quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Aula de Filosofia do 2º Ano Ensino Médio
Escolas filosóficas do período helenístico
 
Período em que a filosofia se expandiu para Roma
A palavra “helenística” deriva de helenismo, termo que corresponde ao período que vai de Alexandre Magno, o macedônico, até o da dominação romana (fim do séc. IV a. C. ao fim do séc. I d.C.). Alexandre foi o grande responsável por estender a influência grega desde o Egito até a Índia.
A filosofia helenística corresponde a um desenvolvimento natural do movimento intelectual que a precedeu e torna a defrontar-se muitas vezes com temas pré-socráticos; porém, sobretudo ela é profundamente marcada pelo espírito socrático. A experiência com outros povos também lhe permitiu desempenhar certo papel no desenvolvimento da noção de cosmopolitismo, isto é, da ideia de homem como cidadão do mundo.
As escolas helenísticas têm em comum a atividade filosófica, como amor e investigação da sabedoria, sendo esta um modo de vida. Elas não se diferenciavam muito na escolha da forma de sabedoria. Todas elas definiam a sabedoria como um estado de perfeita tranquilidade da alma. Nesse sentido, a filosofia é uma terapêutica dos cuidados, das angústias e da miséria humana, miséria resultante das convenções e obrigações sociais.
Todas as escolas helenísticas trazem certa herança socrática ao admitir que os homens estão submersos na miséria, na angústia e no mal, porque estão na ignorância; o mal não está nas coisas, mas no juízo de valor que os homens atribuem a elas. Disso decorre uma exigência: que os homens cuidem de mudar radicalmente seus juízos de valor e seu modo de pensar e ser. E isso só é possível mediante a paz interior e a tranquilidade da alma.
Mas se há semelhanças entre as escolas quanto ao modo de conceber a filosofia como terapia da alma, há também diferenças significativas. Há os dogmáticos, para os quais a terapia consiste em transformar os juízos de valor e há os céticos e cínicos, para os quais se trata de suspender todos os juízos. Dentre as dogmáticas, que concordam que a escolha filosófica fundamental deve corresponder a uma tendência inata do homem, dividem-se em epicurismo, que entende que é a investigação do prazer que motiva toda atividade humana, e o platonismo, o aristotelismo e o estoicismo, para os quais, segundo a tradição socrática, o amor do Bem é o instinto primordial do ser humano.
O estoicismo e o epicurismo distinguem-se da filosofia platônico-aristotélica por uma consciência da urgência da decisão moral, mas têm diferenças e semelhanças na forma de conceber o método de ensino. Platonismo, aristotelismo e estoicismo têm em comum a missão de formar os cidadãos para serem dirigentes políticos. Essa formação visa atingir uma habilidade para o uso da palavra por meio de numerosos exercícios retóricos e dialéticos, extraindo os princípios da ciência política. Por essa razão, vários homens vão à Atenas, vindos da África, da Itália, etc., para aprender a governar. Mas antes precisam aprender a governar a si mesmo, para depois aprender a governar os outros. Exercitam a sabedoria para assimilar intelectual e espiritualmente os princípios de pensamento e de vida contida nela. O diálogo vivo e a discussão entre mestre e discípulo são os meios indispensáveis.
O ensino estoico segue tanto a dialética quanto a retórica, enquanto os discursos epicuristas seguiam uma forma resolutamente dedutiva, isto é, partiam dos princípios para chegar à conclusão.
O esforço estoico para apresentar a sua filosofia num corpo sistemático exigia de seus discípulos que tivessem sempre presente no espírito, por um trabalho constante da memória, o essencial de seus dogmas. A noção de sistema para estoicos e epicuristas não tem a ver com a construção conceitual, desprovido da intenção vital. O sistema tem como finalidade reunir sob forma condensada os dogmas fundamentais que não dispensam uma argumentação rigorosa, formulada em sentenças curtas (máximas) para ganhar força persuasiva e maior eficácia mnemotécnica (memória). Estas escolas têm o sistema como conjunto coerente de dogmas que estão intimamente ligados ao modo de vida praticado.
As escolas estoica e epicurista são consideradas dogmáticas por seguirem uma série de fórmulas construídas num corpo coerente que são essencialmente ligadas à vida prática. As escolas platônicas e aristotélicas são reservadas a uma elite que vive no ócio e tem tempo para estudar, investigar e contemplar, as escolas estoica e epicurista adotaram o espírito popular e missionário de Sócrates, dirigindo-se a todos os homens, ricos ou pobres, homens ou mulheres, livres ou escravos. Qualquer um que adote o seu modo de vida será considerado filósofo, mesmo que não desenvolva, por escrito ou oralmente, um discurso filosófico.
O ceticismo e o cinismo são também uma filosofia popular e missionária, de certo modo exagerado em suas tendências: o primeiro suspende o juízo sobre a realidade, duvidando de que seja possível algum conhecimento seguro e estável ou verdadeiro absolutamente; o segundo refere-se à total indiferença ao mundo e a si mesmo, promovendo um estado de tranquilidade interior e imperturbabilidade. Ambas dirigem-se a todas as classes da sociedade, instruindo com a própria vida, denunciando as convenções sociais e propondo um retorno à simplicidade da vida conforme a natureza.

Prof. Edson de Souza Couto – Pós Graduando em Filosofia e Sociologia.
Aula de Filosofia - Diógenes de Sinope
Cinismo 

