, a que a sabedoria vedanta chamou “véu de Maya”. A Vontade, que o velho e grande filósofo de Königsberg chamou de Coisa-em si, e que Platão localizava no mundo das idéias, essa força cega que está por trás de qualquer fenômeno, jamais poderá ser capturada por nós, seres individuados, através do princípio da razão, conforme já demonstrado por mim em uma série de trabalhos, entre os quais o que considero o maior livro de filosofia já escrito no passado, no presente e no futuro: “O mundo como vontade e representação”.

Aristóteles. O [sapo] lava de acordo com sua natureza! Se imitasse, estaria fazendo arte . Como [a arte] é digna somente do homem, é forçoso reconhecer que o sapo lava segundo sua natureza de sapo, passando da potência ao ato. O sapo que não lava o pé é o ser que não consegue realizar [essa] transição da potência ao ato.

Platão:

Górgias: Por Zeus, Sócrates, os sapos não lavam os seus pés porque não gostam da água!

Sócrates: Pensemos um pouco, ó Górgias. Tu assumiste, quando há pouco dialogava com Filebo, que o sapo é um ser vivo, correto?

Górgias: Sou forçado a admitir que sim.

Sócrates: Pois bem, e se o sapo é um ser vivo, deve forçosamente fazer parte de uma categoria determinada de seres vivos, posto que estes dividem-se em categorias segundo seu modo de vida e sua forma corporal; os cavalos são diferentes das hidras e estas dos falcões, e assim por diante, correto?

Górgias: Sim, tu estás novamente correto.

Sócrates: A característica dos sapos é a de ser habitante da água e da terra, pois é isso que os antigos queriam dizer quando afirmaram que este animal era anfíbio, como, aliás, Homero e Hesíodo já nos atestam. Tu pensas que seria possível um sapo viver somente no deserto, tendo ele necessidade de duas vidas por natureza,ó Górgias?

Górgias: Jamais ouvi qualquer notícia a respeito.

Sócrates: Pois isto se dá porque os sapos vivem nas lagoas, nos lagos e nas poças, vistos que são animais, pertencem e uma categoria, e esta categoria é dada segundo a característica dos sapos serem anfíbios.

Górgias: É verdade.

Sócrates: precisando da lagoa, ó Górgias meu caro, tu achas que seria o sapo insano o suficiente para não gostar de água?

Górgias: não, não, não, mil vezes não, Ó Sócrates!

Sócrates: Então somos forçados a concluir que o sapo não lava o pé por outro motivo, que não a repulsa à água

Górgias: de acordo

Diógenes, o Cínico: Dane-se o sapo, eu só quero tomar meu sol.

Parmênides de Eléia: Como poderia o sapo lavar os pés, ó deuses, se o movimento não existe?

Heráclito de Éfeso: Quando o sapo lava o pé, nem ele nem o pé são mais os mesmos, pois ambos se modificam na lavagem, devido à impermanência das coisas.
Epicuro: O sapo deve alcançar o prazer, que é o Bem supremo, mas sem excessos. Que lave ou não o pé, decida-se de acordo com a circunstância. O vital é que mantenha a serenidade de espírito e fuja da dor.

Estóicos: O sapo deve lavar seu pé de acordo com as estações do ano. No inverno, mantenha-o sujo, que é de acordo com a natureza. No verão, lave-o delicadamente à beira das fontes, mas sem exageros. E que pare de comer tantas moscas, a comida só serve para o sustento do corpo.

Descartes: nada distingo na lavagem do pé senão figura, movimento e extensão. O sapo é nada mais que um autômato, um mecanismo. Deve lavar seus pés para promover a autoconservação, como um relógio precisa de corda.

Nicolau Maquiavel: A lavagem do pé deve ser exigida sem rigor excessivo, o que poderia causar ódio ao Príncipe, mas com força tal que traga a este o respeito e o temor dos súditos. Luís da França, ao imperar na Itália, atraído pela ambição dos venezianos, mal agiu ao exigir que os sapos da Lombardia tivessem os pés cortados e os lagos tomados caso não aquiescessem à sua vontade. Como se vê, pagou integralmente o preço de tal crueldade, pois os sapos esquecem mais facilmente um pai assassinado que um pé cortado e uma lagoa confiscada.

Jacques Rousseau: Os sapos nascem livres, mas em toda parte coaxam agrilhoados; são presos, é certo, pela própria ganância dos seus semelhantes, que impedem uns aos outros de lavarem os pés à beira da lagoa. Somente com a alienação de cada qual de seu ramo ou touceira de capim, e mesmo de sua própria pessoa, poder-se-á firmar um contrato justo, no qual a liberdade do estado de natureza é substituída pela liberdade civil.

