sábado, 19 de abril de 2014

AULA DE FILOSOFIA 2º ANO ENSINO MÉDIO, M, T, E N

Introdução à fenomenologia
1. Introdução à Fenomenologia Prof. Edson Couto
2. • O conhecimento ocorre a partir da relação entre um sujeito e um objeto.
• Será que conhecemos os objetos tal qual eles são “em si mesmos”? Ou conhecemos apenas uma representação mental (uma imagem) do que eles são?
• Como é possível o conhecimento dos objetos?
• Quais são as condições, os limites e as possibilidades de um conhecimento das coisas mesmas?
O problema do conhecimento
3. O problema do conhecimento
• Para responder a esses questionamentos, duas tradições ou escolas filosóficas se destacaram:
• O Empirismo: corrente filosófica que defende a independência ontológica da realidade em relação aos nossos esquemas conceptuais e mentais. As ideias ou imagens que temos dos objetos da realidade correspondem à própria realidade das coisas. A fonte do conhecimento é a realidade, conhecida através das nossas sensações e experiências.
• O Racionalismo: defende a primazia do sujeito na construção do conhecimento em relação ao objeto, ou seja, o que vemos da realidade não corresponde exatamente ao que “as coisas são em si mesmas”.
 As fontes do conhecimento são as ideais claras e distintas que são alcanças através do próprio exercício racional e dedutivo.
4. Immanuel Kant (1724 – 1804)
• Um dos mais importantes filósofos da modernidade;
• Influenciou profundamente o Iluminismo e buscou uma síntese entre racionalismo e empirismo;
• Sua reflexão filosófica buscou responder a 3 perguntas:
1. Que posso saber?
 2. Que devo fazer?
3. Que me é dado esperar? 
5. Racionalismo e Empirismo
• Para Kant o racionalismo e o empirismo são concepções insuficientes para explicar o conhecimento humano (o que podemos saber);
• “Kant afirmou que apesar da origem do conhecimento ser a experiência se alinhando aí com o empirismo, existem certas condições a priori para que as impressões sensíveis se convertam em conhecimento fazendo assim uma concessão ao racionalismo”. (Fernando Lang da Silveira, 2002).
6. O Conhecimento Transcendental
• Transcendental = o que é comum a todos os homens, transcende os casos particulares e individuais;
• São as condições a priori do entendimento de qualquer experiência, ou seja, o entendimento, a razão impõe aos objetos conceitos a priori.
• O conhecimento para Kant só é possível porque existem as faculdades humanas de cognição, ou seja, “estruturas” mentais que nos possibilitam organizar as percepções e o conhecimento. Essas estruturas são transcendentais e a priori, comuns a todos os indivíduos.
7. O Conhecimento Transcendental “Denomino transcendental todo o conhecimento que em geral se ocupa não tanto com os objetos, mas com nosso modo de conhecimento de objetos na medida em que este deve ser possível a priori. Um sistema de tais conceitos denominar-se-ia filosofia transcendental” (Kant. Crítica da Razão Pura).
8. O Idealismo Transcendental
• A nossa percepção “organiza” o nosso conhecimento das coisas, por isso, os objetos que vemos não são os objetos em si (“as coisas em si mesmas”, mas sim a forma como esses objetos se apresentam para nós, como fenômenos);
• Para Kant o que vemos é a representação das coisas na nossa percepção.
9. O conhecimento humano
• Para Kant, há duas fontes principais de conhecimento no sujeito:
·        A sensibilidade, modo receptivo-passivo por meio do qual os objetos nos afetam, sendo a intuição a maneira como nos referimos a esses objetos.
·        O entendimento, por meio do qual os objetos são pensados como conceitos (categorias).