O modo de pensar dos cínicos é apenas mais um dos vários que surgiram no período helenístico. Juntamente com epicuristas e estoicos, o cinismo é considerado como escola filosófica e não por ser constituído por uma doutrina sistemática, mas pela opção de um modo de vida que se manifestava contra as transformações ocorridas na Grécia no período do domínio macedônico.
Não se tem certeza sobre quem fundou o cinismo, Diógenes certamente foi sua figura mais marcante. Seu estilo de vida opõe-se tanto ao dos não filósofos quanto ao dos filósofos. O cínico rejeita o modo de vida que se baseia na investigação científica, bem como também aquilo que os homens em geral consideram indispensável: as regras, a vida em sociedade, a propriedade, o governo, a política, etc.
A prática de vida dos cínicos baseia-se no impudor deliberado: fazem sexo em locais públicos, comem sem utensílios e sem preparar os alimentos, não usam vestimentas, etc., isto é, não se adaptam às conveniências sociais e à opinião. Desprezam o dinheiro, mendigam, não querem posição estável na vida, não têm cidade, nem casa, nem pátria; são miseráveis, errantes, vivem o dia a dia. Têm somente o necessário para sua sobrevivência.
O cinismo pode ser considerado uma escola filosófica, ainda que seus representantes não tenham ministrado qualquer ensino em alguma escola. No entanto, a relação que havia entre mestre e discípulo confere ao cinismo um caráter escolar. Porém, o teor filosófico da escola cínica tem pouca expressão. Os cínicos não se atêm às construções teóricas sob qualquer tema: quando se afirmava que o movimento não existia, Diógenes, por exemplo, contentava-se em ficar de pé e andar. A filosofia cínica é unicamente uma escolha de vida, a escolha da liberdade total e absoluta ou da independência das necessidades inúteis, da recusa ao luxo e da vaidade presentes na vida social.
Conta-se a anedota de que estava Diógenes deitado tomando o seu sol quando chegou a ele Alexandre, o Grande (imperador que dominou a Grécia) e dizendo que lhe daria tudo aquilo que ele quisesse, bastava dizer. Diógenes lhe disse, então, que gostaria que o dono do maior império até então conquistado, simplesmente saísse de sua frente, pois estava atrapalhando seu banho de sol, o que mostra o estado de imperturbabilidade em que se propõe o cínico.
Outro grande expoente da escola cínica foi Pirro. Este, contra toda prudência, afrontava todos os tipos de riscos e perigos. Dizem que ele continuava falando mesmo quando seus ouvintes já haviam partido. Conta-se também que certa vez, vendo seu mestre Anaxarco caído num pântano, passou sem socorrê-lo e, depois, o mestre o felicitou, louvando sua indiferença e a impassibilidade.
O comportamento de Pirro corresponde a uma escolha de vida que se resume perfeitamente em uma palavra: a indiferença. Ele não faz distinção entre o que é considerado perigoso ou não, entre o que é bom ou mal. Não dá importância ao estar num lugar ou noutro; não leva em conta os julgamentos que consideram as tarefas superiores ou inferiores; não distingue entre o que se denomina prazer ou sofrimento, a vida e a morte. Tudo isso depende do valor que o homem atribui às coisas e todo valor é fruto de uma convenção. Pouco importa o que se faça desde que se faça com a disposição interior da indiferença. A filosofia de Pirro consiste em firmar-se em um estado de igualdade consigo mesmo, de indiferença total, de independência absoluta de liberdade interior, de impassibilidade, tranquilidade, imperturbabilidade, estados esses que ele considera divino. Para este tipo de filosofia, a virtude é a indiferença absoluta.
Para adquirir tal indiferença é preciso desvencilhar-se, desligar-se completamente da debilidade humana, dos bens materiais, da luxúria, dos prazeres, das ocupações, das convenções e elevar-se até o sobre-humano, que é um estado de simplicidade, de naturalidade. Para Pirro, o ideal do homem é ser um “bom homem”, e este só se alcança pela prática da indiferença, fugindo do homem social, corrompido pelos costumes e pelas convenções.
Por isso, a filosofia de Pirro, semelhante à de Sócrates, é uma filosofia vivida, não contemplativa, um exercício de transformação do modo de viver que promove a verdadeira paz interior, a indiferenciação e a autarquia ou liberdade absoluta do homem.

Prof. Edson de Souza Couto
Resumo das Grandes Navegações - Aula 2º Ano Ens. Medio

Expansão Marítima Europeia.
A expansão marítima europeia, processo histórico ocorrido entre os séculos XV e XVII, contribuiu para que a Europa superasse a crise dos séculos XIV e XV.
Através das Grandes Navegações há uma expansão das atividades comerciais, contribuindo para o processo de acumulação de capitais na Europa.
O contato comercial entre todas as partes do mundo ( Europa, Ásia, África e América ) torna possível uma história em escala mundial, favorecendo uma ampliação dos conhecimentos geográficos e o contato entre culturas diferentes.
Fatores para a Expansão Marítima.
A expansão marítima teve um nítido caráter comercial, daí definir este processo como uma empresa comercial de navegação, ou como grandes empreendimentos marítimos. Para o sucesso desta atividade comercial o fator essencial foi a formação do Estado Nacional.
Formação do Estado Nacional e a centralização política - as Grandes Navegações só foram possíveis com a centralização do poder político, pois se fazia necessário uma complexa estrutura material de navios, armas, homens, recursos financeiros. A aliança rei-burguesia possibilitou o alcance destes objetivos tornando viável a expansão marítima.
Avanços técnicos na arte náutica - o aprimoramento dos conhecimentos geográficos, graças ao desenvolvimento da cartografia; o desenvolvimento de instrumentos náuticos- bússola, astrolábio, sextante - e a construção de embarcações capazes de realizar viagens a longa distância, como as naus e as caravelas.
Interesses econômicos - a necessidade de ampliar a produção de alimentos, em virtude da retomada do crescimento demográfico; a necessidade de metais preciosos para suprir a escassez de moedas; romper o monopólio exercido pelas cidades italianas no Mediterrâneo - que contribuía para o encarecimento das mercadorias vindas do Oriente; tomada de Constantinopla, pelos turcos otomanos, encarecendo ainda mais os produtos do Oriente.
Sociais - o enfraquecimento da nobreza feudal e o fortalecimento da burguesia mercantil.
Religiosos- a possibilidade de conversão dos pagãos ao cristianismo mediante a ação missionária da Igreja Católica.

Expansão marítima portuguesa
Portugal foi a primeira nação a realizar a expansão marítima. Além da posição geográfica, de uma situação de paz interna e da presença de uma forte burguesia mercantil; o pioneirismo português é explicado pela sua centralização política que, como vimos, era condição primordial para as Grandes Navegações.
A formação do Estado Nacional português está relacionada à Guerra de Reconquista - luta entre cristãos e muçulmanos na península Ibérica. A primeira dinastia portuguesa foi a Dinastia de Borgonha ( a partir de 1143 ) caracterizada pelo processo de expansão territorial interna.
Entre os anos de 1383 e 1385 o Reino de Portugal conhece um movimento político denominado Revolução de Avis - movimento que realiza a centralização do poder político: aliança entre a burguesia mercantil lusitana com o mestre da Ordem de Avis, D. João. A Dinastia de Avis é caracterizada pela expansão externa de Portugal: a expansão marítima.
Etapas da expansão
A expansão marítima portuguesa interessava à Monarquia, que buscava seu fortalecimento; à nobreza, interessada em conquista de terras; à Igreja Católica e a possibilidade de cristianizar outros povos e a burguesia mercantil, desejosa de ampliar seus lucros.
A seguir, as principais etapas da expansão de Portugal:
1415 - tomada de Ceuta, importante entreposto comercial no norte da África;
1420 - ocupação das ilhas da Madeira e Açores no Atlântico;
1434 - chegada ao Cabo Bojador;
1445 - chegada ao Cabo Verde;
1487 - Bartolomeu Dias e a transposição do Cabo das Tormentas;
1498 - Vasco da Gama atinge as Índias ( Calicute );
1499 - viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.
Expansão marítima espanhola
A Espanha será um Estado Nacional somente em 1469, com o casamento de Isabel de Castela e Fernando de Aragão. Dois importantes reinos cristãos que enfrentaram os mouros na Guerra de Reconquista.
No ano de 1492 o último reduto mouro - Granada – foi conquistado pelos cristãos; neste mesmo ano, Cristóvão Colombo ofereceu seus serviços aos reis da Espanha.
Colombo acreditava que, navegando para oeste, atingiria o Oriente. O navegante recebeu três navios e, sem saber chegou a um novo continente: a América.
A seguir a principais etapas da expansão espanhola:
1492 - chegada de Colombo a um novo continente, a América;
1504 - Américo Vespúcio afirma que a terra descoberta por Colombo era um novo continente;
1519 a 1522 - Fernão de Magalhães realizou a primeira viagem de circunavegação do globo.
As rivalidades Ibéricas
Portugal e Espanha, buscando evitar conflitos sobre os territórios descobertos ou a descobrir, resolveram assinar um acordo – proposto pelo papa Alexandre VI - em 1493: um meridiano passando 100 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, dividindo as terras entre Portugal e Espanha. Portugal não aceitou o acordo e no ano de 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas.
O tratado de Tordesilhas não foi reconhecido pelas demais nações europeias.
Navegações Tardias
Inglaterra, França e Holanda.
O atraso na centralização política justifica o atraso destas nações na expansão marítima:
A Inglaterra e França envolveram-se na Guerra dos Cem Anos (1337-1453) e, após este longo conflito, a Inglaterra passa por uma guerra civil - a Guerra das Duas Rosas ( 1455-1485 ); já a França, no final do conflito com a Inglaterra enfrenta um período de lutas no reinado de Luís XI ( 1461-1483).
Somente após estes conflitos internos é que ingleses, durante o reinado de Elizabeth I ( 1558-1603 ); e franceses, durante o reinado de Francisco I iniciaram a expansão marítima.
A Holanda tem seu processo de centralização política atrasado por ser um feudo espanhol. Somente com o enfraquecimento da Espanha e com o processo de sua independência é que os holandeses iniciarão a expansão marítima.

