domingo, 16 de junho de 2013

GRÉCIA ANTIGA – BERÇO DA CIVILIZAÇÃO.
PROF. Edson Couto
CONTEÚDO – Resumo da 1ª Aula
Berço da Civilização Ocidental
Grécia Antiga deixou ao Ocidente um legado sem precedentes na História. Além da filosofia, que teve lá seu início a partir do século VI a.C., os gregos da Antiguidade criaram a democracia, construíram monumentos inigualáveis e ajudaram a estabelecer os princípios que levaram o mundo ocidental ao seu desenvolvimento. Atenas, capital da Grécia, como não poderia deixar de ser, foi uma grande protagonista desses tempos de glória. Mais do que isso: foi o símbolo maior da civilização grega, de seus valores e parâmetros morais, políticos e artísticos.
Nas ruas de Atenas nasceram a filosofia e a democracia, foram encenadas obras dramáticas que marcaram a História e lá estão ainda hoje as marcas de uma era em que os gregos dominaram o mundo. Por conta de seu poderio, Atenas travou muitas guerras ao longo da Antiguidade. Uma das mais famosas foi contra Esparta, cidade grega que era sua antagonista.
Disciplinados e guerreiros, os cidadãos de Esparta tinham como norma a rigidez, a austeridade e a submissão total do indivíduo ao Estado. Ainda hoje, se procurarmos a palavra "espartano" no dicionário de língua portuguesa, encontraremos o significado: "aquele que é sóbrio, rigoroso, austero e virtuoso".
Além de Atenas e Esparta, a Grécia também nos oferece muitos tesouros arqueológicos e naturais em cidades como Tebas, Corinto e Delfos, além de suas ilhas paradisíacas (a mais famosa delas é a de Creta).
No campo da arte, os gregos conseguiram harmonizar as formas da natureza com as formas ditadas pelo espírito, conceito que percorreu toda a arte produzida na Grécia Antiga e constitui um princípio básico da estética ocidental, especialmente em seus momentos de recuperação dos valões clássicos. Como podemos ver, os mistérios e tesouros deixados pela Grécia Antiga continuam quase tão presentes quanto há milhares de anos. Por isso, vale a pena mergulhar neste mundo de descobertas.

As invasões Indo Européias (Formação do povo Grego)
Hélade, território dos antigos gregos, abrangia o sul dos Bálcãs (Grécia Continental), a Península do Peloponeso (Grécia Peninsular) e as ilhas do mar Egeu (Grécia Insular), além de colônias na costa da Ásia Menor e na Região conhecida como Magna Grécia – a Sicília e o sul da Península Itálica. Seu primeiro polo cultural foi a ilha de Creta, a maior do Egeu. A civilização cretense floresceu entre 2000 e 1400 a.C., antes da chegada das tribos helênicas à região. Nesse período, Creta dominou o comércio marítimo no Mediterrâneo e estendeu sua influência à Grécia Continental.
Dos Heróis de Homero ao “Período obscuro”
No século XII a.C., a sociedade cretense foi subjugada pelos aqueus, tribos de origem indo-européia que se estabelecera em Micenas e em outras cidades da Grécia Continental.
Sob a hegemonia de Micenas, os aqueus também conquistaram a cidade de Tróia, Na Ásia Menor, numa guerra que se estendeu por dez anos.
Diz a lenda que o conflito resultou no rapto de Helena, a linda esposa de Menelau, rei de Esparta, pelo príncipe Paris, filho do rei Príamo, de Tróia. Em meados do século VII a.C., os episódios da guerra inspirariam uma obra prima da literatura grega e mundial: o poema épico Ilíada (Tróia também era chamada de Ílion), atribuído a Homero. Ele também é considerado o autor de outra obra prima.

A Odisséia, que conta as aventuras do herói grego Odisseus (Ulisses) em seu retorno para casa, após a Guerra de Tróia. Outros grupos apresentados aos aqueus, como os eólios e os jônios, invadiram a Hélade até o século XII a.C., quando finalmente os dórios dominaram a região e provocaram o colapso da cultura micênica. A partir de então, o mundo grego atravessou um período difícil, designado por alguns historiadores como “Idade das Trevas” ou “Período Obscuro”.
2ª e 3ª AULA DE FILOSOFIA 2º ANO ENS. MÉDIO, M,T ,N