10. "Sem sensibilidade nenhum objeto nos seria dado, e sem entendimento nenhum seria pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios, intuições sem conceitos são cegas.“ (kant, Crítica da Razão Pura, p. 75). Dito de outra forma: “a sensação sem a razão é vazia e a razão sem a sensação é cega” (Fernando Lang da Silveira, 2002) Racionalismo ou Empirismo? Os dois!
• Resumindo: Os pensamentos, sem o conteúdo da experiência (dados através da sensibilidade na intuição), seriam vazios de realidade (racionalismo); por outro a experiência dos objetos, sem os conceitos a priori, não teria nenhum sentido para nós (empirismo).  Racionalismo ou Empirismo? Os dois!
11. Edmund Husserl (1859-1938)
• Husserl buscou realizar uma profunda crítica da ciência positivista e da razão objetiva vigentes em sua época.
• Para ele era necessário construir um novo método para o conhecimento, que deveria adotar uma perspectiva fenomenológica.
• A Fenomenologia seria então um método para conhecer a essência das coisas e da própria consciência.
• Husserl retoma a interrogação sistemática que analisa as condições, os limites e as possibilidades de um conhecimento das coisas mesmas.
• Ele busca então uma renovação-continuação da atitude radical, sendo essa atitude, a atitude da crítica da razão.
• Essa crítica da razão implica uma crítica da ciência do conhecimento a priori, ou como em Kant, do conhecimento transcendental (puro).
12. Husserl e a crítica da Razão
• Tentativa de superar o ceticismo (descrença) em relação à capacidade de conhecer do sujeito.
• Construção de uma ciência transcendental dos fenômenos da consciência enquanto consciência.
• Proposição de um método fenomenológico, conhecido como redução fenomenológica que busca o retorno à consciência, por isso é considerada gnosiológica.
• Defesa da substituição da “atitude natural” e do “conhecimento natural” pela “atitude fenomenológica”.
13. A crítica ao Positivismo e às ciências naturais
• O Positivismo defendeu o primado do objeto e a anulação de qualquer subjetividade.
• Só tem valor de conhecimento o conhecimento objetivo.
• Para Husserl esse afã positivista pela objetividade afastou as ciência e o conhecimento do seu verdadeiro propósito: o homem real, o mundo da vida.
• O erro, segundo Husserl, das ciências e do naturalismo ingênuo é considerar o mundo dado e preexistente como objetivo e independente da consciência de um sujeito.
• Husserl critica a perspectiva das ciências positivas pois para estas os objetos são considerados como independentes do observador.
• Já Husserl defende que os objetos se apresentam enquanto fenômenos para uma consciência, ou seja, a fenomenologia procura enfatizar que o objeto se constitui enquanto objeto a partir da sua relação com uma consciência.
• Dessa forma o objeto não é independente do sujeito que o conhece e nem o sujeito é independente dos objetos que conhece.  
A crítica ao Positivismo e às ciências naturais
14. A crítica às Ciências Humanas e à Psicologia
• Segundo Husserl o problema da Psicologia e das Ciências Humanas é ter usado o mesmo métodos das ciências naturais.
• As ciências humanas buscam a medição de seus objetos sem ao menos buscar explicar o que eles são.
• O Psicologismo, segundo Husserl, é uma naturalização forçada dos objetos humanos como se fossem objetos físicos.
15. A Fenomenologia
• A busca pelo conhecimento seguro e verdadeiro, leva Husserl e a defender uma atitude científica (atitude fenomenológica) em relação à experiência.
• Precisamos, dessa forma,  deixar de lado ou colocar entre parênteses todas as nossas suposições, nossos “pré-conceitos” acerca das coisas e da experiência, o “senso comum”.
• Seria como um “limpar a mente”, livrá-la de toda e qualquer interferência, para olharmos pacientemente e cuidadosamente para o que experimentamos.
16. A Epoché Fenomenológica