CONSEQÜÊNCIAS
As Grandes navegações contribuíram para uma radical transformação da visão da história da humanidade. Houve uma ampliação do conhecimento humano sobre a geografia da Terra e uma verdadeira Revolução Comercial, a partir da unificação dos mercados europeus, asiáticos, africanos e americanos.
A seguir algumas das principais mudanças:

A decadência das cidades italianas; a mudança do eixo econômico do mar Mediterrâneo para o oceano Atlântico; a formação do Sistema Colonial; enorme afluxo de metais para a Europa proveniente da América; o retorno do escravismo em moldes capitalistas; o euro-centrismo, ou a hegemonia europeia sobre o mundo; e o processo de acumulação primitiva de capitais resultado na organização da formação social do capitalismo.
AULA DE HISTÓRIA 1º ANO ENSINO MÉDIO M, T, N.

ROMA
A principal característica da história romana foi a sua expansão
territorial. Roma foi o grande império da antiguidade.
A história romana tem a seguinte periodização:
- Monarquia - de 753 a.C. à 509 a.C.
- República - de 509 a.C. à 27 a.C.
- Império - de 27 a.C. à 476 d.C.
MONARQUIA.
É um período caracterizado pelas lendas. A própria fundação da
cidade no ano de 753 a.C. está ligada à uma tradição: Eneias, que
participou da guerra de Troia, chega à Itália e funda uma cidade -
ALBA LONGA. Os gêmeos Rômulo e Remo, descendentes de Eneias,
foram abandonados no rio Tibre. Uma loba os amamenta. Foram
recolhidos por um pastor que os educa e, mais tarde fundaram a
cidade de Roma.
A história, porém, atesta que Roma provavelmente surgiu como
uma fortificação militar - por volta do século VIII a.C. - para
defender-se dos povos etruscos.
A economia no período era baseada na agricultura e no
pastoreio. A estrutura social era formada pelos patrícios, que eram os
grandes proprietários; os clientes, que recebiam amparo e proteção
dos patrícios e os plebeus, que ocupavam a base da sociedade:
artesãos, comerciantes e pequenos proprietários.
Segundo a tradição, houve em Roma sete reis, sendo que o
último - Tarquínio, o Soberbo - foi expulso do poder em virtude de
seu despotismo. Com sua expulsão, inicia-se o período republicano
em Roma.
REPÚBLICA.
A principal instituição de República romana será o Senado,
responsável pela direção de toda política romana. Formado por
patrícios, que ocupavam a função de forma vitalícia, o Senado era o
responsável pela condução da política interna e da política externa.
Escolhia os magistrados, que eram cargos executivos.
Os magistrados eram indicados anualmente e possuíam funções
específicas de natureza judiciária e executiva. A seguir as principais
magistraturas de Roma:
- Consulado: magistratura mais importante, ocupado
por dois militares. Um agia em Roma e outro fora
de Roma. Em casos de extrema gravidade interna
ou externa, esta magistratura - como de resto, as
outras também - era substituída pela DITADURA -
uma magistratura legal com duração de seis
meses.
- Tribunos da plebe: representantes da plebe junto
ao Senado. Possuíam o poder de vetar as decisões
do Senado que afetassem os plebeus, assegurando
assim seus direitos.
- Questor: responsável pela arrecadação de
impostos.
- Pretor: encarregado da justiça civil.
- Censor: zelava pela moral pública ( a censura) e
realizava a contagem da população ( o censo ).
- Edil: cuidava da manutenção pública - obras,
festas, policiamento, abastecimento.
Para completar a organização política, restam as Assembleias
que eram em número de três:
- Assembleia Centuriata: a mais importante da
República. Responsável pela votação de todas as
leis. Monopolizada pelos patrícios.
- Assembleia Tribunícia: composta pelas tribos de
Roma. Aqui a votação era coletiva, pela tribo. O
número de tribos de patrícios era maior do que de
plebeus.
- Assembléia da Plebe: uma conquista dos plebeus.
Tinha por finalidade escolher os tribunos da plebe.
As leis votadas nesta assembléia serão válidas a
todos os cidadãos, trata-se do plebiscito.
A luta entre patrícios e plebeus.
A sociedade romana, como já se observou, era formada por
patrícios, clientes e plebeus.
O monopólio do poder político exercido pelos patrícios,
acompanhado pelas pesadas obrigações, impostas aos plebeus - tais
como o pagamento de impostos, serviço militar obrigatório em época
de guerras e o risco de tornarem-se escravos por dívidas - provocou
enormes tensões sociais entre estas duas classes. Os plebeus
buscavam a igualdade social e política.
Através de conflitos, os plebeus conseguiram várias conquistas,
a saber:
- criação da magistratura do Tribuno da Plebe em
494 a.C..
- Lei das Doze Tábuas em 450 a.C., codificação das
leis.
- Lei Canuleia de 445 a.C. , autorizando o casamento
entre as classes.
- Lei Licínia de 367 a.C. que aboliu a escravidão por
dívidas.
- Lei Hortênsia de 287 a.C. que estabeleceu que as
medidas tomadas na Assembléia da Plebe
tivessem validade política ( plebiscito ).
A expansão territorial romana.
Roma surgiu como uma fortificação para proteger-se das
invasões estrangeiras. A evolução militar romana foi excepcional e,
ao longo da Monarquia e início da República, os romanos já haviam
conquistado toda a península Itálica. Com estas conquistas, Roma
passa a exercer uma política imperialista ( de caráter expansionista ),
entrando em choque com CARTAGO - importante colônia fenícia no
norte da África - que controlava o comércio marítimo no
Mediterrâneo.
O conflito entre Roma e Cartago, as Guerra Púnicas, inicia-se
em 264 a.C., quando Roma anexou a Sicília, e estende-se até o ano
de 146 a.C. quando o exército romano, comandado por Cipião
Emiliano destruiu Cartago.
Atraídos pelas riquezas do oriente, Roma conquista a
Macedônia, a Grécia, o Egito e o Oriente Médio. A parte ocidental da
Europa, a Gália e a península Ibérica também foram conquistadas.
As conseqüências da expansão romana.
A expansão territorial trouxe profundas mudanças na estrutura
social, política, econômica e cultural de Roma.
1. Houve um enorme aumento da escravidão, já que os
prisioneiros de guerra eram transformados em escravos.
2. O surgimento dos latifúndios e a falência dos pequenos
proprietários. As terras anexadas ao Estado, através das
conquistas possuíam o status de "ager publicus", destinadas
aos camponeses. No entanto o patriciado acaba apossando-se
destas terras e ampliando seu poder.
3. Processo de marginalização dos plebeus, resultado do
empobrecimento dos pequenos proprietários e da expansão
do escravismo, deixando esta classe sem terras e sem
emprego.
4. O surgimento de uma nova classe social - os Cavaleiros ou
Homens-novos - enriquecidos pelo comércio e pela
prestação de serviços ao Estado: explorar minas, construir