Max Horkheimer e Theoror Adorno: A cultura popular diferencia-se da cultura de massas, filha bastarda da indústria cultural. Para a primeira, a lavagem do pé é algo ritual e sazonal, inerente ao grupamento societário; para a segunda, a ação impetuosa da razão instrumental, em sua irracionalidade galopante, transforma em mercadoria e modismo a lavagem do pé, exterminando antigas tradições e obrigando os sapos a um procedimento diário de higienização.

Antonio Gramsci: O sapo, e além dele, todos os sapos, só poderão lavar seus pés a partir do momento em que, devido à ação dos intelectuais orgânicos, uma consciência coletiva principiar a se desenvolver gradativamente na classe batráquia. Consciência de sua importância e função social no modo de produção da vida. Com a guerra de posições – representada pela progressiva formação, através do aparato ideológico da sociedade civil, de consensos favoráveis – serão criadas possibilidades para uma nova hegemonia, dessa vez sob a direção das classes anteriormente subordinadas.

Norberto Bobbio: existem três tipos de teoria sobre o sapo não lavar o pé. O primeiro tipo aceita a não-lavagem do pé como natural, nada existindo a reprovar nesse ato. O segundo tipo acredita que ela seja moral ou axiologicamente errada. A terceira espécie limita-se a descrever o fenômeno, procurando uma certa neutralidade.

Liberal de Orkut (esse indivíduo cada vez mais anônimo): o sapo não lava o pé por ser um indivíduo liberto da opressão estatal. Mas qualquer coisa é só arrumar um emprego público e utilizar o lavado do Leviatã!

SOBRE SEU AUTOR:


Depois de que este texto foi publicado neste blog, uma leitora nos revelou, finalmente, quem é o autor deste texto. Como disse na apresentação, eu o recebi por e-mail e na época estava assinado como “autor desconhecido”. Agora sei que esse texto é de Carlos Frederico Pereira da Silva Gama e foi publicado pela primeira vez no site Usina de Letras. Agradeço a contribuição da leitora Luciana.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013


A antiga cidade egípcia perdida submersa sob o mar há 1.200 anos está começando a se revelar como era a vida no lendário porto de Thonis-Heracleion.


Heracleion desapareceu sob o Mediterrâneo em torno de 1.200 anos atrás  Foto: Franck Goddio / Hilti Foundation, gráfico: Yann Bernard

Durante séculos, acreditava-se ser uma lenda, uma cidade de extraordinária riqueza mencionada por Heródoto, visitado por Helena de Tróia e Paris, seu amante, mas aparentemente esta enterrado no fundo do mar.
A verdade, Heracleion é que existiu de fato. Há uma década, mergulhadores começaram descobrir os seus tesouros, os arqueólogos têm produziram um retrato de como era a vida na cidade na época dos faraós.
A cidade, também chamada de Thonis, desapareceu sob o Mediterrâneo em torno de 1.200 anos atrás, e foi encontrado durante uma pesquisa da costa egípcia no início da década passada.
Agora sua vida no centro das rotas de comércio naqueles tempos clássicos estão se tornando mais claros. Pesquisadores ja tem a visão de que esta cidade foi o principal centro costumes, através do qual todo o comércio da Grécia e em outras partes do Mediterrâneo entravam no Egito.

  • Foto: Christoph Gerigk
Eles descobriram os restos de mais de 64 navios enterrados na argila grossa e areia que agora cobre o fundo do mar. As moedas de ouro e pesos feitos de bronze e pedra também foram encontrados, sugerindo o comércio que passou.
16 estátuas gigantes foram descobertas e trazidas para a superfície,  os arqueólogos também encontraram centenas de estátuas menores de deuses  no fundo do mar.
Lajes de pedra inscritas em  os egípcio e grego antigo antigos  também foram trazidas para a superfície.
Dezenas de pequenos sarcófagos de pedra calcária também foram recentemente descobertas por mergulhadores e acredita-se que com animais mumificados, colocados lá para apaziguar os deuses.
Dr. Damian Robinson, diretor do Centro Oxford de Arqueologia Marítima da Universidade de Oxford, que faz parte da equipe que trabalha no local, disse: "É uma grande cidade que estão escavando.
"O sitio tem uma preservação incrível. Estamos agora começando a olhar para algumas das áreas mais interessantes dentro dele para tentar entender a vida que lá existiu.
"Estamos recebendo um retrato rico de coisas como o comércio que estava acontecendo lá e a natureza da economia marítima no período final egípcio. Havia objetos que vinham da Grécia e dos fenícios.