• Para Husserl não devemos considerar o resultado dos processos perceptivos como descrições objetivas do mundo.
• A Fenomenologia como método, busca exatamente servir de exercício que o sujeito realiza sobre si mesmo para alcançar ideias claras e suspender os seus “pré-juízos”.
• A epoché ou redução fenomenológica é uma atitude que visa colocar entre parênteses todos os hábitos, as convicções ingênuas e as considerações obvias pré-concebidas.
• A atitude fenomenológica visa o esvaziamento da mente de tudo o que é fictício, não necessário, casual e pessoal, para colocar o sujeito na condição de espectador ingênuo e desinteressado do mundo.
• “Depois de assim ser libertado de uma parte de si mesmo, por meio de um trabalho demorado e árduo, será capaz de analisar com a devida objetividade o mundo e os fenômenos da consciência e do espírito”. (NICOLA, 2005).
• Precisamos inicialmente colocar entre parêntesis tudo o que nos é dado do exterior pelos sentidos, para concentrarmos a nossa atenção no próprio ato do pensamento.
• Deve-se colocar entre parênteses tudo o que é acessório, para poder atingir-se a essência pura.
• A epoché é um exercício, uma atitude que busca suspender o juízo sobre os objetos empíricos, sobre tudo o que não aparece como imediatamente evidente ante nossa consciência.
• "O primeiro passo do método fenomenológico consiste em abster-se da atitude natural, colocando o mundo entre parênteses (epoqué). Isso não significa negar sua existência, mas metodicamente renunciar ao seu uso. Ao analisar, após essa redução fenomenológica, a corrente de vivências puras que permanecem, constata que a consciência é consciência de algo. Esse algo chama de fenômeno." (ZILLES, Urbano. Fenomenologia e teoria do conhecimento em Husserl. Revista da Abordagem Gestáltica – XIII(2): 216-221, jul-dez, 2007).
17. “Segundo Husserl, a chamada redução fenomenológica proporciona o acesso ao “modo de consideração transcendental”, ou seja, o “retorno à «consciência»”. Assim, através da “redução fenomenológica” os objetos se revelam na sua constituição. Retornando à «consciência», os objetos aparecem na sua constituição, ou seja, como correlatos da consciência. O retorno, portanto, permite «dissolver o ser na consciência», isto é, permite que o ser (ou ente, ou melhor, o “ser do ente”) se torne «consciência»”. (Dante Augusto Galeffi). 
18. A epoché e a redução fenomenológica
• Para encontrar o fundamento último das coisas, ou sua essência, segundo Husserl, é preciso escapar da atitude natural e ir além da simples experiência prática e imediata, suspender todos os preconceitos, buscando orientar-se apenas por uma evidência apodítica, ou seja, por evidências certas e indubitáveis.
19. A consciência como intencionalidade:
• Para Husserl a consciência não é um depósito de lembranças ou de imagens dos objetos do mundo.
• Ela não é passiva, como se recebesse simplesmente as impressões do mundo e das coisas que afetaram nossos sentidos.
• A consciência é uma atividade direcionada às coisas, ou seja, uma intencionalidade que dá sentido às coisas.
• Portanto a consciência não é uma substância, ela está sempre voltada imediatamente para as coisas, existe sempre visando algo.
• Por isso a consciência é sempre consciência de algo.
• Podemos entender então que a consciência e as coisas formam parte de um mesmo fenômeno.
• É importante compreender que para Husserl as coisas são tais como os fenômenos as apresentam à nossa consciência.
20. Referências e indicações Bibliográficas
• GALEFFI, Dante Augusto. O que é isto — a Fenomenologia de Husserl? Ideação, Feira de Santana, n.5, p.13-36, jan./jun. 2000.
• ZILLES, Urbano. Fenomenologia e teoria do conhecimento em Husserl. Revista da Abordagem Gestáltica – XIII(2): 216-221, jul-dez, 2007.
• NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia. São Paulo: Globo, 2005.