Concepções de Ética que Marcaram a História Ocidental
Ao longo da história da humanidade, a ética foi entendida como parte integrante da filosofia. Os filósofos procuraram estabelecer princípios e pressupostos que caracterizaram o campo de compreensão da ética e da moral. Em cada uma das épocas, o campo de compreensão se ampliava e adquiria novos sentidos, fazendo com que as ações e as condutas das pessoas fossem compreendidas de maneira diferente.
A ética e a moral nos remetem à ideia de costumes. Muitas foram as teorias e as concepções que se formaram entre os pensadores do assunto. Por isso, passo a apresentar de maneira resumida, algumas concepções de ética que marcaram a discussão ao longo de nossa história da humanidade. Estas concepções não devem ser entendidas como um conjunto fixo e irredutível de prescrições, mas dentro do seu contexto histórico.
a) A Ética na Concepção Socrática
Foi com os primeiros filósofos gregos, principalmente com Sócrates, que teve início a discussão sobre Ética. Para Sócrates, a moral parte do princípio de que a felicidade humana é resultado de uma vida virtuosa, ou seja, de que a felicidade é a própria perfeição ética. O bem consiste no proveito de todos. O homem, agindo pelo interesse comum, ganha também a própria felicidade, que reside precisamente na consciência do agir de acordo com a justiça, no domínio de si mesmo e dos próprios impulsos. Para Sócrates, é virtuoso quem é sábio e pratica o bem, do contrário, quem não conhece o bem e não o pratica é infeliz. Aqueles que praticam o mal fazem-no por ignorância. Portanto, a origem de todos os males está na ignorância. (SCIACCA, 1995),
b) A Ética na Concepção Aristotélica
Os gregos desenvolveram outras formas de compreender a ética. Para Aristóteles, a Ética está vinculada à vida prática. É nesse sentido que Aristóteles, na obra Ética a Nicômaco, trata dos conceitos de Ética com maior detalhe, cuja preocupação principal, acima de qualquer coisa, é com o bem comum. A vida boa, que todo ser humano deseja, é o que chamamos de felicidade, que se refere a certa forma de viver que, no entanto, como a natureza humana, é complexa e, muitas vezes, apresenta tendências adversas, sendo preciso submetê-la a certas regras ou critérios racionais que equilibrem a felicidade entre os demais. Conseguir esse equilíbrio (meio termo) é o que Aristóteles chama de virtude, apresentada como um componente essencial da felicidade.
O fim da medicina é a saúde, o da construção naval é um navio, o da estratégia militar é a vitória, e o da economia é a riqueza. Se existe então, para as coisas que fazemos, algum fim que desejamos por si mesmo e tudo o mais é desejado por causa dele [...] evidentemente tal fim deve ser o bem, ou melhor, o sumo bem (ARISTÓTELES, 2003, p. 17).
A virtude não é uma atividade adversa da felicidade, mas um hábito ou uma maneira habitual de ser. Como tal, não pode ser adquirida da noite para o dia porque depende de muito exercício, que não se caracteriza como uma ; atividade, mas como uma disposição para agir sempre da mesma forma nas ações futuras. É nesse sentido que, na Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma que "a virtude moral é adquirida em resultado do hábito"; em que se configura a ética como uma ciência prática, pois como diz ele, "[...] não investigamos para saber o que é a virtude, mas a fim de nos tornarmos bons, do contrário o nosso estudo seria inútil [...]." (ARISTÓTELES, 2003, p. 27).
c) A Ética na Concepção Cristã
    Na Idade Média, o cristianismo exerceu um domínio muito forte sobre a da das pessoas, consequentemente, influenciou na maneira de organizar- se e de relacionar-se. O relacionamento, nesta época, não estava ligado retamente à questão político-social, mas ao comportamento individual com Deus.
A concepção de ética na Idade Média se diferenciava da concepção grega. A principal diferença estava na ideia de que a virtude se define na relação com Deus e não com a sociedade e nem com os outros. Portanto, a nossa relação com os outros depende da qualidade de nossa relação com Deus. Por esse motivo, a fé e a caridade eram as duas virtudes cristãs indispensáveis para um bom relacionamento com Deus.
d) A Ética na Concepção Antropocêntrica
Com o início do desenvolvimento do capitalismo e da ciência, a sociedade passa a ser entendida a partir do indivíduo e não mais a partir dos interesses da coletividade. Ou seja, para os gregos, a comunidade era vista como algo constitutivo do ser humano e que tinha sua realização na "polis". Na idade Média, a comunidade era compreendida como algo imutável e pré-estabelecido por Deus, cabendo ao homem apenas aceitar as determinações impostas pela Igreja e segui-las. A ética era entendida a partir da ideia do dever. As pessoas deveriam ter: "deveres para com Deus, deveres para consigo mesmo e deveres para com o próximo." (VIDAL, 1981, p. 33).
Posteriormente, na Idade moderna, o homem se apega à ciência como construtora de sua vida. O dever passa a ser compreendido como um postulado racional universal que deve regular a vida dos cristãos e não cristãos na sociedade. Um dos filósofos que procurou dar uma resposta a essas dificuldades foi Rousseau, no século XVIII. Para ele, a consciência moral e o sentimento do dever são inatos e independem da nossa vontade. Chauí (1997, p. 344) faz a seguinte reflexão sobre as ideias de Rousseau no que se refere à ética do dever e a consciência moral:
[...] nascemos puros e bons, dotados de generosidade e benevolência para com os outros. Se o dever parece ser uma imposição e urna obrigação externa, imposta por Deus aos humanos, é porque nossa bondade natural foi pervertida pela sociedade, quando esta criou a propriedade privada e os interesses privados, tornando-os egoístas, mentirosos e destrutivos.