estradas, cobrar impostos etc...
5. Aumento do luxo e surgimento de novos costumes, em
decorrência da conquista do Império Helenístico. Como
exemplo, o culto do Mitraísmo.
6. Como resultado da marginalização dos plebeus e do
desenvolvimento do escravismo, houve um enorme êxodo
rural, tornando as cidades superpovoadas, contribuindo
para uma onda de fome, epidemias e violência. Para
controlar esta massa urbana, o Estado inicia a Política do
Pão e Circo - a distribuição de alimentos e diversão gratuita.
Com isto, o Estado romano impedia as manifestações em
favor de uma reforma agrária.
7. No plano militar, o cidadão soldado foi substituído pelo
soldado profissional, que passou a ser fiel não ao Estado
mas sim ao seu general. O fortalecimento dos generais
contribuiu para as guerras civis em Roma.
A crise republicana
A) Os irmãos Graco.
A situação de marginalidade dos plebeus, o aparecimento dos
latifúndios; levaram alguns tribunos da plebe a proporem uma
reforma agrária: foram os irmãos Tibério e Caio Graco.
Os irmãos Graco tentaram melhorar as condições de vida dos
plebeus por meio de uma reforma agrária e de uma lei frumentária.
As terras públicas ( o Ager publicus ) seriam utilizadas para
transformar o pobre urbano em camponês, bem como a ampliação
da distribuição de alimentos. Mediante estas reformas, acreditavam
os tribunos, as tensões sociais diminuiriam.
Os dois irmãos foram assassinados...
B) Os generais Mário e Sila.
O desaparecimento do cidadão soldado veio fortalecer o poder
individual de alguns generais, que se utilizavam da popularidade
diante de seus soldados para manterem-se no poder. Destaque para
o general Mário e o general Sila que levam seus exércitos a conflitos
pela disputa do poder político. Estes conflitos políticos, com fortes
conotações sociais estão na origem das chamadas guerras civis.
Durante estas guerras internas, outros generais destacaram-se
como Pompeu e Júlio César.
C) Triunvirato.
Período em que o governo de Roma estava dividido entre três
generais.
O primeiro Triunvirato foi composto por César, Pompeu e
Crasso. Com a morte de Crasso, César e Pompeu travam uma disputa
pelo poder, resultando na vitória de Júlio César e no início de seu
poder pessoal, que dura até o ano de 44 a.C., ano de seu
assassinato.
O segundo Triunvirato era formado por Caio Otávio ( sobrinho
de Júlio César ), Marco Antônio e Lépido. Aqui também haverá uma
intensa disputa pelo poder pessoal. No ano de 31 a.C., com a vitória
de Caio Otávio sobre Marco Antônio tem início o poder pessoal de
Otávio, que se tornará o primeiro imperador romano.
IMPÉRIO.
A principal característica do Império Romano é a centralização
do poder nas mãos de um só governante. O longo período das
guerras civis, contribuiu para enfraquecer o Senado e fortalecer o
exército.
Caio Otávio será o primeiro imperador de Roma e receberá uma
série de títulos, tais como: Augusto ( honra dada somente aos deuses
),
Tribuno da Plebe vitalício e Príncipe ( o primeiro cidadão do Senado).
O seu governo vai do ano 31 a.C. até o ano 14 d.C. Realizou
reformas que contribuíram para a sua popularidade: ampliou a
distribuição gratuita de trigo para a plebe e de espaços para a
diversão pública ( a famosa Política do Pão e Circo ), efetuou uma
distribuição de terras aos soldados veteranos e foi um protetor dos
artistas romanos.
Seu período é conhecido como a PAX ROMANA, dado ao
fortalecimento do exército, a amenização das tensões sociais - graças
à política do pão e circo - e a pacificação das províncias do império.
O período imperial romano é dividido em dois momentos: o Alto
Império, marcado pelo apogeu de Roma; e pelo Baixo Império, que
representa a decadência e queda de Roma.
A) ALTO IMPÉRIO.
Formado pelas chamadas dinastias de ouro. É o momento de
grandiosidade de Roma tendo as seguintes dinastias:
a) Júlio-Claúdios ( 14 - 68 )
b) Flávios ( 69 - 96 )
c) Antoninos ( 96 -192)
d) Severos (193-235).
À partir do ano de 235, inicia-se um período de crises em
virtude do enorme custo para a manutenção do exército. Os gatos
militares minavam as finanças do Estado, que era obrigado a
aumentar os impostos. Esta política provoca tumultos e revoltas nas
províncias.
A crise militar acarreta o fim do expansionismo romano,
contribuindo - a médio prazo e de forma contínua - para diminuir a
entrada de mão-de-obra escrava em Roma. A chamada crise do
escravismo está na raiz da queda de Roma.
A crise e a queda De Roma.
Toda a riqueza do Império Romano advinha do uso da mão-deobra
escrava, conseguida pela expansão territorial.
À partir do século III, como forma de conter os excessivos
gastos militares, Roma cessou suas conquistas territoriais,
acarretando uma diminuição no número de escravos e,
conseqüentemente, uma expressiva queda na produção agrícola.
Como resultado desta crise econômica o Estado romano passa a
aumentar, de forma sistemática, os impostos. O aumento dos
impostos reflete em um aumento no preço das mercadorias, gerando
um processo inflacionário. Diante desta situação, a política de pão e
circo deixa de existir - pois o Estado não pode mais arcar com a
distribuição gratuita de alimentos - contribuindo para aumentar as
tensões sociais.
Como se não bastasse tudo isto, as fronteiras do Império
Romano começam a serem invadidas pelos chamados povos
bárbaros, trazendo um clima de insegurança e pânico a todos.
Conseqüências da crise imperial.
-ÊXODO URBANO: uma saída da população urbana para o
campo, fugindo da crise econômica e dos bárbaros. No campo, esta
população tinha uma oportunidade de trabalho pois, em virtude da
diminuição do número de escravos, os grandes proprietários passam
a necessitar de força de trabalho.
-O COLONATO: como solução para a falta de força de trabalho e
de uma forte onda inflacionária, desenvolve-se no campo o regime de
colonato, onde o grande proprietário arrenda lotes de terras para os
camponeses que, em troca, trabalhavam e produziam para o grande
proprietário. O colono passa a ser um homem preso à terra. A
economia passa a ser auto-suficiente.
-INFLAÇÃO: com a queda da produção agrícola, o Estado tem
sua arrecadação de impostos diminuída e, em contrapartida, um
aumento das despesas - como a manutenção do exército para a
defesa das fronteiras dos ataques bárbaros. Na falta de dinheiro, o
Estado passa a exercer uma política emissionista ( emissão de moeda
) provocando uma desvalorização do dinheiro. Sem dinheiro, o Estado
inicia a sua falência.
-CRISE MILITAR: sem recursos para manter o exército, o
Estado romano passa a recrutar bárbaros para defender as suas
fronteiras, que em troca do serviço prestado recebiam terras.
No campo, a ausência militar e a necessidade de garantir a