• PENHA, João. O que é o existencialismo. Coleção primeiros passos.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Aula de Filosofia do 3º Ano Ensino Médio Politécnico - M, T, N.

Teoria do Utilitarismo
O Utilitarismo  é uma escola filosófica que nasceu no século XVIII, na Inglaterra. Ela estabelece a prática das ações de acordo com sua utilidade, baseando-se para tal em preceitos éticos. Assim, uma atitude só deve ser concretizada se for para a tranquilidade de um grande número de pessoas. Portanto, antes da efetivação de uma ação, ela deve ser avaliada sob o ponto de vista dos seus resultados práticos.
Esta expressão foi plasmada por Jeremy Bentham, na primeira metade do século XIX, em referência à essência desta doutrina. Mas ela foi usada originalmente por Stuart Mill, que estendeu o uso desta filosofia aos aspectos consistentes da sociedade, tais como sistema político, legislação, Justiça, política econômica, liberdade sexual, entre outros. Ele também idealizou a fundação de uma Sociedade Utilitarista.
Pode-se dizer que do ponto de vista filosófico o Utilitarismo visa alcançar o maior valor da existência humana, a felicidade, não no sentido meramente individual, mas no aspecto coletivo. Economicamente, é também a vantagem de todos que deve servir de parâmetro para se tomar ou não uma decisão, ciente de que ela é ou não correta. Assim, ele é oposto ao cultivo do egoísmo e à tomada de atitudes impulsivas, que não medem as consequências. Segundo esta doutrina, a ação não depende da motivação de quem a pratica, pois uma intenção negativa pode gerar consequências úteis e benéficas.
De certa forma, pode-se afirmar que esta linha filosófica já era cultivada na Antiguidade, principalmente por Epicuro e seus discípulos, na Grécia Antiga. Além disso, alguns pesquisadores apontam a existência, no século XVII, de traços do Utilitarismo na filosofia moralista do Bispo Richard Cumberland. Pouco tempo depois, Francis Hutcheson defendeu que “a melhor ação é a que busca a maior felicidade para o maior número de indivíduos". David Hume também tentou compreender a fonte das virtudes do ponto de vista da sua utilidade.
O Utilitarismo tem um aspecto moral que procura entender a natureza do homem, e para isso leva em conta o fato de que o indivíduo está sempre em busca do prazer, ao mesmo tempo em que tenta fugir da dor. É neste ponto que esta doutrina intervém, pois sua função é propiciar às pessoas o máximo de satisfação e alegria, e por outro lado impedir o sofrimento. Portanto, ser útil é o valor moral mais elevado.
Esta escola filosófica também foi conhecida como radicalismo filosófico, pelo seu empenho em restabelecer os valores éticos e, muitas vezes, em transformar a própria sociedade. A utilidade, para ela, é inclusive sinônimo de felicidade. Há uma diferença, porém, entre os pensamentos de Bentham e Stuart Mill. O primeiro propõe uma visão quantificada das ações, cabendo a seus agentes medir a quantidade de prazer que pode resultar delas, para então decidir se as atitudes devem ou não ser concretizadas.
Já Stuart Mill não concorda com esta racionalização, apostando por sua vez na qualidade, tanto quanto na quantidade. Assim, deve-se perceber, entre os vários tipos de prazer, quais são os melhores e mais valorosos. Desta forma, este filósofo cria uma espécie de hierarquia dos prazeres, na qual os intelectuais e afetivos estão acima dos sensíveis.
Atualmente o Utilitarismo se desdobra em várias direções. Seus principais seguidores, do século XVIII até nossos dias, são James Mill, discípulo de Bentham e genitor de John Stuart, Henry Sidgwick, J. C. Smart, Moore, Singer, Karl Popper e J. Rawls, além dos já citados.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Queridos Alunos devido ao excesso de chuvas as aulas no I.E.E. Marcílio Dias, foram suspensas nos dias 20 e 21 de março, porque a Escola está inundada. A Direção.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Queridos Alunos: Terça e Quarta-Feira não haverá aulas em função da adesão dos professores do I.E.E.Marcílio Dias à Greve Nacional aprovada na Assembleia do CPERS e em repúdio a desconsideração do Governo de Estado Gaúcho para com o Magistério.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Aula de Filosofia 2º Ano Ensino Médio e Normal: M, T e N.