Rousseau (1983) defende uma ética do coração, onde o dever simplesmente nos faz recordar da nossa natureza originária, que é seguir as predeterminações impostas a nós antes de nascermos. Nesse sentido, devemos obedecer não a nossa razão, que é perversa e egoísta, mas aos nossos sentimentos e emoções que constituem o nosso ser, que é dotado de bondade e ternura.
Mas é com Kant, filósofo alemão (1724-1804), que a ética dos tempos modernos adquire uma característica mais individualista influenciada pela ciência, onde os aspectos racionais e antropológicos passam a ser referências diretas para toda e qualquer conduta humana e para o sistema capitalista. Immanuel Kant, contrariando as ideias defendidas por Rousseau, afirmava que somos, por natureza, dotados de bondade e de maldade e que nossos atos não dependem de nossa vontade própria, a qual temos que seguir pelos impulsos do coração. Santos (1997, p. 87) faz a seguinte reflexão sobre a ética em Kant: "o homem é um ser determinado e sabe que não pode ser totalmente livre, mas pela sua força de vontade é capaz de fazer o bem e rejeitar o mal".
Em síntese, a ética kantiana se baseia nos seguintes princípios ou regras, a saber: qualquer conduta aceita como padrão ético deve valer para todos os que se encontrem na mesma situação, sem exceções; só se deve exigir dos outros o que exigimos de nós mesmos; devemos agir de alguma forma que a causa que nos levou a agir possa ser transformada em lei universal. (KANT, 1974).
e) A Ética na Concepção Marxista
Um dos maiores pensadores do mundo moderno, Karl Marx, afirmou que as transformações sociais são produzidas pela luta de classes e que seu objetivo era construir uma sociedade sem classes. Mas, segundo Marx, numa sociedade onde vivem exploradores e explorados é a moral da classe dominante que predomina. Os valores, como liberdade, amizade e felicidade, são hipócritas porque são irrealizáveis numa sociedade fundada em classes sociais. Portanto, falar em moral ou ética universal numa sociedade dividida em classes é completamente falso, é camuflar os interesses antagônicos das classes para manter a dominação de uma sobre a outra. Somente poderá existir uma ética verdadeira quando vivermos numa sociedade sem Estado, sem classes e sem propriedade privada.
f) A Ética na Concepção de Jürgen Habermas
Para Jürgen Habermas, que nasceu na Alemanha em 1929, a ética se baseia no uso da razão prática e busca o que é bom, tanto para o indivíduo como para a coletividade. De acordo com o pensamento de Habermas, o comportamento prático do cidadão deve orientar-se pelo ideal da vida boa. A vida boa é definida pelo grupo social ao qual o indivíduo pertence; trata-se de um ideal coletivo ancorado na tradição. O cidadão deve buscar uma forma de integrar-se ao projeto coletivo que respeite também as características de sua individualidade.
g) A Ética da Libertação de Enrique Dussel.
     Nascido em 1934, na cidade de Mendoza (Argentina), é considerado um importante representante da Filosofia da Libertação. Desenvolve seu pensamento tendo como base a realidade latino-americana de dominação e opressão. Defensor dos mais pobres, sua concepção de Ética tem como princípio primeiro defender a vida a partir de um continente oprimido e marginalizado.
    A ética ou a moral é sempre certo respeito ao outro. Como crítico do processo de colonização, adotado pelos povos europeus, Dussel (1977, p. 47) apresenta o princípio primeiro e supremo da ética latino-americana, que é:
   "Não mates o Outro, ame-o com amor-de-justiça". "Não o mates" porque então permanecerás "só"[...]. Não só deves deixá-lo viver ("deixar viver" é condição da afirmação da negação da negação: "não mates'); é ainda necessário amá-lo como outro, e pode depois dar-lhe o que é justo aquele que assim ama o Outro benevolentemente.
   Ao contrário, o mal é a "negação do Outro" no sentido de não poder fazer parte do processo histórico, consequentemente, vive excluído da sociedade. A maldade é o desprezo ao Outro, enquanto a bondade é acolher o outro. Portanto, a origem do bem está no Outro. Em síntese, a ética, para Enrique Dussel, é ouvir a voz do outro. Aquele que ouve a voz do outro ou a sua palavra está praticando a justiça.
h) A Ética para Paulo Freire
    Considerado um dos principais representantes da Educação brasileira, Paulo Freire não desenvolveu um conjunto de princípios ou teorias a serem seguidas, mas sua ética se apresenta mais como um olhar ou uma ótica que perpassa todas as dimensões da vida, desde as questões mais simples até as situações mais complexas da vida.
    A ética se manifesta na capacidade que as pessoas têm de relacionar as suas vivências. Quando somos capazes de comparar, intervir, romper, tornamo-nos seres éticos, estamos caminhando para a libertação da opressão e da marginalização sofrida na sociedade. Além disso, a ética se manifesta na capacidade de indignar-se contra as crueldades que acontecem. "Está errada a educação que não reconhece na justa raiva, na raiva que protesta contra as injustiças, contra a deslealdade, contra o desamor, contra a exploração e a violência um papel altamente formador." (FREIRE, 1996, p. 45).
    Em síntese, para Paulo Freire (apud BARRETO, 1998, p.58), "é exatamente a vida, que aguçando nossa curiosidade, nos leva ao conhecimento; é o direito de todos à vida que nos faz solidários; é a opção pela vida que nos torna éticos".
   Em linhas gerais, as ideias até aqui apresentadas sobre as diferentes concepções de éticas nos permitem concluir que ela não está pronta e acabada, mas em constante processo de construção. Além do mais, condição essencial para o exercício de qualquer profissão, tema este que será desenvolvido na próxima seção.
Atividade de Estudos:
1)         Apresente as principais características da ética e da moral.