propriedade, leva o grande proprietário a contratar mercenários para
a defesa da terra, criando um exército pessoal.
-O CRISTIANISMO: um outro elemento que contribuiu para a
crise de Roma foi a difusão da religião cristã. O fortalecimento do
cristianismo ocorria, simultaneamente, com o enfraquecimento de
Roma. Os cristãos não aceitavam as instituições romanas, ligadas ao
paganismo; não reconheciam a divindade do imperador e não
aceitavam a escravidão.
As autoridades romanas iniciam uma política de perseguição
sistemática aos cristãos, considerando-os culpados por todas as
calamidades que ocorriam. No entanto, quanto mais os cristãos eram
perseguidos e torturados, maior o número de adeptos.
Reformas do Baixo Império.
Procurando evitar o colapso político-administrativo total do
Império, alguns imperadores empreenderam algumas reformas, com
o objetivo de reestruturar o império.
DIOCLECIANO: dividiu o poder imperial em quatro parte - a
tetrarquia - procurando aumentar a eficiência administrativa ao
descentralizar a organização do Estado; reintroduziu o serviço militar
obrigatório; incentivou o regime de colonato; editou a lei do Preço
Máximo, para combater a inflação; ampliou a perseguição aos
cristãos.
CONSTANTINO: sucessor de Diocleciano, realizando a
reunificação do Império e transferindo a capital de Roma para
Bizâncio na parte oriental do Império ( futura Constantinopla ); o
Édito de Milão (313) , legalizando o cristianismo. Esta medida tinha
também um interesse econômico. O pagão, de perseguidor passa a
ser perseguido, e seus bens ( maiores que os do cristão ) confiscados
pelo Estado, constituindo assim, uma forma de aumentar o erário
estatal.
TEODÓSIO: realizou a divisão do Império romano em duas
partes:
Império romano ocidental - Roma
Império romano oriental - Constantinopla
À partir do século IV a pressão dos bárbaros sobre as fronteiras
de Roma aumenta. Uma imensa onda de tribos - fugindo dos Hunos -
inicia a penetração na parte ocidental de Roma.
Por conta da fraqueza interna, Roma foi saqueada e dominada
no ano de 476 por Odoacro, que se declarou rei da Itália. Esta data é
considerada o ponto final da história romana. Quanto ao lado oriental
de Roma, este sobrevivi até o ano de 1453 com o nome de Império
Bizantino.
Cultura romana.
A cultura romana foi profundamente influenciada pela cultura
grega. O teatro será um dos divertimentos de Roma. Os romanos
gostavam ainda das lutas de gladiadores e corridas de biga. O
martírio dos cristãos também servia de entretenimento.
Na literatura - cuja época de ouro foi o período de Augusto -
destacam-se Horácio, Virgílio e Tito Lívio autor de "A História de
Roma".
A principal contribuição dos romanos para a posteridade foi,
sem dúvida alguma, no campo do Direito. O Direito romano continua
a ser a base da ciência do Direito ainda hoje.
Outro importante legado é o latim, origem de muitas línguas
modernas, tais como o português, o italiano, o francês e o espanhol.
Para finalizar, o grande desenvolvimento de Roma - em todos
os aspectos, assim como o grego - só foi possível graças ao uso do
trabalho escravo.
Exercícios.
1) (FUVEST) O Estado Romano no Baixo Império carcterizou-se
pela:
a) aceitação do princípio da intervenção do Estado na vida
social e econômica:
b) tentativa de conduzir os negócios públicos exclusivamente a
partir de um determinado grupo social;
c) estabilidade nas relações entre o poder central e os governos
provinciais;
d) perfeita harmonia dos órgãos legislativos quanto às idéias de
expansão territorial;
e) absoluta identidade de pensamento quanto às atitudes
frente ao problema religioso.
2) (UEMS) Entre as reformas introduzidas em Roma por
Augusto, podemos citar:
a) o estabelecimento do divórcio;
b) a drástica redução dos efetivos militares;
c) a restauração do antigo sistema de cobrar os impostos
provinciais;
d) a criação de um sistema centralizado nos tribunais;
e) a redução da autonomia das províncias.
3) (FUVEST) Diocleciano ( 284-304 ) e Constantino ( 312-337)
destacaram-se no história do Império Romano por terem:
a) conquistado e promovido a romanização da Lusitânia,
incorporando-a ao Império;
b) introduzido em Roma costumes religiosos e políticos dos
etruscos;
c) concedido à plebe defensores especiais - os tribunos da
plebe - que protegiam seus direitos;
d) consolidado o Direito Romano na chamada Lex Duodecim
Tabularum;
e) estabelecido medidas visando deter a crise que abalava o
Império.
4)(PUC) Os irmãos Graco:
a) defenderam os camponeses sem terra contra a aristocracia;
b) foram os conquistadores de Cartago;
c) eram os principais líderes do partido aristocrático;
d) elaboraram a primeira lei escrita de Roma;
e) foram os autores da Lei das Doze Tábuas.
5) (FUVEST) A expansão de Roma durante a República, com o
conseqüente domínio da Bacia do Mediterrâneo, provocou
sensíveis transformações sociais e econômicas, entre as quais:
a) um marcante processo de industrialização, êxodo urbano e
endividamento do Estado;
b) o fortalecimento da classe plebéia, expansão da pequena
propriedade e propagação do cristianismo;
c) o crescimento da economia agropastoril, intensificação das
exportações e aumento do trabalho livre;
d) o enriquecimento do Estado Romano, aparecimento de uma
poderosa classe de comerciantes e aumento do número de
escravos;
e) a diminuição da produção nos latifúndios, acentuado
processo inflacionário e escassez de mão-de-obra escrava.
6) (UnB) A República foi um dos mais significativos períodos da
história romana, marcado por:
(0) intensas lutas sociais envolvendo patrícios e plebeus;
(1) uma tendência ao expansionismo, cuja primeira etapa foi
a conquista da Itália;
(2) uma forte presença do Senado que, entre outras funções
, administrava as províncias, supervisionava as finanças
públicas e conduzia a política externa;
(3) uma vitória decisiva sobre Cartago ( Guerras Púnicas ),
que abriu as portas do Mediterrâneo à dominação
romana;
(4) uma equiparação da elite patrícia com a classe plebéia,
em termos de poder político e de força econômica, como
decorrência de suas conquistas.
7) (OSEC) Sobre a ruralização da economia ocorrida durante a
crise do Império Romano, podemos afirmar que:
a) proporcionou ao Estado a oportunidade de cobrar mais
eficientemente os impostos;
b) foi a causa principal da falta de escravos;
c) foi conseqüência da crise econômica e da insegurança
provocada pela invasões dos bárbaros;
d) incentivou o crescimento do comércio;
e) proporcionou às cidades o aumento de suas riquezas.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Queridos Alunos dos 1º anos  e 2º anos de Filosofia e História do I.E.E. Marcílio Dias - Prof. Edson