Teoria do conhecimento: Epistemologia

A teoria do conhecimento, também conhecida por epistemologia (termo derivado do grego) é um ramo da filosofia cujas preocupações são a natureza e as limitações do conhecimento. De modo geral a epistemologia quer saber o que é o conhecimento, como ele é adquirido pelo homem. Também se procura conhecer a natureza daquilo que se conhece e como se conhece o conhecimento.
Grande parte dos estudos na área está voltada à análise da natureza do conhecimento de modo geral, e de como isso se liga a noções relacionadas como a verdade, a crença e a justificação. A epistemologia também lida com produção de conhecimento e com as posições céticas sobre o conhecimento. Este campo de estudos foca-se, de modo geral, na origem, métodos, estrutura e valor de verdade do conhecimento.
De modo geral, são distintos dois tipos de conhecimento: “saber que” e “saber como”. O primeiro caso é também chamado de conhecimento proposicional, e o exemplo mais comum é a soma 2 + 2 = 4. Nessa proposição, entretanto, está envolvido também o “saber como”, que nesse caso é o conhecimento em realizar a adição entre dois números.
Assim, há quem prefira manter a distinção clara entre o “saber que” e o “saber como”, sendo que a epistemologia foca o “saber que” especificamente.
Não há um consenso sobre as origens da epistemologia, mas assume-se que começou com o filósofo Platão. Tendo vivido no século IV antes de Cristo, o pensador propunha que havia uma oposição entre o que se considerava opinião/crença e o conhecimento propriamente.
Para o filósofo grego, a crença era caracterizada como uma visão pessoal, enquanto que o conhecimento era a crença efetivamente verdadeira.
Na visão de Platão, a importância está no “saber como” acima referido, ou seja, no conhecimento teórico das coisas. Trata-se do conjunto das informações que descrevem e potencialmente explicam o universo social e natural de que o ser humano faz parte.
Sob a perspectiva platônica, o conhecimento é uma forma descritiva, explicativa e preditiva da realidade. Em outras palavras, serve às dimensões observacionais e descritivas das coisas, bem como a análise do seu modo de funcionamento e, com base nisso, antecipa passos futuros. Essa visão, naturalmente, não pode comportar integralmente a dimensão do “saber que” mencionada anteriormente.
A teoria do conhecimento também se ocupa da natureza da evidência. Tomada como prova, a evidência é um dos critérios para reconhecer a verdade.
Segundo a epistemologia, há diversas posições que um dado sujeito pode aderir quando surge a possibilidade do conhecimento. Algumas delas são as seguintes:
Posição dogmática, em que o sujeito pode obter conhecimentos seguros e de validade universal e de inquestionável certeza;
Posição cética, em que o sujeito levanta dúvida sobre a existência de um conhecimento certo e inquestionável, submetendo as verdades a testes de evidência;
Posição relativista, em que se nega a verdade de valor absoluto e defende-se que todo indivíduo pode ter sua verdade única e individual. Essa posição foi defendida pelos sofistas;
Posição perspectivista, em que existiria uma verdade de fato absoluta, embora o indivíduo ou grupo de indivíduos não seja capaz de obtê-la integralmente. Todo indivíduo teria acesso a fragmentos ou perspectivas de uma verdade única;
Pelo que se disse neste artigo, ficam elencadas, em resumo, as principais formas de atuação e perspectivas do amplo campo da teoria do conhecimento, também denominada de epistemologia nos meios acadêmicos.

Referências Bibliográficas:
BUTCHVAROV, P. “The Concept of Knowledge”. Evanston: Northwestern University Press, 1970.

BOMBASSARO, L. C. “As fronteiras da Epistemologia”. 3a. ed. Petrópolis: Vozes, 1993.
Aula de História 2º Ano Ensino Médio M,T e N.


O ABSOLUTISMO MONÁRQUICO.

CONCEITO: Entende-se por Absolutismo, o processo de centralização política nas mãos do rei. É resultado da evolução política das Monarquias Nacionais, surgidas na Baixa Idade Média; fruto da aliança rei - burguesia.

FATORES DO ABASOLUTISMO

1. Aliança rei - burguesia:

A burguesia possuía um interesse econômico na centralização do poder político: a padronização monetária, dos pesos e medidas. Adoção de mecanismos protecionistas, garantindo a expansão das atividades comerciais; a adoção de incentivos comerciais contribuía para o enfraquecimento da nobreza feudal e este enfraquecimento- em contrapartida- garantia a supremacia política do rei.

2. Reformas Religiosas:

A decadência da Igreja Católica e a falência do poder papal contribuíram para o fortalecimento do poder real. Durante a Idade Média, o poder estava dividido em três esferas:

- poder local, exercido pela nobreza medieval;
- poder nacional, exercido pela Monarquia;
- poder universal, exercido pelo Papado.

Assim, o processo de aliança rei - burguesia auxiliou no enfraquecimento do poder local; as reformas religiosas minaram o poder universal colaborando para a consolidação do poder real.

3.Elementos Culturais:

O desenvolvimento do estudo de Direito nas universidades e a preocupação em legitimar o poder real. O Renascimento Cultural contribuiu para um retorno ao Direito Romano.

MECANISMOS DO ABSOLUTISMO MONÁRQUICO

A) Criação de um Exército Nacional: Instrumento principal do processo de centralização política. Formado por mercenários, com a intenção de enfraquecer a nobreza e não armar os camponeses.

B) Controle do Legislativo: Todas as decisões do reino estavam controladas diretamente pelo rei, que possuía o direito de criar as leis.

C) Controle sobre a Justiça: Criação do Tribunal Real, sendo superior aos tribunais locais (controlados pelo senhor feudal).

D) Controle sobre as Finanças: intervenção na economia, mediante o monopólio da cunhagem de moedas, da padronização monetária, a cobrança de impostos, da criação de Companhias de Comércio e a imposição dos monopólios.