2)         Na leitura do texto sobre as concepções de ética que marcaram a história ocidental, você pode perceber que há diferentes explicações e compreensões para a ética. Procure sintetizar, em uma ou duas frases, cada uma das concepções de ética apresentada.

a)         A Ética na concepção socrática.

b)         A Ética na concepção aristotélica.

c)         A Ética na concepção Cristã.

d)         A Ética na concepção antropocêntrica.

e)         A Ética na concepção marxista.

f)          A Ética na concepção de Jürgen Habermas.

g)         A Ética da Libertação de Enrique Dussel.

h)         A Ética para Paulo Freire.

3) Leia o texto que segue:
   Uma jovem descobre que está grávida. Sente que seu corpo e seu espírito ainda não estão preparados para a gravidez. Sabe que seu parceiro, mesmo que deseje apoiá-la, é tão jovem e despreparado quanto ela e que ambos não terão como se responsabilizar plenamente pela gestação, pelo parto e pela criação de um filho. Ambos estão desorientados. Não sabem se poderão contar com o auxílio de suas famílias (se as tiverem).
   Se ela for apenas estudante, terá que deixar a escola para trabalhar, a fim de pagar o parto e arcar com as despesas da criança. Sua vida e seu futuro mudarão para sempre. Se trabalha, sabe que perderá o emprego, porque vive numa sociedade onde os patrões discriminam as mulheres grávidas, sobretudo as solteiras. Receia não contar com os amigos. Ao mesmo tempo, porém, deseja a criança, sonha com ela, mas teme dar-lhe uma vida de miséria e ser injusta com quem não pediu para nascer. Pode fazer um aborto? Deve fazê-lo? (CHAUI, 1997, p. 334).
   A partir deste problema ético, procure dar uma resposta para o caso e fundamente em um dos princípios éticos apresentados na questão 2.
ÉTICA PROFISSIONAL
   Até aqui apresentamos as diferenças entre ética e moral e as principais teorias éticas que se formaram ao longo da história da humanidade. Todas essas idéias apresentadas até então irão servir de base para a compreensão das questões relativas à ética profissional. Primeiramente, discutiremos a questão da boa forma ética e, posteriormente, a ética profissional e a função do código de ética na sociedade.
a) A Boa Forma Ética
   Antes de abordamos o tema ética profissional, gostaria de destacar um ponto muito importante e que está relacionado a questão da formação ética. Será que já nascemos bons ou ruins? Será que já nascemos com os valores éticos e morais ou será que eles são construídos ao longo de nossa vida
   Alguns autores utilizam a expressão deontologia como sinônimo para se referir à ética profissional. Deontologia é de origem grega: déon que significa convincente, necessário, obrigatório; e logia que significa conhecimento ou estudo. Portanto, a deontologia é um conjunto de conhecimentos exigidos nas atividades profissionais. Em nossos estudos não vamos utilizar a expressão deontologia, mas ética profissional, pois entendemos que melhor caracteriza a relação da ética com a atividade profissional.
    Primeiramente, ética profissional significa a aplicação dos valores e das normas no exercício profissional. Para a sua aplicação são elaborados códigos de conduta que regulam o relacionamento entre os membros de uma profissão. Como exemplo, podemos citar o código de ética dos advogados, contabilistas, profissionais de educação física, engenheiros entre outros.
   Mas o que é ética profissional? A seguir apresentamos algumas das definições de ética profissional na opinião de alguns autores.
    Segundo Santos (1997, p. 15), ética profissional é:
    [...] a reflexão sobre a atividade produtiva, para dali extrair o conjunto excelente de ações, relativas ao modo de produção. Atividade produtiva tem hábitos e costume próprios, tem também acordos que asseguram a produção de justiça mínima no decorrer de seu exercício e constituem, ambos, o objeto da ética profissional.
    Já para Camargo (1999, p. 31), "a ética profissional é a aplicação da ética geral no campo das atividades profissionais; a pessoa tem que estar imbuída de certos princípios ou valores próprios do ser humano para vivê-los nas suas atividades de trabalho."

   Em suma, a ética profissional não se resume a um conjunto de leis ou regras que disciplina o exercício de uma profissão, mas vai muito além. Diz respeito ao agir de cada profissional perante o seu grupo de trabalho e no relacionamento com os demais profissionais. 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

2ª Aula de FILOSOFIA 2º Ano M. 2º Trimestre
A FILOSOFIA: DO PERÍODO CLÁSSICO AO
GRECO-ROMANO

Em  479a.C, com a vitória dos gregos sobre os persas, consolida-se a democracia em Atenas.  A ideia de "homem" passa a ser identificada com a concepção de "cidadãos da polis".  As preocupações e especulações filosóficas concentram-se, a partir desse momento, não mais na relação do homem com a natureza.
O que importa agora é a relação entre seres humanos: a vida social.
"O homem é um animal político", diria Aristóteles. É o nascimento da filosofia clássica. O mundo nunca mais será o mesmo.

Sofistas
Os primeiros mestres na arte da argumentação
O período pré-socrático foi dominado, em grande parte, pela investigação da natureza. Essa investigação tinha como vimos no capítulo anterior, um sentido cosmológico. Era a busca de explicações racionais para o universo,  manifestada na procura de um princípio primordial, (arché) para todas as coisas existentes. Seguiu-se a esse período uma nova fase filosófica, caracterizada pelo interesse no próprio homem e nas relações do homem com a sociedade. Essa nova fase foi marcada, no início, pelos sofistas.
Etimologicamente, o termo sofista significa sábio. Entretanto, com o decorrer do tempo, ganhou o sentido de impostor, devido, sobretudo, às críticas de Platão.
Os sofistas eram professores viajantes que, por determinado preço, vendiam ensinamentos práticos de filosofia. Levando em consideração os interesses dos alunos, davam aulas de eloquência e de sagacidade mental. Ensinavam conhecimentos úteis para o sucesso nos negócios públicos e privados.
O momento histórico vivido pela civilização grega favoreceu o desenvolvimento desse tipo de atividade praticada pelos sofistas. Era uma época de lutas políticas e intenso conflito de opiniões nas assembleias democráticas. Por isso, os cidadãos mais ambiciosos sentiam necessidade de aprender a arte de argumentar em público para,  manipulando   as   assembleias, fazerem prevalecer seus interesses individuais e de classes.
As lições dos sofistas tinham como objetivo, portanto, o desenvolvimento do poder de argumentação, da habilidade retórica, do conhecimento de doutrinas divergentes. Eles transmitiam, enfim, todo um jogo de palavras, raciocínios e concepções que se ria utilizado na arte de convencer as pessoas, driblando as teses dos adversários.
Todas essas características dos ensinamentos dos sofistas favoreceram o surgimento de concepções filosóficas relativistas sobre as coisas. Segundo essas concepções, não haveria uma verdade única, absoluta. Tudo seria relativo ao homem, ao momento, a um conjunto de fatores e circunstâncias.

Nem heróis, nem vilões
Foi, sobretudo, devido a Platão que se considerou a sofística apenas uma atitude viciosa do espírito, uma arte de manipular raciocínios, de produzir o falso, de iludir os ouvintes, sem qualquer amor pela verdade,
Entretanto, abordagens mais recentes sobre a atuação dos sofistas procuram mostrar que o relativismo de suas teses fundamenta-se numa concepção flexível sobre os homens, a sociedade e a compreensão do real. Para os sofistas, as opiniões humanas são infindáveis, diversas e irredutíveis a uma única verdade. Não existem valores ou verdades absolutas.
É importante lembrar que não há uma única doutrina sofistica, O quê há são alguns pontos comuns entre as concepções de certos sofistas como Protágoras, Górgias e outros.
Protágoras de Abdera: o homem como medida
O homem é a medida de todas as coisas; daquelas que são, enquanto são; e daquelas que não são, enquanto não são.
PROTÁGORAS