Após o merecido descanso as aulas retornam dia 29/07, segunda-feira e como foi combinado, faremos nossas provas do trimestre. Na segunda provas de Filosofia para 1º e 2º anos noturnos, na quarta-feira  1º e 2º anos História e Filosofia, manha e tarde e na sexta-feira 1º e 2º anos História e Filosofia, manha e tarde (inclusive turmas 111-A e 211-A). Estudem, visitem o blog para tirar dúvidas, e bom retorno. Prof. Edson Couto

domingo, 16 de junho de 2013

GRÉCIA ANTIGA – BERÇO DA CIVILIZAÇÃO.
PROF. Edson Couto
CONTEÚDO – Resumo da 1ª Aula
Berço da Civilização Ocidental
Grécia Antiga deixou ao Ocidente um legado sem precedentes na História. Além da filosofia, que teve lá seu início a partir do século VI a.C., os gregos da Antiguidade criaram a democracia, construíram monumentos inigualáveis e ajudaram a estabelecer os princípios que levaram o mundo ocidental ao seu desenvolvimento. Atenas, capital da Grécia, como não poderia deixar de ser, foi uma grande protagonista desses tempos de glória. Mais do que isso: foi o símbolo maior da civilização grega, de seus valores e parâmetros morais, políticos e artísticos.
Nas ruas de Atenas nasceram a filosofia e a democracia, foram encenadas obras dramáticas que marcaram a História e lá estão ainda hoje as marcas de uma era em que os gregos dominaram o mundo. Por conta de seu poderio, Atenas travou muitas guerras ao longo da Antiguidade. Uma das mais famosas foi contra Esparta, cidade grega que era sua antagonista.
Disciplinados e guerreiros, os cidadãos de Esparta tinham como norma a rigidez, a austeridade e a submissão total do indivíduo ao Estado. Ainda hoje, se procurarmos a palavra "espartano" no dicionário de língua portuguesa, encontraremos o significado: "aquele que é sóbrio, rigoroso, austero e virtuoso".
Além de Atenas e Esparta, a Grécia também nos oferece muitos tesouros arqueológicos e naturais em cidades como Tebas, Corinto e Delfos, além de suas ilhas paradisíacas (a mais famosa delas é a de Creta).
No campo da arte, os gregos conseguiram harmonizar as formas da natureza com as formas ditadas pelo espírito, conceito que percorreu toda a arte produzida na Grécia Antiga e constitui um princípio básico da estética ocidental, especialmente em seus momentos de recuperação dos valões clássicos. Como podemos ver, os mistérios e tesouros deixados pela Grécia Antiga continuam quase tão presentes quanto há milhares de anos. Por isso, vale a pena mergulhar neste mundo de descobertas.

As invasões Indo Européias (Formação do povo Grego)
Hélade, território dos antigos gregos, abrangia o sul dos Bálcãs (Grécia Continental), a Península do Peloponeso (Grécia Peninsular) e as ilhas do mar Egeu (Grécia Insular), além de colônias na costa da Ásia Menor e na Região conhecida como Magna Grécia – a Sicília e o sul da Península Itálica. Seu primeiro polo cultural foi a ilha de Creta, a maior do Egeu. A civilização cretense floresceu entre 2000 e 1400 a.C., antes da chegada das tribos helênicas à região. Nesse período, Creta dominou o comércio marítimo no Mediterrâneo e estendeu sua influência à Grécia Continental.
Dos Heróis de Homero ao “Período obscuro”
No século XII a.C., a sociedade cretense foi subjugada pelos aqueus, tribos de origem indo-européia que se estabelecera em Micenas e em outras cidades da Grécia Continental.
Sob a hegemonia de Micenas, os aqueus também conquistaram a cidade de Tróia, Na Ásia Menor, numa guerra que se estendeu por dez anos.
Diz a lenda que o conflito resultou no rapto de Helena, a linda esposa de Menelau, rei de Esparta, pelo príncipe Paris, filho do rei Príamo, de Tróia. Em meados do século VII a.C., os episódios da guerra inspirariam uma obra prima da literatura grega e mundial: o poema épico Ilíada (Tróia também era chamada de Ílion), atribuído a Homero. Ele também é considerado o autor de outra obra prima.

A Odisséia, que conta as aventuras do herói grego Odisseus (Ulisses) em seu retorno para casa, após a Guerra de Tróia. Outros grupos apresentados aos aqueus, como os eólios e os jônios, invadiram a Hélade até o século XII a.C., quando finalmente os dórios dominaram a região e provocaram o colapso da cultura micênica. A partir de então, o mundo grego atravessou um período difícil, designado por alguns historiadores como “Idade das Trevas” ou “Período Obscuro”.
2ª e 3ª AULA DE FILOSOFIA 2º ANO ENS. MÉDIO, M,T ,N