E) Burocracia Estatal: corpo de funcionários que auxilia na administração das obras públicas, fortalecimento o controle do Estado e, consequentemente, o poder real.

TEÓRICOS DO ABSOLUTISMO MONÁRQUICO

Nicolau Maquiavel (1469/1525) - Responsável pela secularização da política, ou seja, ele supera a relação entre ética cristã e política. Esta superação fica clara na tese de sua principal obra, O Príncipe - segundo a qual "os fins justificam os meios". Maquiavel subordina o indivíduo ao Estado, tornando-se assim no primeiro defensor do absolutismo.

Thomas Hobbes (1588/1679) - Seu pensamento está centrado em explicar as origens do Estado. De acordo com Hobbes, o homem em seu estado de natureza é egoísta. Este egoísmo gera prejuízos para todos.
Procurando a sociabilidade, os homens estabelecem um pacto: abdicam de seus direitos em favor do soberano, que passa a Ter o poder absoluto. Assim, o estado surge de um Contrato.
A ideia de contrato denota características burguesas, demonstrando uma visão individualista do homem (o indivíduo preexiste ao Estado) e o pacto busca garantir e manter os interesses dos indivíduos.
A obra principal de Hobbes é "Leviatã".

Jacques Bossuet (1627/1704) e Jean Bodin (1530/1596) Defensores da ideia de que a autoridade real era concedia por Deus. Desenvolvimento da doutrina do absolutismo de direito divino – o rei seria um representante de Deus e os súditos lhe devem total obediência.

Absolutismo na península Ibérica

PORTUGAL- Primeiro país a organizar o Estado Moderno.
Centralização política precoce em virtude da Guerra de Reconquista de cristãos contra muçulmanos.
A centralização do Estado Português ocorreu em 1385, com a Revolução de Avis, onde o Mestre da Ordem de Avis (D. João), com o apoio da burguesia mercantil consolidou o centralismo político.

ESPANHA- O processo de centralização na Espanha também está relacionado com a Guerra de Reconquista e foi fruto de uma aliança entre o Reino de Castela e o Reino de Aragão, em 1469 e consolidado em 1492 - com a expulsão definitiva dos mouros da península.

Absolutismo na França

A consolidação do absolutismo francês está relacionado com a Guerra do Cem Anos: enfraquecimento da nobreza feudal e fortalecimento do poder real.
A principal dinastia do absolutismo francês foi a dos Bourbons: Henrique IV ( 1593/1610 )- precisou abandonar o protestantismo para ocupar o trono real. Responsável pelo Édito de Nantes (1598 ) que concedeu liberdade religiosa aos protestantes.
Luís XIII ( 1610/1643 )- Em seu reinado, destaque para a atuação de seu primeiro-ministro o Cardeal Richelieu.
A política de Richelieu visava dois grandes objetivos: a consolidação do absolutismo monárquico na França e estabelecer, no plano externo, a supremacia francesa na Europa. Para conseguir este último objetivo, Richelieu envolveu a França na guerra dos Trinta Anos (1618/1648), contra a os Habsburgos austríacos e espanhóis.
Luís XIV ( 1643/1715 ) - O exemplo máximo do absolutismo francês, denominado o "rei-sol". Organizou a administração do reino para melhor controle de todos os assuntos. Governava através de decretos e submeteu a nobreza feudal e a burguesia mercantil.
Levou ao extremo a ideia do absolutismo de direito divino. Um dos principais nomes de seu governo foi o ministro Colbert, responsável pelas finanças e dos assuntos econômicos. A partir de seu reinado a França inicia uma crise financeira, em razão das sucessivas guerras empreendidas por Luís XIV. A crise será acentuada com o Édito de Fontainebleau, decreto real que revogou o Édito de Nantes. Com isto, muitos protestantes abandonam a França, contribuindo para uma diminuição na arrecadação de impostos.
A crise do absolutismo prossegue no reinado de Luís XV e atingirá o a ápice com Luís XVI e o processo da Revolução Francesa.