Estátua de Apoio. A idealização da figura
Nascido em Abdera, cidade litorânea entre a Macedônia e a Trácia, Protágoras (480-410 a.C.) é considerado o primeiro e um dos mais importantes sofistas. Ensinou por muito tempo em Atenas, tendo como princípio básico de sua doutrina a ideia de que o homem é a medida de tudo o que existe.
Conforme essa concepção, todas as coisas são relativas às disposições do homem, isto é, o mundo é o que o homem constrói e destrói. Por isso não haveria verdades absolutas. Toda verdade se ria relativa a um determinado homem, grupo de homens ou sociedade.
A filosofia de Protágoras sofreu críticas em seu tempo por dar margem a um grande subjetivismo: tal coisa é verdadeira se para mim parece verdadeira. Assim, qualquer tese poderia ser encarada como falsa ou verdadeira, dependendo do ponto de vista de cada pessoa.
Górgias de Leontini: o grande orador
O bom orador é capaz de convencer qualquer pessoa sobre qualquer coisa.
GÓRGIAS

Górgias de Leontini (487-380 a.C, aproximadamente), considerado um dos maiores oradores da Antiguidade, aprofundou o subjetivismo relativista de Protágoras a ponto de defender o ceticismo o absoluto. Afirmava que:
         a. nada existia;
         b. se existisse, não poderia ser conhecido;
         c. mesmo que fosse conhecido, não poderia ser comunicado a ninguém.

Sócrates de Atenas
O homem que subia perguntar
Ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que saiba o que não sei.
SÓCRATES

Nascido em Atenas, Sócrates (469-399 a.C.) é tradicionalmente considerado um marco divisório da história da filosofia grega. Por isso, os filósofos que o antecederam são chamados de pré-socráticos e os que o sucederam, de pós-socráticos. O próprio Sócrates, porém, não deixou nada escrito, e o que se sabe dele e de seu pensamento vem dos textos de seus discípulos e de seus adversários.
Conta-se que Sócrates era filho de um escultor e de uma parteira. Uma dupla herança que, simbolicamente, o levou a esculpir uma representação autêntica do homem, fazendo-o dar à luz suas próprias ideias.
O estilo de vida de Sócrates assemelhava-se, exteriormente, ao dos sofistas, embora não "vendesse" seus ensinamentos. Desenvolvia o saber filosófico em praças públicas, conversando com os jovens, sempre dando demonstrações de que era preciso unir a vida concreta ao pensamento. Unir o saber ao fazer, a consciência intelectual à consciência prática ou moral.
O autoconhecimento era um dos pontos fundamentais da filosofia socrática. "Conhece-te a ti mesmo", frase inscrita no templo de Apoio, era a recomendação básica feita por Sócrates a seus discípulos.
Sua filosofia era desenvolvida mediante diálogos críticos com seus interlocutores. Esses diálogos podem ser divididos em dois momentos básicos: a ironia e a maiêutica.

A ironia
Na linguagem cotidiana, a ironia tem um significado depreciativo, sarcástico ou de zombaria.  Mas não é esse o sentido da ironia socrática. No grego, ironia quer dizer interrogação. De fato, Sócrates interrogava seus interlocutores sobre aquilo que pensavam saber. O que é o bem? O que é a justiça? E a coragem? E a piedade? São exemplos de algumas perguntas feitas por ele.
No decorrer do diálogo, atacava de modo implacável as respostas de seus interlocutores. Com habilidade de raciocínio, procurava evidenciar as contradições afirmadas, os novos problemas que surgiam a cada resposta. Seu objetivo inicial era demolir, nos discípulos, o orgulho, a arrogância e a presunção do saber. A primeira virtude do sábio é adquirir consciência da própria ignorância. "Sei que nada sei", dizia Sócrates.
A ironia socrática tinha um caráter purificador   na  medida em que levava os discípulos a confessarem suas próprias contradições e ignorâncias, onde antes só julgavam possuir certezas e clarividências.
Nesta fase do diálogo, a intenção fundamental de Sócrates não era propriamente destruir o conteúdo das respostas dadas pelos interlocutores, mas fazê-los tomar consciência profunda de suas próprias respostas, das consequências que poderiam ser tiradas de suas reflexões, muitas vezes repletas de conceitos vagos e imprecisos.
A maiêutica

Libertos do orgulho e da pretensão de que tudo sabiam, os discípulos podiam então iniciar o caminho da reconstrução de suas próprias ideias. Novamente, Sócrates lhes propunha uma série de questões habilmente colocadas.
Nesta segunda fase do diálogo, o objetivo de Sócrates era ajudar seus discípulos a conceberem suas próprias ideias. Assim, transportava para o campo da filosofia o exemplo de sua mãe, Fenareta, que, sendo parteira, ajudava a trazer crianças ao mundo. Por isso, essa fase do diálogo socrático, destinada à concepção de ideias, era chamada de maiêutica, termo grego que significa arte de trazer à luz.

Um corruptor da juventude?
Sócrates não dava importância à posição socioeconômica de seus discípulos. Dialogava com ricos e pobres, cidadãos e escravos. O que importava eram as condições interiores, psicológicas, de cada pessoa, pois essas condições eram indispensáveis ao processo de autoconhecimento.
Para a democracia ateniense, da qual não participava a maioria da população, composta de escravos, estrangeiros e mulheres, Sócrates foi considerado subversivo. Representava uma ameaça social, na medida em que desrespeitava a ordem vigente e dirigia suas atenções para as pessoas, sem fazer distinções de classe ou posição social. Interessado tão-somente na prática da virtude e na busca da verdade, contrariava os valores dogmáticos da sociedade ateniense. Por isso, recebeu a acusação de ser injusto com os deuses da cidade e de corromper a juventude. No final do processo foi condenado a beber cicuta (veneno extraído de uma planta do mesmo nome).
Diante de seus juízes, Sócrates assumiu uma postura viril, altaneira, imperturbável, de quem nada teme. Permanecia absolutamente em paz com sua própria consciência. Se alguém lhe perguntasse "Não te envergonhas, Sócrates, de ter dedicado a vida a uma atividade pela qual te condenam à morte?", ele responderia: que um homem de bem deve ficar pesando, ao praticar seus atos, sobre as possibilidades de vida ou de morte. O homem de valor moral deve considerar apenas, em seus atos, se eles são justos ou injustos, corajosos ou covardes. (PLATÃO. Defesa de Sócrates, p. 14 (texto adaptado pelo Autor)).
Foi assim que Sócrates procurou caracterizar sua vida: construindo uma personalidade corajosa e guiando sua conduta pelo seu critério de justiça. Viveu conforme sua própria consciência. Morreu sem ter renunciado a seus mais caros valores morais.