Foto: Christoph Gerigk
"Temos centenas de pequenas estátuas de deuses e estamos tentando descobrir onde os templos para esses deuses estavam na cidade.
"Os navios são realmente interessantes, uma vez que é o maior número de navios antigos encontrados em um só lugar e encontramos mais de 700 âncoras antigas até agora."
Os pesquisadores, que trabalham com os fabricantes de documentários de TV alemães, também criaram uma reconstrução da cidade tridimensional.
No seu coração teve um enorme templo ao deus Amon-Gereb, o deus supremo dos egípcios na época.
Deste estendeu uma vasta rede de canais e canais, o que permitiu a cidade se tornar o mais importante porto do Mediterrâneo na época.
No mês passado, os arqueólogos de todo o mundo reuniram-se na Universidade de Oxford para discutir as descobertas,  começam a emergir os tesouros encontrados em Heracleion, nomeado para Hércules, que segundo a lenda , esteve lá.

Dr. Robinson afirma: "Foi o maior porto de comércio internacional para o Egito neste momento. É onde a tributação foi tomada em importação e exportação. Tudo isso foi executado pelo templo principal. "


Foto: Reuters
Submerso menos de 150 metros de profundidade na água, o local fica onde  é hoje a Baía de Aboukir. No século 8 aC, quando acredita-se que a cidade teria sido  construída, na foz do delta do rio Nilo,  que se abria para o Mediterrâneo.
Os cientistas ainda têm pouca idéia do que levou a cidade a afundar na água cerca de 1.000 anos mais tarde, mas pensa-se que o gradual aumento do nível do mar, combinada com um colapso repentino do sedimento instável,a cidade construída caiur em cerca de 12 pés.
Com o tempo, a cidade desapareceu da memória e da sua existência, juntamente com outros povoados perdidos ao longo da costa, só era conhecido de alguns textos antigos.
Arqueólogo subaquático francêsFrank Dr Goddio foi o primeiro a descobrir a cidade ao fazer o levantamento da área, enquanto procurava navios de guerra franceses que afundaram lá na batalha do Nilo século 18.


Quando os mergulhadores começaram a peneirar através das espessas camadas de areia e lama, eles mal podiam acreditar no que eles estavam  encontrando.
"A evidência arqueológica é simplesmente impressionante", disse o Professor Sir Barry Cunliffe, um arqueólogo da Universidade de Oxford também tem vindo a tomar parte na escavação.
"Ao menter intocada e protegida por areia no fundo do mar durante séculos elas são brilhantemente preservada."
Os pesquisadores agora também esperam encontrar alguns sarcófagos usado para enterrar os seres humanos em algumas das áreas periféricas em torno da cidade submersa.
"As descobertas aumentam a importância do local específico da cidade que está na 'boca do Mar do grego'", disse o Dr. Goddio, que liderou a escavação.
"Estamos apenas no início de nossa pesquisa. Nós, provavelmente, teremos de continuar trabalhando nos próximos 200 anos para Thonis-Heracleion ser plenamente revelado e compreendido. "

fonte The Telegraph

Período crucial da história do Egito teria ocorrido 500 anos mais tarde do que se pensava

A linha do tempo da história do Egito - que influenciou toda a civilização da Antiguidade - está começando a ser reescrita por conta das novas ferramentas à disposição do estudo da arqueologia. Até então, a datação histórica da civilização egípcia era feita por meios convencionais, como a análise do estilo de cerâmica e outros objetos encontrados em sítios arqueológicos. Porém, com o uso de medições de radiocarbono é possível estabelecer o momento crucial na História em que o Egito se tornou um estado único, que marcou o surgimento de uma civilização duradoura no hemisfério ocidental.
As conclusões são surpreendestes e demonstram que esta civilização teve um desenvolvimento rápido, já que este período crítico teria ocorrido 500 anos após a data usada por estimativas convencionais, que varia largamente, entre 3.400 a 2900 a.C.Com esta nova datação pelo radiocarbono, calcula-se que a ascensão do rei Aha - o primeiro de oito soberanos do Egito antigo - teria ocorrido entre 3.111 e 3.045 a.C, com chance de 68% de acerto. O estudo foi conduzido por Michael Dee, da Universidade de Oxford e publicado no periódico Proceedings of the Royal Society A. O trabalho se baseou em mais de 100 amostras de vestígios (cabelo, ossos e plantas) que estão em sítios funerários e/ou são mantidos em museus.    

Antes de compor um único estado, houve um período turbulendo entre o Alto e o Baixo Egito. Com a unificação egípcia, as pessoas começaram a se assentar permanentemente às margens do rio Nilo e desenvolveram a agricultura, o que impulsionou o comércio.
De acordo com os resultados do estudo, o pesquisadores acreditam que o Egito se formou muito mais rapidamente do que se pensava anteriormente. Suas origens remontam a um milênio antes da construção das pirâmides. O trabalho dos pesquisadores de Oxford ainda afirma que Aha e seus sete sucessores governaram um território que se espalhou por uma área similar ao Egito atual.
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