Absolutismo na Inglaterra

O apogeu do absolutismo inglês deu-se com a Dinastia Tudor, família que ocupa o poder após a Guerra das Duas Rosas:
Henrique VIII (1509/1547) - Empreendeu a Reforma Anglicana, após o Ato de Supremacia (1534). Com a reforma, o Estado controla as propriedades eclesiásticas impulsionando a expansão comercial inglesa.
Elizabeth I (1558/1603) - Implantou definitivamente o anglicanismo, mediante uma violenta perseguição aos católicos e aos protestantes.
Iniciou uma política naval e colonial - caracterizada pela destruição da Invencível Armada espanhola e a fundação da primeira colônia inglesa na América do Norte - Virgínia (1584).
Em seu reinado a Inglaterra realiza uma grande expansão comercial, com a formação de Companhias de Comércio e fortalecendo a burguesia.
Com a morte de Elizabeth I (1603), inicia-se uma nova dinastia - Stuart - marcada pela crise do absolutismo inglês.

O MERCANTILISMO

CONCEITO: Política econômica do Estado Moderno baseada no acúmulo de capitais.
A acumulação de capitais dá-se pela atividade comercial, daí o mercantilismo apresentar uma série de práticas para o desenvolvimento das práticas comerciais.

OBJETIVOS: A intervenção do estado nos assuntos econômicos visava o fortalecimento do Estado e o Enriquecimento da burguesia.

PRÁTICAS MERCANTILISTAS

Para conseguir o acúmulo de capitais, a política mercantilista apresentará os seguintes elementos:
Balança comercial favorável: medida que visava a evasão monetária. A exportação maior que a importação auxiliava a manter as reservas de ouro.
Metalismo (bulionismo): necessidade de acumular metais preciosos (ouro e prata).
Intervencionismo estatal: forte intervenção do Estado na economia, com o intuito de desenvolver a produção agrícola, comercial e industrial. O Estado passa a adotar medidas de caráter protecionista - estimular a exportação e inibir a importação, impondo pesadas tarifas alfandegárias.
Monopólios: elemento essencial do protecionismo econômico. O Estado garante o exclusivismo comercial sobre um determinado produto e/ou uma determinada área.

TIPOS DE MERCANTILISMO

Cada Estado Moderno buscará a acumulação de capitais obedecendo suas próprias especificidades.

PORTUGAL - Mercantilismo agrário, o acúmulo de capitais virá da atividade agrícola na colônia (Brasil).

ESPANHA - Metalismo, em razão da grande quantidade de ouro e prata da América. O grande afluxo de metais trouxe uma alta dos preços das mercadorias e desencadeou uma enorme inflação. Este processo é conhecido como revolução dos preços.

FRANÇA: Produção de artigos de luxo para a exportação. Também conhecido como Colbertismo, por causa do ministro Jean Colbert.

INGLATERRA: Num primeiro momento, a Inglaterra consegue acúmulo de capitais através do comércio, principalmente após o Ato de Navegação de 1651. O grande desenvolvimento comercial vai impulsionar a indústria. Esta última se tornará na atividade principal para a Inglaterra conseguir o acúmulo de capitais.

HOLANDA: desenvolve o mercantilismo misto, ou seja, comercial e industrial.

MERCANTILISMO E FORMAÇÃO DO SISTEMA COLONIAL

A principal dificuldade do mercantilismo residia na necessidade que todos os países tinham de manter uma balança comercial favorável, ou seja, todos queriam exportar, porém nenhum gostava de importar.
Para solucionar este problema e que será montado o Sistema Colonial. As áreas coloniais, mediante o denominado pacto colonial, auxiliava a Europa no processo de acumulação de capitais ao vender a preços muito baixos - matéria-prima e comprar - a preços elevados, os produtos manufaturados.

CONSEQÜÊNCIAS

O processo de acúmulo de capitais, impulsionado o capitalismo;
A formação do Sistema Colonial Tradicional ( séculos XVI/XVIII);

O desenvolvimento do escravismo moderno, onde o escravo é visto como mão-de-obra e mercadoria.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Aula de História 2º Ano Ensino Médio.

Feudalismo na Idade Média 
Sociedade Medieval, Economia, Influência da Igreja, Idade Média, organização do feudo, suseranos e vassalos, senhor feudal, cavaleiros, servos, sistema feudal.

Introdução 
O feudalismo tem inicio com as invasões germânicas (bárbaras), no século V, sobre o Império Romano do Ocidente (Europa). As características gerais do feudalismo são: poder descentralizado (nas mãos dos senhores feudais), economia baseada na agricultura e utilização do trabalho dos servos. 
Estrutura Política do Feudalismo 
Prevaleceram na Idade Média as relações de vassalagem e suserania. O suserano era quem dava um lote de terra ao vassalo, sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu suserano. O vassalo oferece ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho, em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem se estendiam por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso.
Todos os poderes, jurídico, econômico e político concentravam-se nas mãos dos senhores feudais, donos de lotes de terras (feudos).