Diferenças entre Sócrates e os sofistas
 Vejamos a concepção tradicional sobre os sofistas que se desenvolveu a partir das críticas de Platão.
A crítica de Platão aos sofistas só é compreensível à luz das muitas aposições que ele estabelece entre eles e Sócrates:
1.    O sofista é um professor ambulante. Sócrates é alguém ligado aos destinos de sua cidade; tanto assim que, condenado injustamente à morte, recusa-se a fugir, acatando a decisão de seus concidadãos;
2.    O sofista cobra para ensinar, Sócrates vive sua vida, e essa confunde-se com a atividade filosófica: filosofar não é profissão, é a atividade do homem livre;
3.    O sofista "sabe tudo", e transmite um saber pronto, sem crítica (que Platão identifica como uma "mercadoria" que o sofista, mercador, exibe e vende). Sócrates diz nada saber, e, colocando-se no nível de seu interlocutor, dirige uma aventura dialética em busca da verdade, que está no interior de cada um;
4.    O sofista faz retórica. Sócrates faz dialética. Na retórica, o ouvinte é levado por uma enxurrada de palavras que, se adequadamente compostas, persuadem sem transmitir conhecimento algum. Na dialética, que opera por perguntas e respostas, a pesquisa procede passo a passo, e não é possível ir adiante sem deixar esclarecido o que ficou para trás;
5.    O sofista refuta por refutar, para ganhar a disputa verbal. Sócrates refuta para purificar a alma de sua ignorância.
MAURA IGLÉSIAS
Curso de Filosofia, p. 38.
Platão de Atenas
Das aparências ao mundo das ideias perfeitas
Os males não cessarão para os homens antes que a raça dos puros e autênticos filósofos chegue ao poder.
PLATÃO

Nascido em Atenas, Platão (427-347 a.C.) pertencia a uma das mais nobres famílias atenienses. Seu nome verdadeiro era Arístocles, mas, devido a sua constituição física, recebeu o apelido de Platão, termo grego que significa "de ombros largos".
Platão foi discípulo de Sócrates, a quem considerava "o mais sábio e o mais justo dos homens" (PLATÃO, Fêdon, p.120). Depois da morte de seu mestre, empreendeu inúmeras  viagens, num período em que ampliou seus horizontes culturais e amadureceu suas reflexões filosóficas.
Por volta de 387 a.C. retornou a Atenas, onde fundou sua própria escola filosófica, a Academia, nos jardins construídos por seu amigo Academus. Essa escola foi uma das primeiras instituições permanentes de ensino superior do mundo ocidental. Uma espécie de universidade pioneira dedicada à pesquisa científica e filosófica, além de se tornar um centro de formação política.
A maior parte do pensamento platônico nos foi transmitida por intermédio da fala de Sócrates, nos diálogos socráticos, escritos por ele mesmo, Platão.
Um dos aspectos mais importantes da filosofia de Platão é sua teoria das ideias, com a qual procura explicar como se desenvolve o conhecimento humano, Segundo ele, o processo de conhecimento se desenvolve meio da passagem progressiva do mundo das sombras e aparências para o mundo das ideias e essências.

O método dialético de Platão

A primeira etapa do processo de conhecimento é dominada pelas impressões ou sensações advindas dos sentidos. Essas impressões sensíveis são responsáveis pela opinião que temos da realidade. A opinião (doxa, em grego) representa o saber que temos sem tê-lo procurado metodicamente.
O conhecimento, entretanto, para ser autêntico, deve ultrapassar a esfera das impressões sensoriais, o plano da opinião, e penetrar na esfera racional da sabedoria, o mundo das ideias. Para atingir esse mundo, o homem não pode ter apenas "amor às opiniões" (filodoxia); precisa possuir um "amor ao saber" (filosofia).
O método proposto por Platão para atingir o conhecimento autêntico (epistéme) é a dialética. No que consiste, basicamente, a dialética? Consiste na contraposição de uma opinião com a crítica que dela podemos fazer, ou seja, na afirmação de uma tese qualquer seguida de uma discussão e negação desta tese, com o objetivo de purificá-la dos erros e equívocos.
E qual a diferença entre conhecimento e opinião?
Quem possui conhecimento têm conhecimento de alguma coisa, isto é, de algo que existe, pois o inexistente não é nada. Assim, o conhecimento é infalível, já que é logicamente impossível que se equivoque. Mas a opinião pode estar errada. Como isto é possível? Não se pode opinar a res peito do que não existe, pois isto é impossível, nem tampouco a res peito do que existe, pois isto se ria conhecimento. Portanto, a opinião tem que ser tanto do que é como do que não é.
Mas, de que modo é isto possível? A resposta é que as coisas particulares contêm sempre caracteres opostos: o que é belo é, também, sob certo aspecto, feio o que é justo é, sob certo aspecto, injusto; e assim por diante. Todos os determinados objetos sensíveis, afirmava Platão, possuem esse caráter contraditório; são, pois, o intermédio entre o ser e o não ser e apropriados como objeto de opinião, mas não de conhecimento.
Somente quando saímos do mundo sensível e atingimos o mundo racional das ideias é que alcançamos também o domínio do ser absoluto, eterno e imutável. Nesse mundo das ideias só podemos entrar, segundo Platão, através do conhecimento racional, científico ou filosófico.
Assim, chegamos à conclusão de que a opinião se forma do mundo apresentado pelos sentidos, enquanto o conhecimento é de um mundo eterno; a opinião, por exemplo, trata de coisas belas determinadas; o conhecimento ocupa-se da beleza em si. (RUSSELL, Bertrand: História da filosofia ocidental, v. 1, p. 139.)