Concepções de Ética que Marcaram a História Ocidental
Ao longo da história da humanidade, a ética foi entendida como parte integrante da filosofia. Os filósofos procuraram estabelecer princípios e pressupostos que caracterizaram o campo de compreensão da ética e da moral. Em cada uma das épocas, o campo de compreensão se ampliava e adquiria novos sentidos, fazendo com que as ações e as condutas das pessoas fossem compreendidas de maneira diferente.
A ética e a moral nos remetem à ideia de costumes. Muitas foram as teorias e as concepções que se formaram entre os pensadores do assunto. Por isso, passo a apresentar de maneira resumida, algumas concepções de ética que marcaram a discussão ao longo de nossa história da humanidade. Estas concepções não devem ser entendidas como um conjunto fixo e irredutível de prescrições, mas dentro do seu contexto histórico.
a) A Ética na Concepção Socrática
Foi com os primeiros filósofos gregos, principalmente com Sócrates, que teve início a discussão sobre Ética. Para Sócrates, a moral parte do princípio de que a felicidade humana é resultado de uma vida virtuosa, ou seja, de que a felicidade é a própria perfeição ética. O bem consiste no proveito de todos. O homem, agindo pelo interesse comum, ganha também a própria felicidade, que reside precisamente na consciência do agir de acordo com a justiça, no domínio de si mesmo e dos próprios impulsos. Para Sócrates, é virtuoso quem é sábio e pratica o bem, do contrário, quem não conhece o bem e não o pratica é infeliz. Aqueles que praticam o mal fazem-no por ignorância. Portanto, a origem de todos os males está na ignorância. (SCIACCA, 1995),
b) A Ética na Concepção Aristotélica
Os gregos desenvolveram outras formas de compreender a ética. Para Aristóteles, a Ética está vinculada à vida prática. É nesse sentido que Aristóteles, na obra Ética a Nicômaco, trata dos conceitos de Ética com maior detalhe, cuja preocupação principal, acima de qualquer coisa, é com o bem comum. A vida boa, que todo ser humano deseja, é o que chamamos de felicidade, que se refere a certa forma de viver que, no entanto, como a natureza humana, é complexa e, muitas vezes, apresenta tendências adversas, sendo preciso submetê-la a certas regras ou critérios racionais que equilibrem a felicidade entre os demais. Conseguir esse equilíbrio (meio termo) é o que Aristóteles chama de virtude, apresentada como um componente essencial da felicidade.
O fim da medicina é a saúde, o da construção naval é um navio, o da estratégia militar é a vitória, e o da economia é a riqueza. Se existe então, para as coisas que fazemos, algum fim que desejamos por si mesmo e tudo o mais é desejado por causa dele [...] evidentemente tal fim deve ser o bem, ou melhor, o sumo bem (ARISTÓTELES, 2003, p. 17).
A virtude não é uma atividade adversa da felicidade, mas um hábito ou uma maneira habitual de ser. Como tal, não pode ser adquirida da noite para o dia porque depende de muito exercício, que não se caracteriza como uma ; atividade, mas como uma disposição para agir sempre da mesma forma nas ações futuras. É nesse sentido que, na Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma que "a virtude moral é adquirida em resultado do hábito"; em que se configura a ética como uma ciência prática, pois como diz ele, "[...] não investigamos para saber o que é a virtude, mas a fim de nos tornarmos bons, do contrário o nosso estudo seria inútil [...]." (ARISTÓTELES, 2003, p. 27).
c) A Ética na Concepção Cristã
    Na Idade Média, o cristianismo exerceu um domínio muito forte sobre a da das pessoas, consequentemente, influenciou na maneira de organizar- se e de relacionar-se. O relacionamento, nesta época, não estava ligado retamente à questão político-social, mas ao comportamento individual com Deus.
A concepção de ética na Idade Média se diferenciava da concepção grega. A principal diferença estava na ideia de que a virtude se define na relação com Deus e não com a sociedade e nem com os outros. Portanto, a nossa relação com os outros depende da qualidade de nossa relação com Deus. Por esse motivo, a fé e a caridade eram as duas virtudes cristãs indispensáveis para um bom relacionamento com Deus.
d) A Ética na Concepção Antropocêntrica
Com o início do desenvolvimento do capitalismo e da ciência, a sociedade passa a ser entendida a partir do indivíduo e não mais a partir dos interesses da coletividade. Ou seja, para os gregos, a comunidade era vista como algo constitutivo do ser humano e que tinha sua realização na "polis". Na idade Média, a comunidade era compreendida como algo imutável e pré-estabelecido por Deus, cabendo ao homem apenas aceitar as determinações impostas pela Igreja e segui-las. A ética era entendida a partir da ideia do dever. As pessoas deveriam ter: "deveres para com Deus, deveres para consigo mesmo e deveres para com o próximo." (VIDAL, 1981, p. 33).
Posteriormente, na Idade moderna, o homem se apega à ciência como construtora de sua vida. O dever passa a ser compreendido como um postulado racional universal que deve regular a vida dos cristãos e não cristãos na sociedade. Um dos filósofos que procurou dar uma resposta a essas dificuldades foi Rousseau, no século XVIII. Para ele, a consciência moral e o sentimento do dever são inatos e independem da nossa vontade. Chauí (1997, p. 344) faz a seguinte reflexão sobre as ideias de Rousseau no que se refere à ética do dever e a consciência moral:
[...] nascemos puros e bons, dotados de generosidade e benevolência para com os outros. Se o dever parece ser uma imposição e urna obrigação externa, imposta por Deus aos humanos, é porque nossa bondade natural foi pervertida pela sociedade, quando esta criou a propriedade privada e os interesses privados, tornando-os egoístas, mentirosos e destrutivos.
Rousseau (1983) defende uma ética do coração, onde o dever simplesmente nos faz recordar da nossa natureza originária, que é seguir as predeterminações impostas a nós antes de nascermos. Nesse sentido, devemos obedecer não a nossa razão, que é perversa e egoísta, mas aos nossos sentimentos e emoções que constituem o nosso ser, que é dotado de bondade e ternura.
Mas é com Kant, filósofo alemão (1724-1804), que a ética dos tempos modernos adquire uma característica mais individualista influenciada pela ciência, onde os aspectos racionais e antropológicos passam a ser referências diretas para toda e qualquer conduta humana e para o sistema capitalista. Immanuel Kant, contrariando as ideias defendidas por Rousseau, afirmava que somos, por natureza, dotados de bondade e de maldade e que nossos atos não dependem de nossa vontade própria, a qual temos que seguir pelos impulsos do coração. Santos (1997, p. 87) faz a seguinte reflexão sobre a ética em Kant: "o homem é um ser determinado e sabe que não pode ser totalmente livre, mas pela sua força de vontade é capaz de fazer o bem e rejeitar o mal".
Em síntese, a ética kantiana se baseia nos seguintes princípios ou regras, a saber: qualquer conduta aceita como padrão ético deve valer para todos os que se encontrem na mesma situação, sem exceções; só se deve exigir dos outros o que exigimos de nós mesmos; devemos agir de alguma forma que a causa que nos levou a agir possa ser transformada em lei universal. (KANT, 1974).
e) A Ética na Concepção Marxista
Um dos maiores pensadores do mundo moderno, Karl Marx, afirmou que as transformações sociais são produzidas pela luta de classes e que seu objetivo era construir uma sociedade sem classes. Mas, segundo Marx, numa sociedade onde vivem exploradores e explorados é a moral da classe dominante que predomina. Os valores, como liberdade, amizade e felicidade, são hipócritas porque são irrealizáveis numa sociedade fundada em classes sociais. Portanto, falar em moral ou ética universal numa sociedade dividida em classes é completamente falso, é camuflar os interesses antagônicos das classes para manter a dominação de uma sobre a outra. Somente poderá existir uma ética verdadeira quando vivermos numa sociedade sem Estado, sem classes e sem propriedade privada.
f) A Ética na Concepção de Jürgen Habermas
Para Jürgen Habermas, que nasceu na Alemanha em 1929, a ética se baseia no uso da razão prática e busca o que é bom, tanto para o indivíduo como para a coletividade. De acordo com o pensamento de Habermas, o comportamento prático do cidadão deve orientar-se pelo ideal da vida boa. A vida boa é definida pelo grupo social ao qual o indivíduo pertence; trata-se de um ideal coletivo ancorado na tradição. O cidadão deve buscar uma forma de integrar-se ao projeto coletivo que respeite também as características de sua individualidade.
g) A Ética da Libertação de Enrique Dussel.
     Nascido em 1934, na cidade de Mendoza (Argentina), é considerado um importante representante da Filosofia da Libertação. Desenvolve seu pensamento tendo como base a realidade latino-americana de dominação e opressão. Defensor dos mais pobres, sua concepção de Ética tem como princípio primeiro defender a vida a partir de um continente oprimido e marginalizado.
    A ética ou a moral é sempre certo respeito ao outro. Como crítico do processo de colonização, adotado pelos povos europeus, Dussel (1977, p. 47) apresenta o princípio primeiro e supremo da ética latino-americana, que é:
   "Não mates o Outro, ame-o com amor-de-justiça". "Não o mates" porque então permanecerás "só"[...]. Não só deves deixá-lo viver ("deixar viver" é condição da afirmação da negação da negação: "não mates'); é ainda necessário amá-lo como outro, e pode depois dar-lhe o que é justo aquele que assim ama o Outro benevolentemente.
   Ao contrário, o mal é a "negação do Outro" no sentido de não poder fazer parte do processo histórico, consequentemente, vive excluído da sociedade. A maldade é o desprezo ao Outro, enquanto a bondade é acolher o outro. Portanto, a origem do bem está no Outro. Em síntese, a ética, para Enrique Dussel, é ouvir a voz do outro. Aquele que ouve a voz do outro ou a sua palavra está praticando a justiça.
h) A Ética para Paulo Freire
    Considerado um dos principais representantes da Educação brasileira, Paulo Freire não desenvolveu um conjunto de princípios ou teorias a serem seguidas, mas sua ética se apresenta mais como um olhar ou uma ótica que perpassa todas as dimensões da vida, desde as questões mais simples até as situações mais complexas da vida.
    A ética se manifesta na capacidade que as pessoas têm de relacionar as suas vivências. Quando somos capazes de comparar, intervir, romper, tornamo-nos seres éticos, estamos caminhando para a libertação da opressão e da marginalização sofrida na sociedade. Além disso, a ética se manifesta na capacidade de indignar-se contra as crueldades que acontecem. "Está errada a educação que não reconhece na justa raiva, na raiva que protesta contra as injustiças, contra a deslealdade, contra o desamor, contra a exploração e a violência um papel altamente formador." (FREIRE, 1996, p. 45).
    Em síntese, para Paulo Freire (apud BARRETO, 1998, p.58), "é exatamente a vida, que aguçando nossa curiosidade, nos leva ao conhecimento; é o direito de todos à vida que nos faz solidários; é a opção pela vida que nos torna éticos".
   Em linhas gerais, as ideias até aqui apresentadas sobre as diferentes concepções de éticas nos permitem concluir que ela não está pronta e acabada, mas em constante processo de construção. Além do mais, condição essencial para o exercício de qualquer profissão, tema este que será desenvolvido na próxima seção.
Atividade de Estudos:
1)         Apresente as principais características da ética e da moral.