Sociedade feudal 
A sociedade feudal era estática (com pouca mobilidade social) e hierarquizada. A nobreza feudal (senhores feudais, cavaleiros, condes, duques, viscondes) era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses. O clero (membros da Igreja Católica) tinha um grande poder, pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade. Era isento de impostos e arrecadava o dízimo. A terceira camada da sociedade era formada pelos servos (camponeses) e pequenos artesãos. Os servos deviam pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corvéia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da produção), banalidade (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal).
Economia feudal
A economia feudal baseava-se principalmente na agricultura. Existiam moedas na Idade Média, porém eram pouco utilizadas. As trocas de produtos e mercadorias eram comuns na economia feudal. O feudo era a base econômica deste período, pois quem tinha a terra possuía mais poder. O artesanato também era praticado na Idade Média. A produção era baixa, pois as técnicas de trabalho agrícola eram extremamente rudimentares. O arado puxado por bois era muito utilizado na agricultura.
Religião 
Na Idade Média, a Igreja Católica dominava o cenário religioso. Detentora do poder espiritual, a Igreja influenciava o modo de pensar, a psicologia e as formas de comportamento na Idade Média. A igreja também tinha grande poder econômico, pois possuía terras em grande quantidade e até mesmo servos trabalhando. Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte do tempo rezando e copiando livros e a Bíblia.
As Guerras 
A guerra no tempo do feudalismo era uma das principais formas de obter poder. Os senhores feudais envolviam-se em guerras para aumentar suas terras e poder. Os cavaleiros formavam a base dos exércitos medievais. Corajosos, leais e equipados com escudos, elmos e espadas, representavam o que havia de mais nobre no período medieval. O residência dos nobres eram castelos fortificados, projetados para serem residências e, ao mesmo tempo, sistema de proteção.

Educação, artes e cultura
A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Marcada pela influência da Igreja, ensinava-se o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros.
A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade da época. As pinturas retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião.
Podemos dizer que, em geral, a cultura e a arte medieval foram fortemente influenciadas pela religião. Na arquitetura destacou-se a construção de castelos, igrejas e catedrais.
O fim do feudalismo
O feudalismo não terminou de uma hora para outra, ou seja, de forma repentina. Ele foi aos poucos se enfraquecendo e sendo substituído pelo sistema capitalista. Podemos dizer o feudalismo começou a entrar em crise, em algumas regiões da Europa, já no século XII, com várias mudanças sociais, políticas e econômicas. O renascimento comercial, por exemplo, teve um grande papel na transição do feudalismo para o capitalismo.
           Crise do Feudalismo
           As causas que levaram a crise do feudalismo na Europa, a decadência do sistema feudal crise do feudalismo - comércio com o oriente.
O contato comercial com o oriente contribuiu para a crise do feudalismo.
Causas da crise do feudalismo
A partir do século XII, ocorreram várias transformações na Europa que contribuíram para a crise do sistema feudal:
- O renascimento comercial impulsionado, principalmente, pelas Cruzadas;
- O aumento da circulação das moedas, principalmente nas cidades. Este fator desarticulou o sistema de trocas de mercadorias, característica principal do feudalismo;
- Desenvolvimento dos centros urbanos, provocando o êxodo rural (saída de pessoas da zona rural em direção às cidades). Muitos servos passaram a comprar sua liberdade ou fugir, atraídos por oportunidades de trabalho nos centros urbanos;
- As Cruzadas proporcionaram a volta do contato da Europa com o Oriente, quebrando o isolamento do sistema feudal;
- O surgimento da burguesia, nova classe social que dominava o comércio e que possuía alto poder econômico. Esta classe social foi, aos poucos, tirando o poder dos senhores feudais;
- Com o aumento dos impostos, proporcionados pelo desenvolvimento comercial, os reis passaram a contratar exércitos profissionais. Este fato desarticulou o sistema de vassalagem, típico do feudalismo;

- No final do século XV, o feudalismo encontrava-se desarticulado e enfraquecido. Os senhores feudais perderam poder econômico e político. Começava a surgir as bases de um novo sistema, o capitalismo.