E onde, por exemplo, podemos encontrar a beleza, em toda sua plenitude? Platão responde: no mundo das ideias. Nesse mundo é que moram os seres totais e perfeitos: a justiça, a bondade, a coragem, a sabedoria etc.
Fora do mundo das ideias, tudo o que captamos através dos nossos sentidos possui apenas uma parte do ser ideal. O mundo sensível, portanto, é um mundo de seres incompletos e imperfeitos.
A teoria das ideias de Platão representa a tentativa de conciliar as duas grandes tendências anteriores da filosofia grega: a concepção do ser eterno e imutável de Parmênides e a concepção do ser plural e móvel de Heráclito. Para Platão, o ser eterno e universal habita o mundo da luz racional, da essência e da realidade pura. E os seres individuais e mutáveis moram no mundo das sombras e sensações, das aparências e ilusões.


Processo de evolução do
conhecimento segundo Platão
MUNDO SENSÍVEL                                              MUNDO DAS IDÉIAS
                                                   (conhecimento filosófico ou científico)


O mito da caverna
Platão criou uma alegoria, conhecida como mito da caverna, que serve para explicar a evolução do processo de conhecimento.
Segundo ele, a maioria dos seres humanos se encontra como prisioneira de uma caverna, permanecendo de costas para a abertura luminosa e de frente para a parede escura do fundo. Devido a uma luz que entra na caverna, o prisioneiro contempla na parede do fundo as projeções dos seres que compõem a realidade. Acostumado a ver somente essas projeções, assume a ilusão do que vê, as sombras do real, como se fosse a verdadeira realidade.
Se escapasse da caverna e alcançasse o mundo luminoso da realidade, ficaria livre da ilusão. Mas, estando acostumado às sombras, às ilusões, teria de habituar os olhos à visão do real: primeiro olharia as estrelas da noite, depois as imagens das coisas refletidas nas águas tranquilas, até que pudesse encarar diretamente o Sol e enxergar a fonte de toda a luminosidade.


A filosofia no poder: os reis-filósofos
Na juventude, Platão alimentou o ideal de participação política em Atenas. Depois, desiludido com a democracia ateniense, confessou: Deixei levar-me por ilusões que nada tinham de espantosas por causa de minha juventude. Imaginava, de fato, que governariam a cidade reconduzindo-a dos caminhos da injustiça para os da justiça.( PLATÃO, . Cartas VII. Apud História do Pensamento, v. 1, p. 58.)
Abraçando a filosofia, adotou um novo ideal: Fui então irresistivelmente levado a louvar a verdadeira filosofia e a proclamar que somente à sua luz se pode reconhecer onde está a justiça na vida pública e na vida privada.
Para Platão, somente os filósofos, eternos amantes da verdade, teriam condições de libertar-se da caverna das ilusões e atingir o mundo luminoso da realidade e sabedoria.
Por isso, no seu livro República,  imaginou  uma  sociedade ideal, governada por reis-filósofos. Seriam pessoas capazes de atingir o mais alto conhecimento do mundo das ideias, que consiste na ideia do bem.
Aristóteles de Estagira
Do nascimento da lógica à ordenação do universo
O ser se exprime de muitos modos, mas nenhum modo exprime o ser. O ser se diz em vários sentidos.
ARISTÓTELES





Nascido em Estagira, em Macedônia, Aristóteles (384-322 a.C.) foi um dos mais importantes filósofos gregos de Antiguidade. Há informações de que teria escrito mais de uma centena de obras, sobre os mais variados temas, das quais restam 47, embora nem todas de autenticidade comprovada. Desempenhou extraordinário papel na organização do saber grego, acrescentando-lhe sua genial contribuição, que influenciou, decisivamente, a história do pensamento ocidental.
Filho de Nicômaco, médico do rei da Macedônia, provavelmente herdou do pai o interesse pelas ciências naturais, que se revelaria posteriormente em sua obra. Aos dezoito anos foi para Atenas e ingressou na Academia de Platão, onde permaneceu cerca de vinte anos, tendo uma atuação crescentemente expressiva. Com a morte de Platão, a destacada competência de Aristóteles o qualificava para assumir a direção da Academia. Seu nome, entretanto, foi preterido por ser considerado estrangeiro pelos atenienses.
Decepcionado com o episódio, deixou a Academia e partiu para Assos, na Mísia, Ásia Menor, onde permaneceu até 345 a.C. Pouco tempo depois foi convidado por Felipe II, rei da Macedônia, para ser professor de seu filho Alexandre. O relacionamento de Aristóteles e Alexandre foi interrompido quando este assumiu a direção do Império Macedônico, em 340 a.C.
Por volta de 335 a.C, Aristóteles regressou a Atenas, fundando sua própria escola filosófica, que passou a ser conhecida como Liceu, em homenagem ao deus Apoio Lício. Nesse local permaneceu ensinando durante aproximadamente doze anos.
Em 323 a.C, após a morte de Alexandre, os sentimentos anti-macedônicos ganharam grande intensidade em Atenas. Devido a sua notória ligação com a corte macedônica, Aristóteles passou a ser perseguido. Foi então que decidiu abandonar Atenas, dizendo querer evitar que os atenienses "pecassem duas vezes contra a filosofia" (a primeira vez teria sido com Sócrates).
Apaixonado pela biologia, dedicou inúmeros estudos à observação da natureza e à classificação dos seres vivos. Tendo em vista a elaboração de uma visão científica da realidade, desenvolveu a lógica para servir de ferramenta do raciocínio.