2)         Na leitura do texto sobre as concepções de ética que marcaram a história ocidental, você pode perceber que há diferentes explicações e compreensões para a ética. Procure sintetizar, em uma ou duas frases, cada uma das concepções de ética apresentada.

a)         A Ética na concepção socrática.

b)         A Ética na concepção aristotélica.

c)         A Ética na concepção Cristã.

d)         A Ética na concepção antropocêntrica.

e)         A Ética na concepção marxista.

f)          A Ética na concepção de Jürgen Habermas.

g)         A Ética da Libertação de Enrique Dussel.

h)         A Ética para Paulo Freire.

3) Leia o texto que segue:
   Uma jovem descobre que está grávida. Sente que seu corpo e seu espírito ainda não estão preparados para a gravidez. Sabe que seu parceiro, mesmo que deseje apoiá-la, é tão jovem e despreparado quanto ela e que ambos não terão como se responsabilizar plenamente pela gestação, pelo parto e pela criação de um filho. Ambos estão desorientados. Não sabem se poderão contar com o auxílio de suas famílias (se as tiverem).
   Se ela for apenas estudante, terá que deixar a escola para trabalhar, a fim de pagar o parto e arcar com as despesas da criança. Sua vida e seu futuro mudarão para sempre. Se trabalha, sabe que perderá o emprego, porque vive numa sociedade onde os patrões discriminam as mulheres grávidas, sobretudo as solteiras. Receia não contar com os amigos. Ao mesmo tempo, porém, deseja a criança, sonha com ela, mas teme dar-lhe uma vida de miséria e ser injusta com quem não pediu para nascer. Pode fazer um aborto? Deve fazê-lo? (CHAUI, 1997, p. 334).
   A partir deste problema ético, procure dar uma resposta para o caso e fundamente em um dos princípios éticos apresentados na questão 2.
ÉTICA PROFISSIONAL
   Até aqui apresentamos as diferenças entre ética e moral e as principais teorias éticas que se formaram ao longo da história da humanidade. Todas essas idéias apresentadas até então irão servir de base para a compreensão das questões relativas à ética profissional. Primeiramente, discutiremos a questão da boa forma ética e, posteriormente, a ética profissional e a função do código de ética na sociedade.
a) A Boa Forma Ética
   Antes de abordamos o tema ética profissional, gostaria de destacar um ponto muito importante e que está relacionado a questão da formação ética. Será que já nascemos bons ou ruins? Será que já nascemos com os valores éticos e morais ou será que eles são construídos ao longo de nossa vida
   Alguns autores utilizam a expressão deontologia como sinônimo para se referir à ética profissional. Deontologia é de origem grega: déon que significa convincente, necessário, obrigatório; e logia que significa conhecimento ou estudo. Portanto, a deontologia é um conjunto de conhecimentos exigidos nas atividades profissionais. Em nossos estudos não vamos utilizar a expressão deontologia, mas ética profissional, pois entendemos que melhor caracteriza a relação da ética com a atividade profissional.
    Primeiramente, ética profissional significa a aplicação dos valores e das normas no exercício profissional. Para a sua aplicação são elaborados códigos de conduta que regulam o relacionamento entre os membros de uma profissão. Como exemplo, podemos citar o código de ética dos advogados, contabilistas, profissionais de educação física, engenheiros entre outros.
   Mas o que é ética profissional? A seguir apresentamos algumas das definições de ética profissional na opinião de alguns autores.
    Segundo Santos (1997, p. 15), ética profissional é:
    [...] a reflexão sobre a atividade produtiva, para dali extrair o conjunto excelente de ações, relativas ao modo de produção. Atividade produtiva tem hábitos e costume próprios, tem também acordos que asseguram a produção de justiça mínima no decorrer de seu exercício e constituem, ambos, o objeto da ética profissional.
    Já para Camargo (1999, p. 31), "a ética profissional é a aplicação da ética geral no campo das atividades profissionais; a pessoa tem que estar imbuída de certos princípios ou valores próprios do ser humano para vivê-los nas suas atividades de trabalho."

   Em suma, a ética profissional não se resume a um conjunto de leis ou regras que disciplina o exercício de uma profissão, mas vai muito além. Diz respeito ao agir de cada profissional perante o seu grupo de trabalho e no relacionamento com os demais profissionais.