Da sensação ao conceito: o discípulo discorda do mestre

Segundo Aristóteles, a finalidade básica das ciências seria desvendar a constituição essencial dos seres, procurando defini-la em termos reais.
Ao abordar a realidade, reconhecia a multiplicidade dos seres percebidos pelos sentidos. Assim, tudo o que vemos, pegamos, ouvimos e sentimos é aceito como elemento da realidade sensível.
Portanto, rejeitava a teoria das ideias de Platão, segundo a qual os dados transmitidos pelos sentidos não passam de distorções, sombras ou ilusões da verdadeira realidade existente no mundo das ideias. Para Aristóteles, a observação da realidade leva-nos à constatação da existência de inúmeros seres individuais, concretos, mutáveis, que são captados por nossos sentidos.
Partindo dessa realidade sensorial — empírica — a ciência deve buscar as estruturas essenciais de cada ser. Em outras palavras, a partir da existência do ser, devemos atingir a sua essência, através de um processo de conhecimento que caminharia do individual e específico para o universal e genérico.
Neste sentido, afirmava Aristóteles, o ser individual, concreto, único não pode ser objeto da ciência. O objeto próprio das ciências é a compreensão do universal, visando o estabelecimento de definições essenciais, que possam ser utilizadas de modo generalizado.
A indução (operação mental que vai do particular para o geral) representa, para Aristóteles, o processo intelectual básico de aquisição de conhecimento. Ela possibilita ao ser humano atingir conclusões científicas, de âmbito universal, a partir do trabalho metódico com os dados sensíveis — que sempre apresentam seres individuais, concretos e únicos.
Assim, por exemplo, o conceito escola — ou qualquer conclusão científica sobre esse conceito — foi elaborado tendo como base a observação sistemática das diferentes instituições às quais se atribui o nome de escola. Dessa maneira, o conceito escola tem sentido universal na medida em que reúne em si a estrutura essencial aplicável ao conjunto das múltiplas escolas concretas existentes no mundo.

A nova interpretação para as mudanças do ser
Retomando a questão do ser, Aristóteles pretendeu resolver a contradição entre o caráter estático e permanente do ser em oposição ao movimento e transitoriedade das coisas. Era a clássica polêmica entre Heráclito e Parmênides. Para esse problema, Aristóteles propôs uma nova interpretação ontológica (relativa ao estudo do ser), segundo a qual em todo ser devemos distinguir:
·       o ato: a manifestação atual do ser, aquilo que já existe.
·       a potência: as possibilidades do ser (capacidade de ser), aquilo que ainda não é mas pode vir a ser.
Conforme Aristóteles, o movimento e a transitoriedade ou mudança das coisas se resumem na passagem da potência para o ato. Exemplo: a árvore que está sem flores pode tornar-se, com o tempo, uma árvore florida. Ao adquirir flores, essa árvore manifesta em ato aquilo que já continha, intrinsecamente, em potência.
Por outro lado, utilizando o mesmo exemplo, uma árvore continua sendo uma árvore mesmo sem estar florida. De onde podemos concluir que ter flores não é uma característica essencial da árvore. Assim, segundo Aristóteles, devemos distinguir também em todos os seres existentes:
·       a substância: aquilo que é estrutural e essencial do ser.
·        o acidente: aquilo que é atributo circunstancial e não-essencial do ser.
A substância corresponde àquilo que mais intimamente o ser é em si mesmo. Os acidentes pertencem ao ser, mas não são necessários para definir a natureza própria de cada ser.
O que determina a realidade de um ser: a causa
A investigação do ato e da potência do ser depende, no entanto, de alguns esclarecimentos sobre a causalidade. Isto porque essa passagem da potência para o ato não se dá ao acaso: ela é causada.
Aristóteles emprega o termo causa em sentido bastante amplo, isto é, no sentido de tudo aquilo que determina a realidade de um ser. Distingue, assim, quatro tipos de causas fundamentais:
·       causa material: refere-se à matéria de que é feita uma coisa. Exemplo: o mármore utilizado na confecção de uma estátua.
·       causa formal: refere-se à forma, à natureza específica, à configuração assumida por uma coisa, tornando-a "um ser propriamente dito". Exemplo: uma estátua de homem e não de cavalo
·       causa eficiente: refere-se ao agente que produziu diretamente a coisa. Exemplo: o escultor que fez a estátua.
·       causa final: refere-se ao objetivo, à intenção, à finalidade ou à razão de ser de uma coisa. Exemplo: o escultor tinha como finalidade exaltar a figura do soldado ateniense.









Segundo Aristóteles, a causa formal está diretamente subordinada à causa final na medida em que a finalidade de uma coisa determina o que os seres efetivamente são.
A potência, em si mesma, não é capaz de formalizar o ser em ato, Para que se dê essa passagem, é preciso a interveniência de um agente transformador (causa eficiente), guiado por uma finalidade (causa final). Assim, a causa final é que comanda o movimento da realidade. É pela causa final, em última análise, que as coisas mudam, determinando a passagem da potência para o ato. (Veja no texto complementar As ideias e a realidade histórica, ao final deste capítulo, uma análise do aspecto ideológico da teoria aristotélica das quatro causas.)

A felicidade do homem
Aristóteles define o homem como ser racional e considera a atividade racional, o ato de pensar, como a essência da natureza humana. E como, para ele: o que é próprio de cada coisa é, por natureza, o que há de melhor e de aprazível para ela (...) para o homem a vida conforme a razão é a melhor e a mais aprazível, já que a razão, mais que qualquer outra coisa, é o homem. Donde se conclui que essa vida é também a mais feliz.
Para ser feliz, portanto, o homem deve viver de acordo com a sua essência, isto é, de acordo com a sua razão, a sua consciência reflexiva. E orientando os nossos atos para uma conduta ética, a razão humana nos conduz à prática da virtude.
Para Aristóteles, a virtude representa o meio-termo, a justa medida de equilíbrio entre o excesso e a falta de um atributo qualquer. Exemplo: a virtude da prudência é o meio-termo entre a precipitação e a negligência; a virtude da coragem é o meio-termo entre a covardia e a valentia insana; a perseverança é o meio-termo entre a fraqueza de vontade e a vontade obsessiva etc.